CERS-RH não reconhece Intercontinental

CERS-RH não reconhece Intercontinental

O Comité Internacional de Hóquei em Patins (FIRS-RH) tornou esta quinta-feira oficial o local e data da Taça Intercontinental relativa ao ano de 2015. Já anunciado nos orgãos de comunicação social, o decisivo jogo entre os espanhóis do Vic e os argentinos do Huracán realiza-se em casa dos "vigatans", no Pavelló Olímpic, no dia 29 de Dezembro a partir das 19h30.

Poderia ser o fechar de um tema que se arrastou, mas esta "confirmação oficial" não caiu bem no seio do Comité Europeu (CERS-RH), presidido pelo português Fernando Graça, e conhece agora um novo capítulo.

Não há reconhecimento Europeu

Segundo comunicado emitido de pronto pelo organismo máximo europeu, o mesmo não terá sido consultado, tendo sido ultrapassado numa responsabilidade que seria sua e sendo feridos vários pontos do regulamento da prova. Neste consta (Artigo 17, ponto 1) que a "supervisão da competição" estará a cargo de dois membros do FIRS-RH, um do CERS-RH e outro da Confederação Sul Americana.

Ainda que a "competição" possa ser vista, de um modo redutor, como o jogo em si, a semana que é dada para a nomeação de um membro - em particular nesta quadra natalícia - não é de bom-senso, mas o CERS-RH entenderá até esta "supervisão" num modo mais abrangente.

Fernando Graça é presidente do CERS-RH
Fernando Graça é presidente do CERS-RH

Para além de se sentir "nem tido, nem achado", à luz deste mesmo regulamento, o CERS-RH questiona a data, referindo que a prova se deveria ter realizado entre 1 de Janeiro e 30 de Abril de 2016, e o Vic como uma das equipas intervenientes, dado que o campeão europeu de 2015 foi o Barcelona. Por todos estes motivos que segundo o CERS-RH ferem os regulamentos, o organismo assume a posição de não reconhecer oficialmente a prova.

O regulamento

O HóqueiPT teve acesso ao regulamento da FIRS para a Taça Intercontinental e este está longe de ser assertivo. Desde logo na realização - ou não - da prova. O Artigo 1 refere que esta será realizada "se possível" e, novamente, "se possível" alternadamente na Europa e na América do Sul, deixando muito para a vontade dos clubes em disputar o único troféu mundial de clubes, mas cujo prestigio fica aquém do desejável.

E os clubes envolvidos podem ser quatro... O regulamento prevê que a prova possa ser disputada por quatro equipas, para além das tradicionais duas. Além dos campeões Europeu e Sul-Americano, estaria presente o detentor do troféu e o segundo classificado do outro continente, que não o do detentor. Curiosamente, não é esclarecido o que acontece no caso do campeão europeu ser também o detentor da Intercontinental...

Na leitura do regulamento, ao Artigo 5 chega um dos pontos que toca o comunicado do CERS-RH. O documento prevê que em caso de renúncia de um dos participantes, o direito passe para o segundo classificado na prova que apurou o "renunciante". Renunciando o Barcelona, é legítima a participação do Vic, finalista vencido da Liga Europeia em 2015.

Cartaz foi elaborado com o
Cartaz foi elaborado com o "selo" do CERS-RH... à revelia

Outro dos pontos abordados pelo CERS-RH diz respeito à data. Pese a imprecisão do organismo europeu, a data calendarizada no Artigo 10 a apontar ao primeiro quarto do ano (até 31 de Março e não 30 de Abril) foi claramente ultrapassada.

Já na questão da organização, não é totalmente liquido que o CERS-RH ou a Confederação Sul-Americana tenham de ser previamente consultados, salvaguardando-se naturalmente um aviso prévio para garantir a presença de um membro de cada organismo que se junte aos dois do FIRS-RH, conforme previsto no Artigo 17. Inclusivamente, o Artigo 13 refere que a Intercontinental pode ser organizada por qualquer entidade, desde que seja aprovado pela Federação nacional (no particular deste ano, a espanhola) onde vai acontecer. Em alternativa - e não complementarmente - a aprovação pode ser da entidade Continental (CERS-RH) competente.

Analisadas as candidaturas, com os clubes participantes a terem preferência, a atribuição da organização - anunciada esta quinta-feira - deveria segundo o Artigo 19 ter sido tornada pública pelo FIRS-RH até ao último dia de Outubro, mas tal foi inviável este ano, como fora em 2015. É que parte interessada, o campeão sul-americano, só ficou conhecido em Dezembro...

Que jogadores na decisão?

À margem do comunicado do CERS-RH, o atraso na realização da prova levanta outro problema. É que no Artigo 7 lê-se que os jogadores que poderão participar na Intercontinental são os inscritos na época seguinte à realização da final da Liga Europeia (no caso do campeão europeu) ou no ano a que a prova diz respeito - no caso, 2015 - para o campeão sul-americano.

Carles Grau já não joga no Vic
Carles Grau já não joga no Vic

Desde logo, tal entra em conflito com a calendarização, dado que no primeiro trimestre do ano seguinte, os jogadores do campeão sul-americano poderão já não estar ligados à equipa. No caso particular da edição de 2015, que agora terá lugar, a questão é ainda mais problemática, dado que também já se registaram saídas no plantel 2015/16 do Vic que deveria disputar o título e houve entradas de jogadores que, teoricamente, não poderão ser utilizados. Saíram os guarda-redes Carles Grau e Martí Serra, como o atacante Ferran Font, entraram Gerard Camps e Sergi Llorca...

A utilização irregular de jogadores dará pena de derrota.

Barcelona escapa a sanção

Outra pena prevista tem a ver com a renúncia abordada no Artigo 5. O Artigo 6 prevê uma multa de cinco mil dólares e uma suspensão de dois anos das provas continentais quando a renúncia se verifique e o Barcelona ver-se-ia assim afastado da Liga Europeia ou Taça CERS. No entanto, o não reconhecimento da realização da Intercontinental pelo CERS-RH torna o tema numa não-questão, dado que o clube catalão não pode ser penalizado por uma prova que, oficialmente para o organismo, não existirá.

Além de que seria também fácil aos blaugrana alegar em qualquer sede de decisão que o prazo regulamentado, para o qual poderia estar disposto a participar, não foi cumprido. Dado que a prova é realizada "se possível", assumirá o Barcelona - tal como o CERS-RH - que relativamente a 2015... não existiu.

Barcelona, campeão europeu em 2015, renunciou... mas não haverá sanção
Barcelona, campeão europeu em 2015, renunciou... mas não haverá sanção

Sem consequências

A prova está agendada e, com ou sem reconhecimento do CERS-RH, será disputada.

O Artigo 21, de "outras disposições", define o mais importante, delegando no Comité Executivo do FIRS-RH a responsabilidade pela interpretação do regulamento, e o direito de decidir, em questões de conflito, como quiser.

Provavelmente, o regulamento será violado no próprio jogo no que à utilização de jogadores diz respeito, mas para a história ficará a vitória de Vic ou Huracán.

FIRS - de quem o Hóquei em Patins parece um tema cada vez mais distante - e CERS-RH continuarão de costas voltadas, saindo a perder a modalidade com a crescente cisão entre os dois organismos.

Intercontinental 2016

Entretanto, com todas as demoras, já foi consagrado novo campeão europeu (Benfica) e, no último fim-de-semana, novo campeão sul-americano (Andes Talleres). Segundo avançam fontes ligadas ao clube argentino na comunicação social do país das pampas, a Intercontinental relativa a 2016 deverá respeitar o calendário previsto e regulamentado, e acontecer durante o mês de Março de 2017.

Em Portugal, o campeonato estará parado nos fins-de-semana de 11 e 18 de Março, mas com compromissos para, respectivamente, Liga Europeia (quartos-de-final) e Taça de Portugal. Terá de haver alguma ginástica no planeamento...

AMGRoller Compozito

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