Notícia

«Se saí e hoje não estou no Sporting, não é por mim»

Aug 13, 2017

Sergi Miras está de regresso ao Liceo.

Miras deixara os "verdes" em 2012 rumo ao Barcelona, um regresso à casa em que se formou mas na peugada de outros craques que trocam o "verde" da Corunha pelo "blaugrana" da Catalunha. Apenas uma temporada volvida, foi chamado por Guillem Cabestany, agora treinador do FC Porto, para o Vendrell, alcançando o estatuto de capitão.

No último defeso, embarcou na ambição leonina - que garantira também o Guillem Perez, Pedro Gil e Ferran Font - e no campeonato português, a sua primeira experiência além-fronteiras. "O 'Campeonato Nacional' tem um grande nível, como o espanhol também tem", analisa. Mas há diferenças "Portugal tem muita paixão pelo Hóquei em Patins e é espectacular ver os pavilhões cheios. A forma de jogar é diferente: mais passional e intenso em Portugal e mais cerebral na OK Liga", observa.

Pese a conquista da Elite Cup logo no primeiro desafio da temporada, o defensor não esconde algumas dificuldades iniciais. "Todos os estrangeiros que chegam precisam de adaptar-se ao hóquei português, muito mais rápido, mais directo, e sabia que precisava de algum tempo", confessa.

A estrutura leonina abanou e as saídas de José Trindade e Guillem Perez, responsáveis directos pela contratação de Sergi Miras, culminaram na dispensa do defensor de créditos firmados.

Em alguns círculos foram questionados os motivos da saída, apontando motivos pessoais do jogador. "Tinha dois anos de contrato e sou um profissional. Nunca sairia por opção própria ou problemas pessoais, como cheguei a ler. Se saí e hoje não estou no Sporting, não é por mim, mas porque não entrava nos planos do treinador", esclarece definitivamente.

E o único jogador de pista dos leões nomeado para o "Cinco Ideal" pelos treinadores e capitães das equipas da I Divisão sente que esteve à altura, terminando mesmo como segundo melhor marcador da equipa, com 22 golos no Campeonato, tantos como o capitão João Pinto e apenas aquém de Pedro Gil, que marcou 26. "Não fico com a sensação de que poderia ter feito mais. A minha temporada foi em crescendo e a evolução foi positiva ao longo de toda a época. Em Janeiro já estava muito bem, e assim foi até final", vinca. "Agora não perco tempo a pensar nas outras equipas, estou focado na minha", afirma.

E a equipa de Sergi Miras é agora, de novo, o Liceo.

Superar as saídas... outra vez

O Liceo está habituado a perder as suas maiores referências, ano após ano, principalmente para o Barcelona.

Em 2016 perdeu Pau Bargalló para os "blaugrana" (viria "apenas" a ser MVP da Taça do Rei e da OK Liga), e o capitão e referência maior, Jordi Bargalló, para a Oliveirense. Mas "sobreviveu", e até conquistou o único título que faltava no seu palmarés, a Supercopa.

Este ano, perdeu o timoneiro de largos anos... Carlos Gil.

Carlos Gil deixa o Liceo após largos anos, com um legado de um Hóquei ofensivo e espectacular

"Todos sabemos que o Carlos Gil é parte da História do Liceo, um enorme treinador, que ganhou tudo", recorda Sergi Miras ao HóqueiPT. "Espero que a sua ausência não se note, porque significará que as coisas nos correm bem. E, se nos correrem bem, de certeza que Gil ficará contente, porque é um grande 'liceísta'", garante o jogador que regressa agora a Espanha.

De saída do Liceo estão o guarda-redes Álvaro Shedha para o Alcobendas e Henrique Magalhães e Toni Perez, ambos para o Sporting, em sentido contrário ao de Miras. Para reconstruir a sua equipa, o Liceo assegurou não só o regresso de Sergi Miras, mas também dos "canteranos" Martín Rodriguez (Alcobendas) e Edu Lamas (Barcelona), que chegou a ser falado para reforçar Benfica ou Sporting. E Juan Copa, treinador que substitui Gil, regressa também a uma casa que bem conhece.

"É um novo projecto que me deixa com grandes expectativas", explica Miras. "O Liceo demonstrou muito interesse em mim, é um clube ambicioso e eu queria fazer parte deste projecto. Toda a gente está motivada e isso agrada-me", confidencia.

Edu Lamas não vingou no Barcelona depois de uma lesão prolongada, e regressa ao Liceo

O Liceo regressa aos trabalhos já a 14 de Agosto, apontado a todas as competições. O desafio maior é o de destronar o Barcelona, tetracampeão na OK Liga. "Eu sou mais partidário do playoff. E acredito que a liga espanhola precisa desse formato para se poderem ver novamente pavilhões cheios", começa por ressalvar.

"Todos sabemos que o Barcelona é muito regular e nós vamos ter de estar muito bem, concentrados em todos os jogos, porque na OK Liga podes perder pontos em qualquer pista", analisa, afirmando que é fundamental não partir resignado à hegemonia do Barcelona. "Julgo que o mais importante é acreditar que se pode ganhar a Liga, e esse deveria ser o pensamento de Liceo, Reus e outros", aconselha.

Miras regressa a um emblema que defendeu entre 2010 e 2012, bisando na conquista da Liga Europeia ao serviço dos "verdes". "Tenho boas recordações desses meus dois anos na Corunha. Encantar-me-ia voltar a ganhar com o Liceo", refere. "Temos de confiar em nós próprios, lutar ao máximo, desfrutar e praticar um bom Hóquei. Depois veremos até onde conseguimos chegar", afirma cauteloso.

Di Benedetto, Carballeira e Coy são garantes de qualidade

O Reus venceu a Liga Europeia em 2017 sem ser apontado como um dos principais favoritos no inicio da temporada. E o defensor de 31 anos não descarta igual feito, agora do Liceo. "A Liga Europeia é uma competição muito dificil e muito curta. São poucos jogos e não podes cometer erros. O Reus tinha uma grande equipa, com muita experiência e com muito bom guarda-redes. Vamos passo a passo, que primeiro temos de passar a fase de grupos. Mas com ambição de chegar o mais longe possível", diz.

Para a fase de grupos, o Liceo tem apenas a garantia que não encontrará os também emblemas espanhóis de Barcelona, Reus ou Vic, podendo ter qualquer das equipas portuguesas - Porto, Benfica, Oliveirense ou Sporting - no seu grupo. "Sinceramente, é-me indiferente qual equipa portuguesa nos possa calhar na fase de grupos. São as quatro difíceis", vinca.

Quatro provas para vencer

A temporada do Liceo começa em Voltregà, com a disputa da Supercopa, a 30 de Setembro e 1 de Outubro. Os "verdes" são os detentores da "Supertaça", depois de terem vencido a prova pela primeira vez na sua história em 2016. Na defesa dessa conquista, nas meias-finais, Juan Copa e os seus jogadores defrontam o anfitrião Voltregà, enquanto Barcelona e Reus discutem o outro lugar da final.

O Liceo abre a temporada em Voltregà e também será lá que a fechará, estando para lá agendada a sua última jornada da OK Liga, a 27 de Maio.

Na conquista de 2012 estiveram Sergi Miras e, por exemplo, Edu Lamas, que agora regressa ao Liceo, Ricardo Barreiros e Jordi Bargalló (agora na Oliveirense) e Toni Perez (que vai reforçar o Sporting)

A caminhada na OK Liga começa em Noia a 7 de Outubro, e os principais desafios também já têm data. Sem condicionamento de sorteio, na primeira volta, o Liceo vai a Barcelona a 11 Novembro e recebe o Reus a 28 de Novembro. Na segunda volta, os "verdes" recebe o Barcelona a 13 de Março e vai a Reus a 14 de Abril, ficando depois seis jornadas das 30 ainda por realizar.

Entretanto, a 4 de Novembro arranca a fase de grupos da Liga Europeia (que o Liceo não vence desde que Miras saiu, em 2012) e a Taça do Rei (que escapa ao Liceo desde 2004) será entre 22 e 25 de Fevereiro.

Hockey Club Liceo 2017/18

Treinador

Juan Copa

Guarda-redes

Martín Rodriguez (ex-Alcobendas) e Xavi Malián

Jogadores de pista

Carlo Di Benedetto, Cesar Carballeira, David Torres, Edu Lamas (ex-Barcelona), Joan Manuel Grasas, Josep Lamas, Marc Coy e Sergi Miras (ex-Sporting)

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