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Pedro Nunes e a Intercontinental: «O Hóquei pode crescer»

Dec 20, 2017

O Benfica venceu no passado sábado a 17ª edição de uma Taça Intercontinental que teima em ser reinventada, incompreensivelmente menosprezada apesar de ser a única prova de clubes sob alçada directa da FIRS / World Skate que tutela o desporto a nível mundial.

Esta foi uma edição de transição, desejando-se que a Intercontinental abrace os quatro cantos do Mundo, reunindo os campeões das provas máximas de clubes das confederações de África, Ásia & Oceania, Europa e Pan-América (que compreende América do Norte, América Central, América do Sul e Caraíbas).

No apuramento para a final, o Reus vencera o Concepción por 7-5, apenas após prolongamento; o Benfica venceu o Andes Talleres por 4-7 e, na decisão, o Reus por 5-3

No final do evento que teve lugar em Reus, Pedro Nunes deixou elogios a uma ideia que confessou defender, permitindo que equipas de regiões em que o Hóquei em Patins não é tão competitivo possam aprender e evoluir, deixando rasgados elogios a Andes Talleres e Concepción, que marcaram presença nesta edição, mas defendendo que essas equipas, estando em palcos privilegiados da modalidade, não podem realizar apenas um jogo.

O técnico do Benfica deixou ainda outro alerta. "Não faz sentido que uma Intercontinental seja disputada por duas equipas europeias", defendeu. Para evitar tal nesta edição, pelo menos na partida decisiva, poder-se-iam ter realizado uma "meia" europeia e outra sul-americana, e para a história ficaria uma decisão verdadeiramente intercontinental.

A Taça Intercontinental teve a sua primeira edição em 1983, disputada entre oito equipas que jogaram "todos-contra-todos" a uma volta. Inicialmente anunciada como "Campeonato do Mundo de Clubes", a prova ficou como Taça Intercontinental, jogada apenas entre os campeões europeu e sul-americano, disputando-se nas cinco edições seguintes (1986, 1987, 1989, 1992 e 1993) a duas mãos.

Depois de um hiato de cinco anos, a Intercontinental regressaria na forma de um jogo único em 1998, voltando a ser disputada a duas mãos na edição que se seguiria, volvidos mais seis anos, em 2004.

A irregularidade com que a prova se realizou até 2004 - oito vezes em 22 anos - levou a que se pensassem em alternativas. Em 2006 e 2008 jogou-se o "Mundial de Clubes", respectivamente com 12 e 16 equipas, mas seria mais uma ideia que não vingaria. Até porque, entretanto, apesar de permanecer secundária, a realização da Intercontinental foi mais regular.

Um jogo único decidiu o vencedor as edições de 2005, 2007, 2008, 2010, 2012, 2013, 2014 e 2015, esta última já jogada em Dezembro de 2016, sob o protesto do Comité Europeu e quando se anunciavam alterações na FIRS. O impasse para essas alterações levaram a que a edição de 2016, que Benfica e Andes Talleres queriam jogar em Março deste ano, não se realizasse.

A entrada para a estrutura da FIRS (então ainda era FIRS, agora World Skate) de Carmelo Paniagua, presidente da federação espanhola de patinagem e com mais sensibilidade para o Hóquei em Patins que o antecessor Harro Strucksberg, trouxe novas ideias, um regulamento e um novo modelo para a Intercontinental.

Ao longo da sua sinuosa história, a Intercontinental já foi conquistada por Barcelona e Liceo (em cinco ocasiões), Benfica (duas) e Óquei de Barcelos, Reus, Follonica, Vic e UVT. Os argentinos da Unión Vecinal de Trinidad, em 1986, foram a única equipa não-europeia a triunfar.

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