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«A EHCA veio para ficar, não há volta atrás»

Apr 13, 2021

Assumindo finalmente uma posição, a Associação Europeia de Clubes (EHCA) organizou a fase preliminar e avança para a nova temporada com ideias próprias. Com ou sem o apoio da World Skate, como explica Toni Miró. #Video #Institucional #LigaEuropeia #Superliga

Oficializada em Setembro de 2019, a Associação Europeia de Clubes (EHCA) demorou a passar das palavras aos actos. Este ano, os clubes estavam na iminência de voltar a ficar sem competições europeias. "Foi a única ou das únicas modalidades que não teve competições europeias da temporada passada concluídas. Não podíamos arriscar a que voltasse a acontecer", conta-nos Toni Miró, dirigente do Barcelona e activo na EHCA.

Segundo Miró, a EHCA surgiu porque o mundo do desporto está a mudar, com os clubes a unirem-se para terem mais protagonismo nas decisões. Mas tal tardava em acontecer no Hóquei em Patins. "Tudo o que seja para melhorar o Hóquei em Patins, é o que pretendemos", afirma.

A intenção organizativa da EHCA esbarra na World Skate (WS), World Skate Europe (WSE) e, em última análise, no comité técnico europeu do Hóquei em Patins (WSE-RH). "Em nenhum momento procurámos o confronto. Deixámos, desde cedo, claro que queríamos estar lado a lado com a World Skate Europe. Mas é preciso haver vontade dos dois lados", aponta Toni Miró.

A organização desta fase preliminar marca o que pode ser um momento de viragem na modalidade. "Aceitaram as condições pela situação de pandemia que vivemos. Não havia alternativa e, para nós, o mais importante era organizar. A organização foi EHCA. Por respeito, a competição é WSE. Pediram-nos coisas tão simples como poder ver o cartaz e aprová-lo", refere, consciente de falhas organizativas que tentarão "atacar" já na Final Four que está apontada a 15 e 16 de Maio, também no Luso.

A "bolha" promovida "rebentou" cedo, com a não validação dos testes pedidos a quem - alheio às equipas, como jornalistas ou convidados - marcaria presença no pavilhão que recebeu a prova, ou com a não realização de testes complementares em todos os dias da prova, que a organização assumia. A exigência desses testes afastou mesmo alguns órgãos de comunicação social, notando-se de sobremaneira a ausência de cobertura "in loco" dos meios catalães ou galegos.

A transmissão da Hockey Global foi um sucesso nas plataformas digitais, mas a retransmissão televisiva pecou. Em Portugal, nenhum canal generalista "pegou" na prova. Para Miró, um efeito colateral de uma organização apenas acordada a 15 dias da data de realização. "A prioridade era organizar o evento. Não houve tempo", lamenta.

Desportivamente, o braço-de-ferro disse respeito ao apuramento da quarta equipa. "A única coisa importante em que não houve entendimento". A EHCA pedia, por justiça desportiva, uma fase posterior, entre os segundos classificados, mas seria apurado o melhor segundo. Passou o campeão em título Sporting, ficando afastados Óquei de Barcelos e Barcelona, num modelo em que saltam à vista desigualdades competitivas óbvias.

No horizonte está já a próxima temporada, com uma nova prova, com ou sem ruptura com os organismos oficiais. "Pedimos uma reunião com a World Skate [Mundial, não Europeia] para chegar a acordo. Se a porta estiver fechada, a vontade de todos é fazer uma outra 'Liga Europeia' no próximo ano. Uma liga de todos contra todos, com uma Final Four é uma opção, mas é preciso saber quantas equipas participarão e as ligas nacionais não podem ser prejudicadas", afirma Toni Miró.

A EHCA foi fundada por Barcelona, Benfica, Liceo, Noia, Oliveirense, Óquei de Barcelos, Porto e Sporting. Este ano juntaram-se Óquei de Barcelos (perfazendo todas as equipas presentes na fase preliminar da Liga Europeia) e ainda os italianos do Forte e os franceses do Saint-Omer, num sinal de abertura a outros campeonatos.

Toni Miró refere que a Associação não está fechada. "Os clubes têm de ter a visão que não é o mesmo jogar a Liga Suíça ou ter de 15 em 15 dias os clubes grandes da Europa. Vamos facilitar, vamos ajudar, para tornar este projecto realidade", refere, ainda que a realidade dos diferentes países é necessariamente diferente.

Viagens a meio da semana para equipas amadoras ou semi-profissionais serão certamente um problema numa visão ambiciosa de crescimento. "Há que procurar as formas de crescermos todos, a outras regiões dos países já fortes e nos países em desenvolvimento. Temos de crescer geograficamente", vinca.

"Uma eventual ruptura depende da World Skate. Não se trata de ganhar EHCA ou World Skate, é uma questão de ganhar o Hóquei", frisa Toni Miró.

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