Entrevista

«Têm tudo para conquistar o próximo europeu»

Apr 23, 2016

Fotos: Pedro Alves - Facebook

Pedro Alves destacou-se no campeonato nacional, numa altura em que Porto, Barcelos e Benfica ombreavam pelos títulos nacionais e em que o Hóquei em Patins tinha uma extraordinária repercussão junto do público e dos órgãos de comunicação social.

Agora, o Nacional da I Divisão parece voltar a reclamar o seu espaço. “O campeonato português está ao rubro. Está de facto excelente, com muita qualidade. E os grandes jogadores da Europa estão presentes ou a chegar a Portugal”, regozija-se. “Da Europa e não só, com jogadores argentinos de excelente qualidade”, enfatiza.

Campeão no Porto

Campeão nacional pelo Porto em três ocasiões (e duas pelo Barcelos e uma pelo Sporting), Pedro Alves aponta os dragões e o Benfica como favoritos já a pensar na próxima temporada. “De facto, esses são os mais fortes”, aponta, ressalvando no entanto que a concorrência poderá estar à altura. “Os reforços para Sporting e Oliveirense deixam um bocadinho no ar quem poderá causar a surpresa na próxima época”, afirma.

Os grandes reforços do campeonato vêm de além-fronteiras, em particular de Espanha. Para o capitão da Selecção Nacional que conquistou o Mundial em 2003, tal não é um problema.

“Depende das opções que toma cada direcção e cada treinador dos clubes. Eu prefiro eventualmente ter determinados jogadores – não interessa a nacionalidade - de excelente qualidade e, a acompanhá-los, alguns jovens. Creio que esses jovens terão mais facilidade em aprender as melhores qualidades técnicas desses grandes jogadores, desses craques, do que um jogador que já está habituado normalmente ao seu estilo, que já tem determinados vícios e é difícil de mudar”, expõe, remetendo para a sua ideia para uma equipa.

Conquista da Taça Latina, 1987

“Uma equipa será bem estruturada quando inclui alguns jovens. Se não os tiver, é um erro”, reforça. “Se não se incluírem jovens numa equipa, será uma equipa em que não existirá uma renovação natural”, detalha. “Eu fui sempre contra renovações súbitas, e a favor de renovações naturais, com os jovens a adaptarem-se pouco-a-pouco e a aprender com os mais experientes, para poderem um dia fazer igual ou melhor que eles”, reflecte.

A Selecção Nacional

Também a Selecção Nacional está marcada nas últimas convocatórias pela juventude. Três vezes campeão do Mundo e quatro vezes campeão da Europa, Pedro Alves auspicia um soberbo futuro para a equipa das Quinas. “Esta geração é uma geração que tem muito bons elementos”, elogia.

O último Europeu conquistado por Portugal (Paços de Ferreira, 1998)

"É importante que com estes jogadores que estão a adaptar-se à selecção sénior, a selecção seja uma verdadeira equipa”, nota. “Penso que isso está a ser feito nos últimos anos, apesar de ainda não termos conquistado títulos europeus ou mundiais ao nível sénior. Tem-se feito um bom trabalho porque os jovens estão cada vez mais a impor-se para jogarem, se afirmarem e, eventualmente, jogarem a titulares”, analisa, contrapondo com a geração anterior que evoluiu entre o título mundial de 2003 e o emergir dos novos talentos.

Em 2003, Pedro Alves capitaneou a Selecção Nacional ao título. No decisivo jogo, frente à Itália, Pedro Alves marcou o único golo da partida. Na sua carreira, somou 251 internacionalizações e apontou 334 golos.

“Com a geração anterior não houve a mesma sorte, e talvez tenham lançado esses jogadores um pouco depressa demais, sem ter tido por trás mais jogadores experientes que pudessem dar uma certa maturidade à equipa”, lamenta. “Houve uma renovação brusca, e penso que esse foi o grande defeito, o grande erro que se cometeu e prejudicou um pouco essa geração. Essa geração tinha muita qualidade, mas não foi devidamente acompanhada”, defende.

Sobre a actual geração, Pedro Alves destaca a vontade, gracejando com uma expressão que até é espanhola. “Estes jovens têm ‘ganas’ de vencer e têm conquistado títulos ao nível júnior e sub-23 e, com a ajuda de jogadores mais experientes também, têm tudo para conquistar o próximo europeu”, augura.

A festa em Oliveira de Azeméis (2003)

Entre os jogadores desta nova geração, Pedro Alves não consegue apontar uma preferência. “Há o Hélder Nunes, o Gonçalo Alves - dois elementos muito bons -, o Telmo [Pinto] também é um excelente jogador...”, divaga. “Posso estar a esquecer-me de um ou outro”, salvaguarda pedindo desculpa. “Tem de se dar tempo ao tempo, mas há alguns jogadores que já estão prontos para jogar uma final do campeonato do Mundo ou da Europa”, garante.

Na conversa, o HóqueiPT confrontou Pedro Alves com uma recordação, uma foto de grupo dos campeões de 2003 com o então Primeiro Ministro, Durão Barroso. “Lembro, sim senhor... Também tenho fotografias com Mário Soares, António Guterres, ... tenho uma com Cavaco Silva, mas está ao longe. Foi no campeonato da Europa de Juvenis, também em Oliveira de Azeméis, quando foi entregar-nos a taça”, recorda com saudade sobre outros tempos. “Hoje há outras coisas que se podiam fazer para valorizar os jogadores... Há trabalho de divulgação na internet mas devia haver mais eventos, uma gala de Hóquei. Havia os Serpa… é apenas uma noite, mas é preciso trabalhar na preparação… e isso dá trabalho”, refere com ironia.

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