Notícia

Cerceda não vai a jogo na OK Liga

Aug 11, 2016

Foto Saint-Brieuc: Ouest France

O Cerceda abdicou da sua vaga na OK Liga, que será ocupada pelo Lloret.

A "bomba" rebentou na Galiza. O Cerceda, no principal campeonato espanhol desde 2013, abdicou do direito a voltar a participar na OK Liga, fundamentando a sua decisão em factores económicos num comunicado publicado no seu site oficial a 15 de Julho.

O Lloret fica com a vaga deixada em aberto pelo Cerceda.

Ao que o HóqueiPT apurou, quando terminou a OK Liga, houve uma reunião com a autarquia, que garantiu para a nova temporada a comparticipação do mesmo valor, ficando a faltar uma parte que teria de ser angariada junto de patrocinadores. Uma situação normal, mas que "obrigava" a Direcção a mexer-se... "Para além de Juan Copa e dos jogadores, não havia mais ninguém interessado em continuar o projecto, dado que o clube não estava devidamente estruturado", lamenta um jogador contactado pelo HóqueiPT.

A curta história do Cerceda

O Club Patin Cerceda surgiu em 2009 com a subida do Liceo "B" à OK Liga. Em Espanha, as equipas "B" que conquistem o direito a vaga no principal escalão têm a opção de formar um clube independente do clube mãe para poderem participar. E assim aparece o Cerceda a reforçar o contingente galego da OK Liga, muitos anos com o Liceo como único representante.

A primeira passagem pela OK Liga foi frustrante. A equipa, que contava com os jovens Xavi Malián, Pablo Cancela, Edu Lamas e Toni Pérez, terminou em 13º e não escapou, entre 16 emblemas, a uma zona de descida de quatro equipas.

O plantel que, em 2014, no preâmbulo da melhor temporada do clube, conquistou o I Eurocidade de Valença

Foram necessárias três temporadas no escalão secundário para o Cerceda voltar a garantir a subida à OK Liga, sempre com o treinador Juan Copa ao leme e já com o consagrado Martín Payero no ataque. E os galegos afirmaram-se na OK Liga.

Em três temporadas, o Cerceda logrou consecutivamente o 9º, 6º e 11º lugar, alcançando o reiterado objectivo da manutenção com maior (nesta última temporada) ou menor dificuldade. Pelo caminho ficam as participações na Taça do Rei em 2014 (Lleida) e 2015 (Blanes), prova das boas campanhas realizadas, uma vez que a prova é reservada aos oito primeiros no final da primeira volta. E as boas prestações de 2013/14 e 2014/15 valeram ainda o apuramento para as competições europeias. Na Taça CERS, o Cerceda caíria frente à Oliveirense, na sua temporada de estreia, e - por trágica coincidência - frente ao Matera na temporada que findou.

O abandono do Cerceda deixa, numa fase em que a maioria das equipas já têm os seus plantéis definidos, algumas figuras sem clube. Como é o caso de Willy Dominguez, Joan Manuel Grasas ou Martin Payero. O guarda-redes Willy Dominguez representou em 2009/10 a Juventude de Viana e aos 37 anos pondera seriamente o abandono, e Joan Manuel Grasas tem treinado com o Liceo e deve confirmar o regresso à equipa ao serviço de quem já venceu uma Taça CERS e uma Liga Europeia.

Martin Payero

O avançado Martin Payero regressou ao trabalho com o Liceo mas, ao contrário de Grasas, não é para ficar. Com 38 anos, o internacional por Argentina e Angola, melhor marcador do Cerceda com 26 golos (mesmo disputando apenas 21 partidas) já foi associado a alguns clubes do norte de Portugal, onde entre 2002 e Dezembro de 2005 representou o Óquei de Barcelos, deixando a sua marca em Portugal com a conquista de duas Taças. Mas, sem ainda se ter comprometido, está para já concentrado em surgir na melhor forma no Torneio Zé Dú, ao serviço da Académica de Luanda. Depois, o objectivo é realizar uma boa temporada para representar Angola no Mundial 2017, que se realiza na China

Matera abdica em Itália e Saint-Brieuc em França

Infelizmente, o caso do Cerceda não é um caso isolado por essa Europa fora. Antes fora o Matera a chocar a Europa do Hóquei em Patins. Semifinalista na LegaHockey, na Taça de Itália e na Taça CERS, a equipa italiana - orientada por Nuno Resende em 2015/16 - já garantira o argentino Diego Mir como novo treinador, mas decidiu não se inscrever na próxima edição do principal campeonato transalpino. O projecto, sediado longe das demais equipas e demasiado dependente de uma pessoa só, acabou por falhar quando parecia ter tudo para se afirmar.

Matera chegou à Final Four da CERS

Em França, foi o Saint-Brieuc que abdicou. O sétimo classificado na última edição do principal campeonato gaulês - o N1 Élite - não confirmou a sua vaga para 2016/17 e vai competir no escalão secundário, levando a que as figuras maiores deixem o clube. Ambos presentes no Mundial 2015 (em La Vendée), o capitão Wilfried Roux - que já se comprometeu com o Ploufragan - e o guarda-redes Xavier Tanguy estão de saída.

Para o internacional moçambicano Marinho, que representou o Saint Brieuc na temporada de 2014/15, a situação era inesperada. Sinceramente, apanhou-me de surpresa", confessa o actual jogador do Follonica. "Quando lá estive parecia uma sociedade organizada e com tudo em dia", recorda, apontando possíveis entraves para além dos financeiros. "Penso que a desistência da primeira divisão não se deve a dinheiro, mas sim a falta de pessoas e praticantes no projecto", reflecte, detalhando. "Creio que vão para a 'segunda' porque não têm pessoas para abraçar um projecto de primeira divisão em França. Lá precisas de muitas pessoas a ajudar porque tens viagens muito longas e há muito trabalho para fazer... Talvez uma pessoa nova, com ideias, à frente do projecto possa inovar e levar o clube para cima porque acredito que dinheiro eles arranjam facilmente", perspectiva o goleador.

Mário Rodrigues ao serviço do Saint-Brieuc

Escapa Portugal?

Portugal deverá passar ao lado destes casos que surgiram nos maiores campeonatos da Europa. Nos últimos dois defesos chegou a temer-se que acontecesse também uma baixa de última hora, com a dúvida a pairar sobre os picarotos do Candelária, mas tal não se confirmaria. Não havendo memória recente de uma não inscrição para uma nova temporada no principal campeonato português, há casos de desistências a meio do campeonato, como foi o caso - mais recente - do Porto Santo em 2011/12.

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