Notícia

Um gostinho a sonho olímpico

Sep 28, 2016

Foto e video : SporTV, "Na Cola da Tocha"

Foto de capa: Evandreia Buosi | Rio 2016

Os Jogos Olímpicos 2016, realizados no Rio de Janeiro, terminaram há pouco mais de um mês e o Hóquei em Patins passou mais uma vez ao lado de um sonho que obstinadamente alguns perseguem.

E também já se sabe que não fará parte do programa olímpico em Tóquio, em 2020, pese a introdução de um desporto tutelado pela Federação Internacional de Desportos de Patinagem: o skate.

Enquanto o sonho tarda em tornar-se realidade, todas as pequenas aproximações, todos os pequenos pormenores, ganham uma dimensão extra.

Quando a tocha olímpica, no seu percurso para o Rio, passou na metrópole de São Paulo e nas mais pequenas cidades limítrofes, esteve nas mãos de Patrícia Albuquerque.

A 23 de Julho, a cidade de Guarulhos concedeu à melhor jogadora de Hóquei em Patins de todos os tempos do Brasil (e quiçá do Mundo) a honra de transportar a tocha e, de alguma forma, participar nos Jogos.

Patrícia Albuquerque, que rumou a Portugal com 23 anos para conquistar oito campeonatos e oito Taças por Nortecoope e Fundação Nortecoope, aponta factores extra-desportivos para a ausência do Hóquei em Patins no programa Olímpico.

"Parece obedecer muito mais a critérios económicos", refere. "O facto do Hóquei ser um desporto de difícil acompanhamento pela TV para quem não está familiarizado com ele, talvez pelo tamanho da bola e rapidez muito próprias, afasta os patrocinadores", garante, certa que sem esses patrocinios será impossível estar na maior festa Mundial do desporto. "Acredito que o principal fator de inclusão de novos desportos nos Jogos Olímpicos seja a força desses gigantes económicos, que trazem com eles o interesse dos americanos e todo o potencial do seu mercado consumidor e gerador de divisas", analisa. "Enquanto o Hóquei não se mostrar interessante do ponto de vista económico, acredito que a entrada nos Jogos seja inviável", afirma realisticamente.

Competição mista

Patrícia Albuquerque apontou, em 15 anos de carreira ao mais alto nível, cerca de 2300 golos. Nos Campeonatos do Mundo, foi eleita quatro vezes como a melhor jogadora e sagrou-se cinco vezes como a melhor marcadora. Um patamar a que não será alheio o facto de, no seu percurso formativo, ter treinado sempre com equipas masculinas.

Na temporada que agora se inicia, a Federação de Patinagem de Portugal vai promover equipas "mistas", com a possibilidade de atletas do sexo feminino poderem jogar, mesmo nos seniores, nas equipas masculinas (excluindo-se apenas as da I Divisão). Uma medida já adoptada noutros países europeus que Patrícia aplaude. "Acho essa medida fantástica, pois a modalidade certamente daria um salto qualitativo", assegura, certa de que haveria retorno desportivo. "Portugal certamente colheria ainda mais frutos com as suas selecções femininas", vinca.

A Selecção Nacional feminina está esta semana a disputar o Campeonato do Mundo, em Iquique, no Chile. A ex-glória da selecção brasileira vaticina um desfecho que é regra no masculino. "Acredito que a disputa será entre Portugal, Espanha e Argentina. São as selecções mais fortes e candidatíssimas ao título", justifica.

Os Jogos de 1992

Em 1992, Juan Antonio Samaranch, ex-jogador, ex-treinador, apaixonado por Hóquei em Patins e, convenientemente, presidente do Comité Olímpico Internacional, não deixou escapar a oportunidade de incluir a modalidade nos Jogos Olímpicos que recebeu em casa (Barcelona). No entanto, "apenas" como modalidade de exibição, que acabaria por não vingar para o programa oficial.

Portugal, que detinha o título Mundial (e o renovaria no ano seguinte), ficou aquém da sua História e quedou-se pelo quarto lugar. Para a posteridade, fica a equipa que representou a selecção das Quinas: António Chambel, António Neves, Franklin Pais, Luís Ferreira, Paulo Almeida, Paulo Alves, Pedro Alves, Rui Lopes, Vítor Fortunato e Vítor Hugo.

Na final, a reclamar o único ouro olímpico da modalidade, os argentinos bateram os anfitriões espanhóis. Sob o comando técnico de Miguel Miguez jogaram e conquistaram o outro pela albiceleste Alfredo Bridge, Alejandro Cairo, Diego Allende, Gabriel Cairo, Guillermo Herrmann, José Luis Páez, Pablo Cairo, Raúl Monserrat e Roberto Roldán.

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