Entrevista

Carlos Silva e Rui Ribeiro a caminho da Suíça

Jul 12, 2014

Carlos Silva e Rui Ribeiro, do Paço de Arcos, vão representar na próxima época os suíços do RHC Basel, juntando-se aos também portugueses Tiago Sousa e Carlos Guimarães. O HóqueiPT esteve à conversa com os jogadores que estão de saída do Paço de Arcos para abraçar a aventura helvética.

HóqueiPT: O que te leva a abraçar este projecto?

Carlos Silva: É o facto de ser um desafio novo na minha carreira. É um projecto diferente, vou jogar num campeonato estrangeiro e diferente do português. Nunca joguei num clube fora da Grande Lisboa e o que me leva também a aceitar este desafio, não escondo, é a questão financeira, que acabou por tornar esta proposta irrecusável. Mas também é um projecto ambicioso, com cabeça, tronco e membros, não é apenas uma pessoa com dinheiro que tem caprichos. Eu também não estou a ficar mais novo, vou fazer 32 anos, e penso que as perspectivas de vida para além do hóquei num país como a Suíça são neste momento superiores às que tenho aqui. Foi este conjunto de factores que me levou a pensar seriamente, não só na minha carreira, mas também no meu futuro pessoal.

HPT: O que sabes do teu novo clube?

Sei que foi fundado há 2 anos pelo antigo presidente do Friedlingen, que era uma equipa alemã que jogava no campeonato suíço e foi campeã suíça há três anos. Jogavam lá o David Paez e o Marimont e quando foi campeão suíço a CERS proibiu o clube de jogar a Liga Europeia por ser uma equipa alemã e nunca ter feito um jogo no campeonato alemão. Disseram-me que se tivessem jogado um jogo da Taça da Alemanha e no campeonato suíço podiam ter participado nas competições europeias. O presidente, para contrariar essa situação, fechou o Friedlingen, atravessou a fronteira, andou 5 km e abriu o clube em Basileia. O clube começou na segunda divisão, subiu logo á primeira e este ano ficou - creio - em sexto lugar. Depois acabou por ser eliminado na primeira ronda do play-off.

É um clube ainda pouco conhecido. Estive lá e vi que ainda tem poucos adeptos, poucas pessoas a ver hóquei. Mas tem intenção de crescer. Este ano vai disputar a Taça CERS. Na Suíça há muitos portugueses e vai ser bom termos lá alguns jogadores portugueses para chamar, não só os suíços, mas também adeptos portugueses.

O guarda-redes Carlos Silva tem 31 anos. Regressou ao Paço de Arcos em 2010 depois de ter saído em 2004 para o Benfica. Em 2002/03, esteve emprestado pelo clube da Linha ao Alenquer.

HPT: Qual vai ser o teu papel na equipa e no clube?

CS: O meu papel vai ser dar o meu melhor como guarda-redes, a jogar e a treinar. A experiência que nós, portugueses, levamos daqui pode ajudar os jogadores suíços e, neste caso, até mais alemães do que suíços, a evoluir e a crescer. O meu papel vai ser esse, ajudar e dar o meu melhor.

HPT: Quais são os objectivos?

CS: O objectivo é ser campeão. Foi o objectivo que o presidente nos propôs. Ser campeão suíço e fazer boa figura indo o mais longe possível na Taça CERS.

Em termos de campeonato, sem dúvida que o objectivo é acabar com a hegemonia do Genéve nos últimos dois anos.

Carlos Silva

HPT: Gostavas de encontrar alguma equipa portuguesa na Taça CERS?

CS: Não, porque gostava de ir o mais longe possível (risos). Gostava de encontrar uma equipa portuguesa mais para frente ou na Final Four. No início preferia uma equipa austríaca ou holandesa. Depende muito da sorte que tivermos no sorteio mas seria engraçado vir jogar a Portugal com uma equipa estrangeira.

HPT: Conheces os teus novos colegas?

CS: Conheço alguns. Conheci dois alemães que me acompanharam a conhecer Basileia quando estive lá. Conheço o Tiago Sousa, que está lá desde Dezembro, conheço o Rui, que vai comigo, e o Carlos Guimarães. Acho também que já joguei contra o Tobias, que representou a selecção alemã.

HPT: Ajuda ir com o Rui?

CS: Ajuda muito. Porque, para além de colega, é meu amigo há muitos anos e há 20 anos que joga comigo. E sem dúvida que ajuda porque sei que a adaptação não vai ser fácil, por causa da língua dominante, que é o alemão. E aprender alemão é um dos nossos desafios. Encaramos isso com uma perspectiva de futuro, até em termos de trabalho na Suíça.

HPT: Vais com vontade de regressar?

CS: Um dia gostava de regressar ao Paço de Arcos mas, sinceramente, não vou com esse pensamento. Vou com a ideia de ficar durante muitos anos. Se puder ficar dois ou três anos é porque as pessoas me querem lá e que está a correr bem.

HPT: Do que vais sentir mais falta?

CS: Vou ter muitas saudades do mar…

Rui Ribeiro

HóqueiPT: Como encaras este desafio?

Rui Ribeiro: É mais um desafio na minha vida. Não estava nos meus horizontes sair novamente de Lisboa ate porque estou a trabalhar e nessa área estava tudo a correr-me bem. Mas é um desafio diferente, não só pela questão monetária mas outras portas que se podem abrir e neste momento pondero mais outras questões que não o hóquei.

HPT: Quais são as tuas expectativas?

RR: As expectativas são de ser campeão e por isso é que eles estão a reforçar a equipa, vindo a Portugal buscar jogadores de primeira divisão para atacar o título suíço.

Ser o melhor marcador também está nos meus objectivos mas, sinceramente, não conheço o campeonato suíço. Por tudo o que me dizem, vou com as melhores expectativas do mundo e para vingar. Quero ficar os anos que forem possíveis. Não vou só por um ano, porque este primeiro ano é um ano de experiência e espero que no fim seja para continuar.

Rui Ribeiro conta também 31 anos. Ingressou no Benfica em 2004 com Carlos Silva e regressou ao Paço de Arcos em 2010. No entanto, o avançado só representou os encarnados entre 2004 e 2006 (sendo cedido à Oliveirense em 2006/07) e no início da temporada de 2007/08, rumando em Dezembro ao Pico, onde defendeu as cores do Candelária até 2010.

HPT: A ida do Carlos foi preponderante na tua decisão?

RR: Se o Carlos não fosse, eu seguramente não iria, mesmo que a proposta seja efetivamente tentadora. Sozinho nunca iria, ainda por cima para a Suíça e para uma região onde a língua é o alemão. E esse vai ser certamente o meu maior desafio. Mas costumo dizer que o português se adapta a tudo e, por isso, este desafio não vai ser diferente. Haverá coisas boas e menos boas mas é como tudo.

Já vi imagens do pavilhão e do piso. É um pavilhão acolhedor numa cidade grande, muito perto da França e da Alemanha. E isso é muito bom.

Uma época dificil

Carlos Silva e Rui Ribeiro em acção frente ao FC Porto.

O Paço de Arcos garantiu na época que findou a permanência sem ter de ir ao play-out, mas esse cenário esteve presente ao longo da época. Pese a vitória na ronda inaugural, a equipa de André Gil registou depois oito derrotas e dois empates, só voltando a vencer já em Janeiro deste ano. "No final é que se fazem os balanços e, por isso, o balanço acaba por ser positivo", analisa Carlos Silva. "Se bem que com a noção de que durante a época a nossa prestação devia ter sido muito melhor. Estivemos aquém das expectativas, principalmente na primeira volta", lamenta. "Na segunda volta, se calhar tendo em conta as expectativas que nós próprios criámos, e que eram muito baixas, acabámos por estar melhor", afirma. "Mas houve inúmeras dificuldades que passámos durante a época, e que só nós é que sabemos, mas conseguimos superá-las", confidencia. "O objectivo era a manutenção. Conseguimos mas com a noção de que podíamos ter feito melhor. Fosse na última jornada ou a três jornadas do fim, conseguimos. E temos o exemplo do Braga, que fez uma boa primeira volta e desceu. Por isso é que eu digo que isto é como acaba e não como começa", conclui.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade