AllStar César Fidalgo

Ganhou o Hóquei em Patins

Jul 25, 2017

Este domingo, o Pavilhão Municipal de Valongo foi palco de um jogo recheado de estrelas para homenagear outra estrela: César Fidalgo.

A organização do Torneio de Verão César Fidalgo desafiou-se na quarta edição do evento a integrar um jogo de estrelas, ainda que figuras maiores da modalidade já sejam assíduas nos três dias de "competição".

Anunciado o "elenco", a constituição das equipas foram decididas por votação dos seguidores da página do facebook do Torneio.

A meio da tarde chegou a hora do AllStar. Perante bancadas muito bem compostas, as estrelas - todas com o número 9, o eleito de César Fidalgo - foram apresentadas uma a uma, incluindo dois reforços de última hora: as internacionais portugueses Marlene Sousa e Renata Balonas.

Renata Balonas e Marlene Sousa, reforços no feminino

Dado o apito inicial para o jogo - arbitrado por Sílvia Coelho e Jerónimo Moura - não tardou a surgir o tento inaugural. Pedro Gil viajara da Catalunha de manhã e regressaria logo após o término do encontro, mas não viera em passeio... abriu as "hostilidades" (e nunca o termo mereceu tantas aspas...) aos dois minutos para a equipa Laranja, terminando um contra-ataque com uma picadinha sobre Edo Bosch num excelente pormenor técnico quando Paulo Freitas e Paulo Pereira ainda definiam o esquema defensivo a adoptar pela equipa azul. Ou então, não.

Pedro Gil levanta entre as pernas para o tento inaugural da partida.

Os AllStar são jogos onde os cuidados defensivo não são levados a sério, promovendo-se o espectáculo ofensivo. E apenas um minuto volvido sobre o tento inaugural, Marlene Sousa mostrava aos rapazes da equipa Azul como se bate um guarda-redes vencedor da Liga Europeia e desfeiteou Pedro Henriques para o 1-1.

Dois golos em três minutos prometiam uma chuva de golos. Mas perder não é apanágio de nenhum dos craques presentes e ainda menos dos guarda-redes, que faziam com que os colegas de equipa de ocasião tornassem os caminhos para as balizas mais "apertados".

Sorrisos foram constante ao longo de toda a partida

Claudicou defensivamente a equipa capitaneada por Reinaldo Ventura, a Azul, aos oito minutos, permitindo golos a Souto e a Rafa, que colocavam os Laranja a vencer por 3-1. Edo Bosch saiu então, sob um forte aplauso... mas ainda voltaria.

As balizas ficavam a cargo de Pedro Henriques - estóico, a aguentar os 50 minutos sem suplente - e Leonardo Pais, os dois guarda-redes da Selecção Nacional que disputou a Taça Latina, em 2012, em Vilanova i la Geltrù. Nessa selecção, orientada por Rui Neto, estavam também os agora AllStar Hélder Nunes, Rafa, Henrique Magalhães, João Souto e Gonçalo Alves. Souto e Alves foram campeões da Europa de Sub-17 em 2008, ao lado de César Fidalgo.

O golo mais imaginativo do AllStar

Os dois guardiões como que lançaram um feitiço sobre as suas balizas para os ainda largos 17 minutos que faltavam jogar na primeira parte, obrigando a um número de magia para o quebrar. E Alvarinho, que tantos números de ilusionismo inventou durante a temporada, era o mágico para tal. Aos 13 minutos, Gonçalo Alves descobriu-o solto na área e o resto é inenarrável. Tentaremos... Alvarinho recebeu de costas para a baliza à guarda de Pedro Henriques, levantou a bola e marcou com a ponta oposta do stick que a bola costuma beijar. Foi o grande momento da tarde. Logo de seguida, o atacante que irá regressar ao Porto dispôs de nova oportunidade isolado, mas desta feita foi o guarda-redes que vai regressar ao Benfica a surpreender, levantando-se para anular a picadinha.

Leonardo Pais "fechou a porta" na sua baliza na primeira parte

O 3-2 persistiria até ao intervalo, sobrevivendo até a um livre directo (a punir, por regulamento próprio do jogo, a terceira falta de equipa dos azuis) de João Souto. O atacante da Oliveirense não conseguiu bater Leonardo Pais, nem com a benção de Jordi Bargalló, que estava atrás da rede mesmo de frente para o lance do seu colega ao longo da época. A estrela maior da Oliveirense tinha dito que não poderia estar presente, mas, de férias na Corunha (e a recuperar de uma lesão num dedo), não resistiu à constelação que deu brilho à sua modalidade em Valongo. A viver o jogo por fora, mas também do Cinco Ideal da temporada para treinadores e capitães, Nelson Filipe também marcou presença.

Marcador não aguentou e falhou... mas a boa disposição esteve sempre presente

Após o intervalo, regressou o jogo e regressaram os golos. Logo no primeiro lance, Henrique Magalhães fez o 4-2 para a equipa Laranja, mas a resposta não tardaria. Alvarinho, cada vez mais com a pressão de mostrar algo estratosférico ao público, não conseguiu bater o também especialista Pedro Henriques, mas Poka e Tó Silva repuseram a igualdade num ápice e, a 21 minutos do fim e com 4-4 no marcador, tudo estava relançado.

A tensão aumentava e as disputas de bola eram cada vez mais acesas. Os choques faziam faísca e, com tal pico de corrente, até o marcador falhou... Bem, de facto, não. Tirando a parte do marcador falhar - o que tirou algum ritmo ao jogo - a partida prosseguia dominada pelo espírito de companheirismo, com excelentes pormenores técnicos e muitos sorrisos. Pedro Henriques e Leonardo Pais é que teimavam em dar o seu próprio espectáculo e iam negando golos bonitos aos inventivos atacantes.

João Almeida e Pedro Moreira

A equipa Laranja - que nunca esteve a perder - conseguiria adiantar-se no marcador. Vítor Hugo fez o 5-4 aos 13 minutos e, aos 17, Ricardo Barreiros ampliou para 6-4, a passe de Renata Balonas. Reentrou então Edo Bosch na equipa Azul para os seus últimos minutos entre as estrelas. Edo sofreu um golo - por Miguel Rocha - e viu Hélder Nunes reduzir para 7-5 com Pedro Henriques (que chegara com Miguel Rocha de carro de Lisboa directo para o jogo) ausente para lá das tabelas em busca de oxigénio numa tarde muito quente. E a dois minutos do fim, o guardião catalão que deixa sucessor à altura - o filho, internacional português de Sub-17, Alejandro, assistia na bancada - saiu definitivamente, ao som de um ruidoso aplauso colectivo de adeptos e companheiros, com estes a formarem um emotivo "pasillo", uma guarda de honra à altura do que o guarda-redes trouxe ao Hóquei em Patins português.

Edo Bosch abandona o palco

A saída de Edo Bosch marcou o fim do jogo em si. Nos dois minutos que sobravam no marcador, todas as estrelas invadiram a pista, e já havia mais do que uma bola em rinque quando Pedro Gil selou as contas no 8-5 final.

Para a história fica um grande momento de promoção da modalidade, para sempre associado à memória de César Fidalgo. Um jogo em que ganhou o Hóquei em Patins, com a equipa Laranja apenas a marcar mais golos.

A equipa Laranja festejou mais, mas todos saíram vencedores

Equipa Laranja

Pedro Henriques (gr), Pedro Gil (2), Renata Balonas, Ricardo Barreiros (1) e João Souto (1) - cinco inicial - e Rafa (1), Henrique Magalhães (1), Vítor Hugo (1), Miguel Rocha (1), Nuno Araújo e João Almeida. Treinadores: Miguel Viterbo e Tó Neves.

Equipa Azul

Edo Bosch (gr), Reinaldo Ventura, Marlene Sousa (1), Caio e Telmo Pinto - cinco inicial - e Hélder Nunes (1), Tó Silva (1), Gonçalo Alves, Poka (1), Leonardo Pais (gr), Pedro Moreira e Alvarinho (1). Treinadores: Paulo Freitas e Paulo Pereira.

Equipa de Arbitragem

Sílvia Coelho, Jerónimo Moura e Pedro Silva

Marcha do marcador

Pedro Gil (1-0), Marlene Sousa (1-1), João Souto (2-1), Rafa (3-1) e Alvarinho (3-2) - intervalo - Henrique Magalhães (4-2), Poka (4-3), Tó Silva (4-4), Vítor Hugo (5-4), Ricardo Barreiros (6-4), Miguel Rocha (7-4), Hélder Nunes (7-5) e Pedro Gil (8-5)

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