Notícia

CERS-RH impõe marcador de 45 segundos

Aug 25, 2017

Depois da FPP anunciar esta semana a obrigatoriedade de utilização de marcadores electrónicos de tempo de ataque (vulgo, "45 segundos") na edição do Campeonato Nacional da I Divisão, é a vez do Comité Europeu (CERS-RH) definir a mesma imposição para todos os jogos de competições europeias, de clubes ou selecções.

Uma solução... e nenhuma outra

A obrigatoriedade do "controlo electrónico do tempo de posse de bola de cada equipa" pelo CERS-RH vai no entanto mais longe.

O anúncio da medida pela FPP - aplaudida na sua essência - foi de alguma forma criticada por se estar a "apenas" dois meses do início do Nacional da I Divisão, limitando o tempo para escolhas de equipamento. A autoridade europeia resolve essa questão, mas sem flexibilidade.

Saudando-se a apresentação de uma solução, a imposição desta é questionável, desde logo para clubes que já dispõe de soluções semelhantes.

O CERS-RH apresenta uma solução própria, com o custo final de 900 € (seria inicialmente de 1300 €, comparticipando o CERS-RH a diferença), para a aquisição dos dois marcadores de tempo, respectivo controle e ainda dois sinalizadores luminosos para a mesa (descontos de tempo e "nonas" faltas), que serão também de utilização obrigatória nas competições europeias. E esta é a única solução que o CERS-RH admite, excluindo a hipótese de qualquer outra solução que pudesse ser encontrada pelos clubes.

Pela participação nas competições europeias, 9 dos 14 clubes da I Divisão ficarão já com marcadores... ou mesmo dois conjuntos, se entretanto já tiverem avançado para uma solução diferente da imposta pelo CERS-RH.

Por exemplo, Porto, Benfica, Oliveirense e Sporting, os representantes portugueses na Liga Europeia, têm marcadores similares para o basquetebol, sendo que os 24 segundos de posse de bola nessa modalidade até são os que aparecem no controle de exemplo do comunicado do CERS-RH sobre os equipamentos.

A obrigatoriedade é imediata e todos os clubes que vão participar nas competições europeias na temporada que se avizinha (ainda que por lapso seja referido " 2016/2017") terão de formalizar o pedido dos equipamentos até dia 15 de Setembro e efectivar o pagamento até dia 30 do mesmo mês.

Ainda que os marcadores adquiridos possam vir a ser utilizados novamente no futuro, a participação ficará cara aos clubes que forem afastados na primeira eliminatória da Taça CERS.

Mais-valia

A utilização do marcador de tempo de posse de bola (ou de tempo de ataque, ou de 45 segundos) é uma inegável mais-valia para o espectáculo. Liberta o árbitro para outras responsabilidades, informa jogadores e público.

Na Eurockey Cup, o mais renomeado torneio europeu de clubes de Sub-15 e de Sub-17, que se realiza anualmente na Catalunha, o marcador electrónico é usado desde 2012. E quando, em Portugal, a Elite Cup foi idealizada, fez questão de replicar a utilização destes marcadores, o que redundou num unânime elogio de público, jogadores, treinadores e árbitros aquando da realização da prova em Setembro de 2016.

Utilização dos marcadores tornou-se habitual na Eurockey Cup e foi do agrado de todos na Elite Cup.

A solução foi finalmente testada - e, naturalmente, aprovada pelas instâncias oficiais - no Campeonato da Europa de Sub-17 disputado em Fanano, entre 30 de Julho e 5 de Agosto. A possibilidade de se utilizar os marcadores electrónicos para esta contagem particular do tempo de posse de bola seria regulamentada pela FIRS, numa alteração com efeito a partir de 1 de Agosto.

Quarto árbitro

Aos árbitros "toca" fazer a medida funcionar. Literalmente.

Sendo desconhecidas as medidas que serão decididas para as competições europeias, em Portugal os árbitros já trabalham na aplicação desta inovação.

Para Agostinho Peixoto da Silva, presidente do Conselho Nacional de Árbitros, a proposta "é viável e vai avançar", obrigando no entanto à nomeação de um "quarto árbitro", dedicado ao reset da contagem dos 45 segundos no marcador. "Quem vai decidir quando a contagem se reinicia é sempre o árbitro de pista, nunca pode ser o árbitro de mesa", esclarece.

"O quarto árbitro não pode decidir, senão poderíamos ter aqui um conflito, uma má apreciação, por isso temos de arranjar um sinal qualquer", refere. Para tal, haverá reunião esta semana. "Vamos determinar nestes dois dias [quinta e sexta] como se vai fazer a sincronização", revela, não escondendo que o ideal seria mesmo que o comando estivesse na mão dos árbitros de pista...

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