Notícia

Em busca da 14ª Latina (2001 não conta...)

Mar 30, 2018

Arranca esta sexta-feira mais uma edição da Taça Latina, prova que reúne as selecções Sub-23 de Portugal, Espanha, Itália e França num quadrangular jogado em sistema de "todos-contra-todos".

Se, ultrapassados todos de os sobressaltos de uma viagem "acidentada", Portugal chegar, como se espera e deseja, a Saint-Omer, iniciará frente à anfitriã França a defesa dos títulos conquistados nas duas últimas edições, em 2016 (Follonica) e 2014 (Itália).

Para uma prova que se antevê complicada, dada a valia dos adversários, Luís Senica chamou os guarda-redes Pedro Freitas (#1, Espinho) e Alejandro Edo (#10, Barcelona) e os jogadores de pista Gonçalo Meira (#2, Braga), Gonçalo Nunes (#3, Paço de Arcos), Miguel Vieira (#4, Benfica), Gonçalo Pinto (#5, Lodi), Carlos Loureiro (#6, Braga), Alvarinho (#7, Porto), Pedro Batista (#8, Monza) e Luís Melo (#9, Valongo).

Alvarinho é o capitão, Miguel Vieira o subcapitão

É uma selecção fortemente baseada naquela que em 2015 venceu o Mundial de Sub-20 em Vilanova, registando-se apenas as "novidades" Gonçalo Meira e Carlos Loureiro (Braga) e, principalmente, Alejandro Edo, guarda-redes que estará em Saint-Omer com apenas 16 anos.

Portugal começa por defrontar a anfitriã França (esta sexta, 21h locais), seguindo-se a Espanha (sábado, 18h30) e, no derradeiro dia, os portugueses defrontam a Itália, também a partir das 18h30.

Novidade maior na convocatória, "Xano" estreia-se nos seniores aos 16 anos

Em busca da 14ª! Ou da 15ª...?

Sendo certos os três títulos conquistados por Itália e os 11 conquistados por Espanha, Portugal soma 13 títulos na Taça Latina. Ou 14, dependendo da fonte, ou de quando a "fonte" escreveu...

Recuando na História, a confusão começa há poucos dias, em nota informativa do CERS-RH, e termina em 2001, na Lourinhã.

Na sua nota informativa, o CERS-RH afirma que esta é a 29ª edição e que já se realizaram 28, mas, nas contas dos títulos, indica que Portugal soma 13 vitórias, contra as tais 11 da Espanha e três de Itália. Ora, as 13 conquistas de Portugal com as 14 de Espanha e Itália perfaz "apenas" 27...

CERS-RH excluiu 2001 dos registos oficiais, mas a edição ainda entra em algumas contas.

O "buraco" é detectado no histórico oficial da prova, disponibilizado pelo CERS-RH, onde se verifica que está agora em falta a edição de 2001, que seria a 19ª edição e esteve envolta em muita controvérsia. Mas que até há bem pouco tempo era considerada como uma edição da Latina em qualquer lista de vencedores.

Depois de duas primeiras séries (entre 1956 e 1959 e entre 1960 e 1963) cumpridas a preceito - com a prova a passar, em cada uma das séries, pelos quatro países participantes -, houve um hiato até 1987, ano em que a prova regressou com selo português, realizando-se quatro edições consecutivas na Anadia, com dois títulos portugueses e dois italianos.

Seguiu-se novo hiato, até 1995, ano em que a prova regressou para mais 10 edições consecutivas em Portugal. Pelo meio, a polémica edição de 2001...

Valter Neves estreou-se entre os seniores de Portugal na edição de 2001, aos 17 anos

A Lourinhã recebeu a prova a 10 e 11 de Março, depois da Ilha Terceira ter abdicado da organização. Ferida pela ausência da Espanha, a prova não teria o mesmo elenco pela primeira vez nos seus 45 anos de História, sendo convidada a selecção alemã para o lugar da equipa espanhola. Na versão oficial, foi apontado o apertado calendário em Espanha - na semana seguinte disputava-se a Taça do Rei - mas a ausência terá sido motivada pelo desagrado das altas instâncias do país vizinho pela alteração nas idades admitidas.

Tal permitiu, por exemplo, as chamadas de Filipe Gaidão, Rodrigo Sousa e Tiago Barbosa ("Sapo"), que em 2001 completaram 24 anos. Nas escolhas do seleccionador Vítor Hugo, estavam ainda Pedro Ascenção, Reinaldo Ventura, Ricardo Pereira e os guarda-redes Domingos Pinho e António Dias, bem como os estreantes Pedro Afonso e Valter Neves, respectivamente, com 19 e 17 anos.

Espanha alegou 'problemas de calendário', mas motivos terão sido outros. Participou a Alemanha em substituição.

Entretanto apelidada de "Taça das Nações", a prova - em que se utilizaram bolas amarelas - foi disputada em meias-finais e final. No primeiro dia, Portugal venceu a Alemanha por 10-0, enquanto a França conseguiria um lugar na final ao bater a Itália por 4-3. Os portugueses venceriam os gauleses - a conseguirem a prata pela primeira vez - na final por 8-1, ao passo que a Itália segurou um lugar no pódio com uma vitória tangencial de 3-2 sobre os germânicos.

No mundo do Hóquei em Patins, a Espanha era vigente campeã da Europa e a Argentina campeã do Mundo, sendo que os espanhóis reconquistariam o ceptro mundial em 2001, em San Juan, retribuindo a desfeita argentina em Reus, dois anos antes. Portugal chegou à Latina - que já não era "Latina" - como campeão da Europa de Sub-20, mas perderia nesse ano o título para a Espanha.

Apesar de alterações prometidas, a Latina voltou ao seu formato e elenco tradicional no ano seguinte e assim se manteve até 2004. Em 2005, ano em que não houve evento, o então CERH (hoje CERS-RH) anunciou que "pegava" na prova, realizando-se a primeira edição sob a sua égide em 2006.

13 conquistas

Oficialmente, são então consideradas 13 conquistas portuguesas em 27 edições da prova. Portugal venceu pela primeira vez em 1959 e tomou-lhe o gosto, conquistando logo quatro consecutivas, na melhor série de vitórias até hoje. E não mais deixou de ser a selecção mais titulada.

Em Itália, em 2016, Portugal contrariou algum favoritismo que era apontado à Espanha

Depois do primeiro grande hiato na organização da prova, o recordista de triunfos na prova voltou a vencer em 1988 e 1989 e, depois, em 1998. Já distante do terceiro e último triunfo italiano na prova, em 1990, Portugal venceu e 2002 e 2003, voltando a vencer em 2008, no primeiro triunfo sob organização do CERS-RH. Em 2012, a Espanha "apanhou" Portugal com 11 triunfos, mas os lusos retomaram a liderança isolada da tabela de vitórias com os triunfos recentes, já com Luís Sénica ao leme, em Viana do Castelo (2014) e Follonica (2016).

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