Notícia

O regresso do Sporting no eclipse de Benfica e Liceo

Apr 08, 2018

O Sporting venceu a Oliveirense por 3-2 e regressa às "meias" da Liga Europeia 29 anos depois.

A única equipa que vencera fora de portas na primeira mão destes quartos-de-final recebeu no João Rocha a finalista das duas últimas edições da prova.

Campeão em 2017, Matías Platero chega de novo à Final Four

A tarefa da Oliveirense era complicada. Para além de ter de recuperar um golo de desvantagem depois do 2-3 de Oliveira de Azeméis, tinha de o conseguir num palco onde, há quatro meses, fora vergada com um pesado 9-1 para o Campeonato Nacional. E o golo de João Pinto, com não mais do que três minutos jogados, não facilitou a reacção a essas adversidades.

Longe do descalabro defensivo do Nacional, a Oliveirense não deixava de ser inconsequente no ataque, com o Sporting a controlar a eliminatória. A meio da primeira parte, Paulo Freitas já trocara os quatro jogadores de pista, enquanto Tó Neves lançara João Souto e Jepi Selva, que trouxeram mais velocidade e acutilância, mas não os desejados (e necessários) golos.

Vítor Hugo assinou dois golos na vitória leonina

A seis minutos e meio do intervalo, Vítor Hugo fazia o segundo do jogo, ampliando para três a vantagem na eliminatória. O golo, num lance que terá sido estudado, foi efusivamente celebrado e obrigou a Oliveirense a imprimir ainda mais velocidade, ainda assim insuficiente para desfeitear Ângelo Girão.

O prémio para a reacção da equipa de Oliveira de Azeméis chegaria no arranque da etapa complementar, com Pedro Moreira a reduzir para 2-1. E a Oliveirense poderia mesmo ter chegado ao empate. Aos seis minutos, num dos marcos desta eliminatória, Ricardo Barreiros não conseguiria bater Ângelo Girão da marca de grande penalidade.

Em cinco temporadas juntos, esta será a primeira vez que Bargalló e Barreiros não chegam a uma final europeia

Pouco depois, de livre directo, Vítor Hugo não faria melhor que o seu ex-companheiro no Benfica e no Porto, adiando por alguns minutos o bis na partida. Tó Neves lançou entretanto Pablo Cancela (Jordi Burgaya não entrou), mas seria mesmo Vítor Hugo a voltar a celebrar o golo, fazendo, com 12 minutos para jogar, um 3-1 que fazia a eliminatória pender definitivamente para os leões.

Sem se remeter à defesa do resultado, o Sporting controlava a partida longe da baliza de Ângelo Girão e só acabou por recuar nuns seis minutos finais marcados pelo "forcing" de uma equipa que via esfumarem-se as suas hipóteses na Liga Europeia, depois do afastamento da Taça e da luta pelo Campeonato.

Pedro Moreira bisou... mas não chegou

A três minutos e meio do fim, a 10ª falta do Sporting permitiu a Pedro Moreira bisar - num remate fortíssimo - e reduzir para a diferença mínima no jogo. Mas eram precisos mais dois golos para levar o jogo para prolongamento. Tó Neves "meteu" Cancela e Souto na área, na cara de Girão, mas, pese alguns apuros, o guarda-redes leonino acabaria por resolver e impedir novo golo.

Com duas vitórias por 3-2, o Sporting regressa às meias-finais de uma prova que conquistou em 1977 - foi a primeira equipa portuguesa a consegui-lo - e em que foi finalista em 1989. Nesse ano, na última vez em que foi uma das últimas quatro equipas em prova - que se chamava Taça dos Campeões Europeus -, os leões perderiam frente ao Noia, numa final disputada ainda a duas mãos.

Para o técnico Paulo Freitas, esta é a quarta vez consecutiva que conduz uma equipa a uma Final Four, depois de ter levado o Óquei de Barcelos a três na Taça CERS. O adversário na meia-final será o Porto.

Goleadas épicas de Porto e Reus

Partiam em desvantagem para a segunda mão, mas tiveram demonstrações de força impressionantes, vulgarizando os seus valorosos adversários.

No Dragão Caixa, a desvantagem (mínima) do Porto para o Benfica foi anulada ainda não estava decorrido minuto e meio de jogo. E aos três, a equipa de Guillem Cabestany já tinha virado a eliminatória. Entre o sonho azul-e-branco e o pesadelo encarnado, com oito minutos e meio de jogo, os dragões venciam por 5-0 e tinham a questão resolvida.

Gonçalo Alves, com cinco golos, destroçou aspirações do Benfica

Os encarnados nunca conseguiram acompanhar o ritmo dos adversários, facilitando de sobremaneira defensivamente e deixando Pedro Henriques à mercê de uma eficácia extrema. Claramente apontados a gerir a partida, faltaram soluções para reagir à adversidade.

Quando os Super Dragões juntaram a sua voz à dos muitos adeptos presentes, já o Porto vencia por 6-0 um Benfica praticamente orfão de apoio por as forças de segurança terem entendido que não havia condições reunidas para que um grupo de adeptos rumassem do metro ao Dragão Caixa, levando o clube encarnado a pedir explicações no final do encontro.

Em pista, Nicolía ainda reduziu na primeira parte, mas tal não mais do que beliscou a exibição do Porto, ferido da queda nos "quartos" nas duas últimas temporadas.

Cabestany consegue com o Porto - à terceira - uma presença na Final Four que lograra com os menos cotados Vendrell e Breganze

Na segunda parte, com mais dois golos de Gonçalo Alves, a somar uma mão cheia na tarde perfeita do dragão, e um tento de Jorge Silva (Reinaldo Garcia apontara dois na letal entrada na partida e Hélder Nunes apontou o sexto), o Porto ficou à beira da dezena enquanto controlava as operações perante um Benfica apático que só obrigaria a sete faltas. Com um minuto para jogar, Jordi Adroher reduziu para o 9-2 final, uma derrota pesadíssima para uma equipa que esteve em quatro Final Four das últimas cinco edições da prova.

Em Reus, a tarefa dos detentores do título era mais complicada, com três golos de desvantagem para recuperar. Mas, como há um ano (então frente ao Porto), o Palau d'Esports encheu para empurrar a equipa para a Final Four e o campeão não desiludiu os adeptos rojinegros que responderam à chamada.

Marc Torra rubricou dois golos na 'remuntada' de Reus e persegue a quinta conquista consecutiva da Liga Europeia

Ao intervalo, a vantagem do Liceo estava anulada, com golos de Torra, Salvat e Marin. Com tudo para resolver nos derradeiros 25 minutos da eliminatória, o Reus passou para a frente com o 4-0 do ex-Benfica e futuro Oliveirense Marc Torra, sendo o improvável e veterano Martin Payero a pôr alguma "água na fervura", com um 4-1 que igualava a eliminatória.

Mas já nada pararia o ímpeto dos pupilos de Jordi Garcia. Salvat, Casanovas e Alex Rodriguez levaram o marcador para um inusitado 7-1, a que só o pouco utilizado Payero lograria dar resposta, fixando o 7-2 a menos de dois minutos do apito final.

Naturalmente, Barcelona

Em Barcelona, a equipa blaugrana carimbou a sétima presença consecutiva nas meias-finais da Liga Europeia. Depois de um empate, com algo de surpreendente, a três, na primeira mão, o Barcelona não facilitou frente ao Follonica do técnico campeão em título, Enrico Mariotti, e adiantou-se cedo, com um golo de Matías Pascual.

Sem argumentos para o poderio blaugrana, o Follonica veria o homenageado - pela conquista da Taça Latina - Ignacio Alabart aumentar a vantagem ainda na primeira parte e, quando Davide Banini reduziu com 10 minutos para jogar, já Pau Bargalló tinha feito o terceiro.

Um livre directo de Lucas Ordoñez e uma grande penalidade de Xavi Barroso fixaram o 5-1 final e mantiveram o Barcelona no objectivo de da conquista da 22ª Liga Europeia da sua história. A chegar consecutivamente às "meias" desde 2012, o Barcelona passaria três vezes à partida decisiva, vencendo em 2014 e 2015.

Candidatos à organização

Definido o cartaz e os protagonistas da Final Four, falta conhecer a sede da mesma.

O Sporting já tinha expressado vontade de receber no João Rocha a fase decisiva da mais importante prova europeia e era apontado como o anfitrião mais provável. No entanto, na Catalunha vai-se falando da possibilidade do Porto também entrar na corrida, com a vitória categórica sobre o rival Benfica a servir de argumento para convencer a direcção azul-e-branca a avançar. Quem também não deve ficar à margem das propostas é o Reus, que no ano passado já demonstrou esse interesse.

Sporting quer receber Final Four no João Rocha

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