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História de Guillem Trabal vai ter capítulo em italiano

May 31, 2018

Guillem Trabal, a terminar a sua quinta época no Benfica, vai continuar a sua carreira no Valdagno em Itália.

A hipótese tinha sido avançada pel'O Jogo e já está concretizada há algum tempo. À beira de completar 39 anos, Trabal abraça a aventura italiana, vestindo a camisola do Valdagno.

Mais do que um guarda-redes de méritos firmados, Trabal chegou ao Benfica em 2013 já com o estatuto de lenda no Hóquei em Patins do país vizinho e mundial.

Mais do que a Taça CERS conquistada pelo Voltregà da sua cidade natal (que representou entre 1994 a 2002) ou a Copa del Rey (2006), Supercopa (2006), Liga Europeia (2009), Taça Continental (2009), Intercontinental (2010) e OK Liga (2011) conquistadas em nove temporadas ao serviço do Reus, Guillem chegou ao Benfica com o pecúlio de cinco títulos de campeão do Mundo e outros tantos da Europa conquistados ao serviço de uma Espanha com aura de invencibilidade.

Quando se baixou entre os postes das balizas portuguesas, Trabal já não era apenas sinónimo de qualidade, frieza, leitura, posicionamento ou concentração. Trabal já era um adjectivo para qualificar os grandes guarda-redes e ombreará entre as lendas espanholas por um lugar de titular com Trullols, Folguera ou talvez Egurrola, mas estes contaram com o "conforto" de defender um dominador escudo blaugrana.

O Benfica acabara de se sagrar campeão europeu e abdicou de Ricardo Silva para colocar Guillem Trabal como pilar no projecto de Pedro Nunes. Pelas águias, Trabal conquistou a Taça Continental (2013), a Intercontinental (2013 e 2017) e a Liga Europeia (2016), registando a nível interno a conquistas de dois Campeonatos Nacionais (2015 e 2016) e três Taças de Portugal (2014, 2015 e 2016).

Esta temporada, o guarda-redes perderia protagonismo com o regresso de Pedro Henriques, ficando numa posição de suplente que lhe fora estranha ao longo de toda a carreira.

Apesar de já contar 37 anos, Egurrola não hesitou em trocar para o modelo de stick concebido por Trabal; na outra baliza da final da Liga Europeia, o portista Carles Grau usou o mesmo modelo

Um estudioso da modalidade, Trabal é o responsável pelo desenvolvimento e possui a patente de um stick que tem sido adoptado por praticamente todos os guarda-redes das principais equipas e acumula num "palmarés" académico ainda mais notável que o desportivo, com diplomas em fisioterapia e educação física, licenciaturas em ciências da actividade física e do desporto, psico-pedagogia e antropologia, mestrado em antropologia urbana, pós-graduação em gestão desportiva municipal e, recentemente, o doutoramento em ciências do desporto com uma tese sobre os livres directos que levou cinco anos, coincidindo com a etapa no Benfica, a escrever. Terá, caso assim o entenda, potencial para singrar também como treinador... mas, para já, isso terá de esperar.

Valdagno

Guillem Trabal representará na próxima época o Valdagno, equipa onde fez história outro actual jogador dos encarnados, Carlos Nicolía. Sob a batuta do argentino, o Valdagno conquistou os únicos três "scudettos" da sua história (2010, 2012 e 2013), e registou o feito de estar dois anos consecutivos nas meias-finais da Liga Europeia, em 2012 (em Lodi) e 2013 (no Dragão Caixa), inédito pelo menos na história recente da competição para equipas italianas.

Mas o Valdagno perdeu preponderância no Hóquei em Patins italiano. Esta temporada caiu nas meias-finais da Coppa, ao perder 2-6 com o Follonica, que venceria a prova, e caiu nos oitavos-de-final da Taça CERS, na decisão por grandes penalidades com o Tomar depois de empates a seis e a zero.

Valdagno de Nicolía conquistou três vezes o "scudetto"

Na Legahockey, apurou-se para os playoffs e ainda venceu o primeiro jogo (2-1) com o futuro vice-campeão Forte, mas este daria a volta à eliminatória. O que vale ao Valdagno, novamente, "apenas" a presença na Taça CERS.

Para Trabal será o regresso a uma prova que conquistou muito jovem pelo Voltregà, chegando depois à final com o então modesto Lleida, que representou entre 2002 e 2004, antes de se afirmar definitivamente no Reus.

Em Valdagno foi reiterada a confiança no técnico Franco Vanzo, desmentindo-se notícias de conversações com outros treinadores, e, para já, são certas as saídas de Juan Fariza (para o Lodi) e Emiliano Romero (Sarzana), chegando Dário Gimenez (Lleida). O argentino deverá juntar-se a Martin Montivero, Massimo Tataranni e Samuel Amato, principais referências desta temporada que termina.

Para a baliza há, para além de Trabal, o jovem Andrea Brentan (18 anos), e os veteranos Massimo Cunegatti (46) e Nicola Comin (38).

Cunegatti, outro titã

Não estando ainda definido que papel terá Cunegatti com a chegada de Trabal, o que é certo é que o guarda-redes de 46 anos, capitão de equipa, foi o mais utilizado esta temporada por Franco Vanzo.

Cunegatti está para o Hóquei em Patins italiano, como Trabal está para o espanhol. É uma lenda. Bem viva.

Todos lembrarão Cunegatti por umas caneleiras completamente desproporcionadas, a tapar o caminho a baliza da selecção italiana, mas o impacto de "Cune" vai muito para além disso.

Cunegatti

Tendo talvez apenas Alessandro Cupisti como rival na história transalpina, Massimo Cunegatti conquistou 11 campeonatos italianos e 10 Coppas. No panorama europeu, em que os italianos não rivalizam de igual com portugueses e espanhóis, conquistou três Taças CERS. E, pela selecção, conquistou um Europeu e um Mundial.

Nasceu precisamente em Valdagno, e foi aí que se fez guarda-redes. Quando Trabal nasceu, em 1979, já defendia a baliza dos escalões de formação do Valdagno, integrando a equipa principal em 1990. Um ano volvido, rumou a um Novara que dominaria a competição em Itália. Onze anos depois, em 2002, embarcou em mais uma aventura de longa duração, raras na modalidade em terras transalpinas, representando o Bassano, por 12 anos. Em 2014 regressou ao seu Valdagno.

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