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Terminada a 'lenda' do 'Rei de Copas', quem sucederá?

Jun 01, 2019

Realiza-se este fim-de-semana a Final Four da Taça de Portugal. Para “alívio” dos presentes (e por mérito do Sporting), Guillem Cabestany não estará no banco.

O técnico catalão que iniciará a quinta temporada no Porto manteve uma relação especial com a Taça de Portugal e as análogas Taças do Rei (Copa del Rey) e Taça de Itália (Coppa Italia), triunfando em seis edições consecutivas.

A 1 de Março de 2012, o modesto Vendrell perdia por 8-3 logo nos quartos-de-final da Taça do Rei (depois de um histórico segundo apuramento consecutivo) para o poderoso Liceo, que viria a vencer a Liga Europeia. Curiosamente, mais de sete anos depois, a 4 de Maio deste ano, o Porto perdia no João Rocha, nos quartos-de-final da Taça, para o Sporting (após prolongamento)… e os leões também venceriam a Liga Europeia.

Em oito temporadas, Cabestany perdeu dois jogos para a Taça/Copa, para Liceo e Sporting. Ambos se sagrariam depois campeões europeus.

Entre as derrotas de 2012 e 2019, Cabestany somou 26 vitórias consecutivas (uma por falta de comparência), que culminaram em seis títulos, por três equipas e em três países diferentes.

A lenda começou a ser escrita nas Astúrias, em 2013. O Vendrell venceu Vilanova, Barcelona e, na final, o Reus, de Alejandro Dominguez. No ano seguinte, em Lleida, o Vendrell protagonizou o pleno contra os três mais poderosos do Hóquei espanhol. Afastou Liceo e Reus e bateu o Barcelona na final.

“Tri” em Portugal começou em Ponte de Lima; Renato Garrido e Edo Bosch, agora timoneiros na Oliveirense, eram adjunto e guarda-redes de Cabestany

Cabestany rumou depois a Itália e ao Breganze. E nova “Copa” ganha. Em 2015, em Follonica, o Breganze afastou a equipa da casa e o Trissino e venceu o Viareggio na final. Faltava provar noutro formato…

As taças de Espanha e Itália são reservadas aos oito primeiros da primeira volta do campeonato e jogadas em eliminatórias concentradas, em três (Itália) ou quatro dias (Espanha). A Taça de Portugal é diferente, jogada em eliminatória espaçadas e com eventuais deslocações às pistas rivais. Uma realidade que Cabestany encontrou em 2016… mas nem por isso deixou de vencer.

Eliminando Tomar, Tigres e Paço de Arcos – sempre longe do Dragão Caixa – o Porto conquistaria a Taça de Portugal em Ponte de Lima, vencendo Barcelos e Benfica, naquele que foi o primeiro título do técnico catalão nos dragões.

Em 2017, o Porto afastou Sporting, Oeiras e Oliveirense para chegar à Final Four, que teve lugar em Gondomar. Nas “meias” não jogou, porque o Benfica não apareceu, descansando para um triunfo na final sobre o Tomar.

O Porto é o detentor de um troféu que só Jorge Silva aspira a voltar a levantar este ano

Na temporada passada, os azuis-e-brancos afastaram, ainda antes da Final Four, os três grandes rivais. Oliveirense, Sporting e Benfica caíram aos patins dos jogadores de Cabestany, que voltariam a festejar, desta feita em Tomar. O Porto venceu o Riba d’Ave nas meias-finais e, no prolongamento, venceria um estóico Valongo para a sua 17ª Taça, terceira consecutiva às ordens de Cabestany.

Esta temporada, os dragões venceram em Azeméis (a Escola Livre) e em Torres Vedras (a Física), ditando o sorteio que regressassem ao João Rocha um ano volvido sobre um apuramento nas grandes penalidades. Mas neste 4 de Maio, sem ser preciso tanto tempo (o Clássico foi “só” a prolongamento), o Porto caiu frente ao Sporting, às portas de mais uma Final Four. Mas já ninguém tira um percurso impressionante a Cabestany.

Quatro candidatos à sucessão

Para a sucessão ao Porto, perfilam-se Benfica, Sporting, Oliveirense e Riba d’Ave. E Alejandro Dominguez, Paulo Freitas, Renato Garrido e Hugo Azevedo, sendo que ainda nenhum conquistou uma Taça enquanto treinador.

Em Oliveira de Azeméis, o Benfica procura a 16ª conquista na prova, depois da ausência da Final Four em 2018 (eliminado nos “quartos” no Dragão Caixa) e em 2017, em protesto. Em 2016 os encarnados foram finalistas, na primeira conquista de Cabestany, sendo preciso recuar até 2015 para encontrar o último triunfo na apelidada “prova-rainha”. Foi em Vila Franca de Xira… frente ao Sporting.

Depois dessa final de 2015, o Sporting não voltaria à final, continuando em busca de uma Taça que lhe escapa desde que conquistou a quarta para o seu palmarés em 1990. Mas, depois dessa final – após a conquista da CERS em Igualada -, o Sporting já conquistou uma Supertaça, um Campeonato e uma Liga Europeia, e chega ao Salvador Machado com legitimas aspirações em continuar a reescrever a história.

Antes de Cabestany, Benfica e Sporting decidiram o título em 2015

O Pavilhão Dr. Salvador Machado é a casa da Oliveirense, e a equipa de Renato Garrido procurará capitalizar esse factor para repetir os sucessos de 1997, 2011 e 2012. Para tal, conta por exemplo com Jorge Silva ou Xavi Barroso, que podem conquistar a sua quarta Taça/Copa consecutiva, depois dos “tri” por, respectivamente, Porto e Barcelona.

A correr por fora está o Riba d’Ave. O ano passado, a equipa minhota estava na II Divisão, mas tal não foi obstáculo à presença na Final Four, sendo a única equipa que este ano repete a presença no fim-de-semana decisivo. A meia-final de 2018, perdida para o Porto, foi mesmo o melhor registo de sempre do clube na prova, e Hugo Azevedo, com um grupo “rebelde” procurará agora contrariar o favoritismo alheio.

Taça de Portugal – Final Four

Meias-finais, 1 de Junho

• Oliveirense vs Riba d’Ave • 12h • Joaquim Pinto e Pedro Silva

• Benfica vs Sporting • 16h • Ricardo Leão e Miguel Guilherme

Final, 2 de Junho

• 19h • Rui Torres e José Pinto

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