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No rinque do Olimpo, triunfou a albiceleste de 'Negro'

Jun 23, 2019

A 23 de Junho celebra-se desde 1948 o Dia Olímpico, proclamado pelo Comité Olímpico Internacional para comemorar o nascimento dos Jogos Olímpicos modernos 54 anos antes, num congresso em Paris.

A primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos realizar-se-ia em 1896 e só quase 100 anos depois, em 1992, é que o Hóquei em Patins cumpriu o sonho. Mas não tardou a despertar…

Em 1992, os Jogos realizaram-se em Barcelona, terra do presidente do Comité Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch. Ex-jogador, ex-treinador e apaixonado por Hóquei em Patins. E colocou a sua modalidade no programa, ainda que como modalidade de exibição, acabando por não vingar no programa oficial.

Argentina de ouro

No ano em que o Hóquei em Patins foi Olímpico, Portugal chegou campeão da Europa e do Mundo a Barcelona. Vencera o Mundial em 1991 e voltaria a vencer em 1993. E, em 1992, em Wuppertal, poucos meses antes dos Jogos, sagrar-se-ia campeão da Europa.

Na primeira fase dos Jogos Olímpicos, as selecções foram divididas em dois grupos de seis equipas. Em Vic, Portugal – com Chambel, Franklim, Luís Ferreira, Paulo Almeida, Paulo Alves, Pedro Alves, Rui Lopes, Tó Neves, Vítor Fortunato e Vítor Hugo – venceu a Argentina por 1-0 e não se imaginaria que a albiceleste reclamaria o ouro para si.

Cobi foi a única mascote olímpica a jogar Hóquei em Patins…

Dirigidos por Miguel Gómez, os argentinos perderam com Portugal, e empataram com a Itália (3-3) e uns surpreendentes Estados Unidos (4-4), que até marcaram mais golos (24) que a Argentina (22) nesta primeira fase.

A Argentina passou como terceira do grupo A, mas numas “meias” jogadas a seis em Reus, lograria o segundo lugar que lhe valeu a presença na final. Vingou a derrota com Portugal (2-1) e venceu a Itália (7-3), Brasil (3-1) e Holanda (4-1). Só perdeu com a anfitriã Espanha, por 2-3, que carimbava também a presença na final depois de nove vitórias e um empate… com o Brasil.

O Palau Blaugrana recebeu a grande final. Com os Reis de Espanha e o príncipe herdeiro Filipe na tribuna, a Espanha adiantou-se por Avecilla, aos 15 minutos. Mas Pablo Cairo empatou e José Luis “Negro” Paez, na altura com 23 anos, consumou a reviravolta para o 1-2 com que se chegaria ao intervalo, ordenado pela dupla de arbitragem portuguesa com Luís Rei – hoje responsável de arbitragem no Comité Europeu – e João Faria.

Herói em 1992, “Negro” Paez procurará no próximo mês de Julho novo ouro no Palau Blaugrana

Na segunda parte, “Negro” fez o 1-3 e Roldán ampliou aos nove minutos e, depois de Joan Carles reduzir, Pablo Cairo repunha uma vantagem de três golos com pouco mais de seis minutos para jogar. O ouro parecia difícil de escapar à albiceleste. No entanto, numa reacção extraordinária a Espanha, orientada por Carles Trujolls (mais conhecido pela arte na baliza que o engenho no banco), levaria o jogo para prolongamento com golos de Avecilla, Rovira e Ayats.

No tempo extra, o agora seleccionador argentino “Negro” Paez adiantaria a selecção sul-americana. Rovira restabeleceu a igualdade e a Espanha carregou… mas foi surpreendida em dois contra-ataques lançados por “Negro” e concluídos por Diego Allende – que já escrevera páginas douradas no Futebol Clube do Porto – a bater Carles Folguera para o 6-8 final.

A Argentina, que “só” vencera os Mundiais de 1978 e 1984, vivia o momento mais alto da sua História. Possivelmente da História da modalidade.

A anfitriã Espanha ficava com a prata e tardaria a voltar a conquistar um título depois do Mundial de 1989. Só voltaria aos triunfos no Europeu de 2000, mas “engataria” para a maior hegemonia de sempre a nível de selecções, conquistando sete europeus consecutivos (e oito das últimas 10 edições) e sete mundiais em oito edições.

Daqui a três semanas, o Palau Blaugrana recebe mais uma decisão, mais uns “Jogos”, desta vez da Patinagem. No culminar dos World Roller Games, disputa-se a 14 de Julho a final do Mundial absoluto e Espanha (vigente campeã) e Argentina (campeã em 2015) partem como favoritas, a par de Portugal – que nos Olímpicos não iria além do quarto lugar – e um pouco à frente da Itália, bronze no “Jogos” de 1992, também com o actual seleccionador, Massimo Mariotti, na equipa.

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