Notícia

Despedida de bronze, mas orgulho no trabalho feito

Aug 23, 2019

O jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares no Campeonato do Mundo marcou a despedida de Alejandro Dominguez do comando técnico da selecção espanhola, numa saída anunciada desde que o treinador argentino foi oficializado no Benfica, a quem se passará a dedicar-se em exclusivo.

Como seleccionador nos quadros de La Roja, o Mundial de Barcelona foi o único em que não terminou com o título, somando um Europeu e um Mundial feminino e um Mundial e um Europeu masculino.

Anunciado como seleccionador feminino em Fevereiro de 2015, ainda antes de deixar o Reus, conquistou nesse mesmo ano o Europeu de Matera, o 13º da Espanha e quarto consecutivo, vencendo no ano seguinte o Mundial, em Iquique, no Chile, depois de três edições (um hiato de oito anos) sem triunfo espanhol. Seria o primeiro de três títulos mundiais femininos consecutivos, num inédito “tri” para as espanholas.

Em 2017, Quim Paüls deixaria o comando técnico da selecção absoluta masculina de após a Taça das Nações, em Montreux, em que – com Alejandro Dominguez como adjunto – apresentou uma selecção que foi já de transição depois do “desastre” em Oliveira de Azeméis. Pedro Gil despedia-se e Maliàn, Edu Lamas, Pau Bargalló, Nil Roca e Ignacio Alabart surgiam como apostas de futuro.

Meses mais tarde, já nas mãos de Alejandro, La Roja conquistou o Mundial na China, nas grandes penalidades. Em 2018, a selecção do país vizinho foi demolidora na Taça Latina (Sub-23) e no Europeu que decorreu na Corunha.

Anunciado no final de Dezembro no Benfica, comprometeu-se a conduzir a selecção nos World Roller Games que teriam lugar em Barcelona. Antes, levou a Montreux 10 jogadores de futuro, com uma média etária pouco superior a 22 anos e em que o jogador de pista mais velho era Marc Julià… de 24 anos. Nenhum deles estaria presente nos World Roller Games.

A aposta foi no grupo vencedor do “Euro” de 2018 – saindo apenas Marín para a entrada de Toni Perez – mas a Espanha cairia nas meias-finais, no prolongamento, frente a Portugal, assegurando depois “apenas” o bronze. A Espanha não falhava uma final desde 2003, curiosamente o último ano em que a selecção das quinas, a grande rival, tinha ganho o Mundial.

A despedida foi com uma vitória por 5-0 sobre a França. Ao derradeiro apito, estavam em pista Xavi Maliàn – que reforçará o Porto – na baliza, o blaugrana e capitão Pau Bargalló e três jogadores que estarão às ordens de Alejandro na próxima temporada nas águias: Albert Casanovas, Jordi Adroher e Edu Lamas.

Na hora do balanço, Alejandro Dominguez não escondeu a decepção de não conseguir revalidar o título, mas confessou-se de consciência tranquila. “Os outros também jogam e também são muito bons”, desabafou.

O sabor do bronze é amargo. “Nos últimos sete mundiais, a Espanha ganhou seis”, recordou, sublinhando que, numa partida que não era a desejada, estava “um monte de gente que os foi ver jogar, e que mereciam ver a melhor versão de Espanha”.

Alejandro assegurou que deixa uma selecção com garantia de lutar pelos títulos, com uma qualidade extraordinária hoquística e humana. Na sua ligação à federação espanhola – a quem agradeceu -, vincou o trabalho feito com o feminino, que não quer que se esqueça. Os títulos são importantes, mas, acima de tudo, Alejandro guarda o trabalho feito.

Sobre o seu sucessor à frente de La Roja, Alejandro frisou que não lhe contaram, nem perguntou, dado que esse não era o seu trabalho.

Os 'preferidos' de Alejandro

Alejandro operou uma revolução depois do fracasso em Oliveira de Azeméis em 2016. Com algumas alterações já ensaiadas em Montreux, em 2017, da selecção que esteve em Portugal só voltariam a ser chamados Xevi Puigbi e Jordi Burgaya (e apenas para o Mundial em 2017) e Pau Bargalló, um dos esteios de Alejandro.

Pau Bargalló foi chamado por Alejandro, que lhe confiou a braçadeira de capitão, aos três grandes eventos (Mundiais de 2017 e 2019 e Europeu de 2018), tal como o guarda-redes e futuro dragão Xavi Maliàn, os jogadores de pista Albert Casanovas, Edu Lamas e Jordi Adroher, todos no Benfica na próxima temporada, e os blaugrana Nil Roca e Ignacio Alabart, estes inclusivamente chamados também – porque a sua tenra idade assim o permitia – à Taça Latina em 2018.

Ignacio Alabart

Nessa Taça Latina esteve também o leão Ferran Font, que falhara a China, mas que se viria a assumir como indiscutível nas escolhas de Alejandro, sendo chamado aos compromissos na Corunha e em Barcelona.

Em três grandes eventos, Alejandro Dominguez chamou apenas 13 jogadores. Para além dos totalistas – Albert Casanovas, Eduard Lamas, Ignacio Alabart, Jordi Adroher, Nil Roca, Pau Bargalló e Xavi Malián –, chamou Ferran Font, Raul Marin e Sergi Fernandez a dois eventos, e Jordi Burgaya, Toni Perez e Xevi Puigbi a um.

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