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«Queremos que cada vez mais se respire Hóquei em Valença»

Aug 26, 2019

O Valença regressa esta segunda-feira ao trabalho para a sétima temporada desde que Miguel Fernandes (“Micha”) se lançou numa epopeia em que não deixou o concretizar dos seus sonhos em mãos alheias.

Uma época na III Divisão bastou para garantir a subida à II Divisão. Em duas temporadas, a equipa minhota garantia a subida ao escalão maior. Na primeira época entre os grandes, com uma estreia frente ao Sporting, foi garantida a manutenção e culminou com a ida à Elite Cup, na sua segunda edição, em Coimbra.

O percurso do refundado Valença nos campeonatos nacionais: 2013/14 – III Divisão (2º), 2014/15 – II Divisão (6º), 2015/16 – II Divisão (2º), 2016/17 – I Divisão (8º), 2017/18 – I Divisão (12º) e 2018/19 – II Divisão (4º)

Em 2017/18, a temporada não correu como previsto – apesar do brilho da estreia europeia, na Taça CERS – e o Valença desceu, mas apostado no regresso ao convívio dos grandes. No entanto, a temporada finda foi complicada, como nos conta Miguel Fernandes…

Um honroso quarto lugar

“Tendo em conta todas as circunstâncias, e o que aconteceu durante a época, acabou por ser um honroso quarto lugar. Foi, sobretudo, um prémio para os jogadores, porque fomos assolados com muitas lesões e contrariedades”, explica Micha, detalhando.

“O treinador saiu a meio de Janeiro e foi encontrada uma solução interina. O comando foi assumido por mim, em conjunto com o [Leonardo] Tomba, e o nosso novo papel foi muito bem aceite pelo grupo”, recorda, aludindo à transição no banco. “As coisas correram muito bem. Acabámos a época a jogar com cinco jogadores de campo, mas o grupo foi de uma dedicação e profissionalismo incríveis”, destaca.

Só nos podemos queixar de nós próprios (...) Perdemos pontos onde era proibido perder.

A Zona Norte tem sempre fortes candidatos à subida e Sanjoanense e Carvalhos impuseram-se aos demais. O Carvalhos, segundo, fez mais 16 pontos que o Valença.

“Sem dúvida que foi, mais uma vez, uma Zona Norte muito forte e competitiva, mas só nos podemos queixar de nós próprios”, ressalva. “Assumimos desde o início o objectivo de voltar à I Divisão, mas, sobretudo na primeira volta, perdemos pontos onde era proibido perder se realmente queríamos atingir esse objectivo”, vinca, ainda que encontre pontos positivos. “Em casa fomos muito fortes, não tivemos nenhuma derrota”, constata, num percurso de oito vitórias e cinco empates.

O homem dos ‘mil’ ofícios

Micha tem hoje 35 anos e é presidente do Valença desde os 29, sem nunca descalçar os patins. “Desde o início deste projecto que um dos maiores desafios – senão o maior – foi conciliar o meu papel de Presidente do Clube com o de jogador. E apesar de não ser nada fácil, sempre foi ‘rolando’ da melhor forma”, garante.

Agora, e desde Janeiro, junta também o papel de treinador. A solução era temporária, mas tudo correu bem e a aposta mantém-se. “Tenho perfeita noção que a responsabilidade ainda será maior”, assegura, tendo a fórmula para conseguir ter mãos para tudo.

Se tiveres pessoas ao teu lado da tua confiança, com qualidade e capacidade para gerir cada uma das situações, tudo se torna mais fácil.

“Tens de te rodear das melhores e das pessoas certas. Quer na parte do dirigismo, quer na parte do staff técnico. Se tiveres pessoas ao teu lado da tua confiança, com qualidade e capacidade para gerir cada uma das situações, tudo se torna mais fácil”, começa por relevar.

“Por outro lado, e não menos importante, é o nosso querer, a nossa ambição, aquilo que ambicionamos”, sublinha com a garra de quem persegue o seu sonho. “Sou apaixonado por este Clube e tudo o que faço é com verdadeira paixão. Mas isso não chega. É preciso uma verdadeira dedicação e foco no trabalho que queremos fazer. É preciso ser muito exigente connosco próprios. É preciso foco e objectivos bem definidos. Quero fazer um trabalho de excelência, como Presidente, mas também como treinador e atleta”, aponta.

Projecto em crescimento

O Valença é muito mais do que a sua equipa sénior de Hóquei em Patins. “O nosso crescimento está à vista de todos”, orgulha-se Miguel Fernandes.

“Vai iniciar-se o sétimo ano deste projecto e podemos orgulhar-nos dum grande trabalho feito na formação. Começámos as escolinhas de patinagem do zero, e temos vindo a crescer de forma considerável. Não se têm queimado etapas no crescimento dos atletas, a evolução tem sido feita de forma sustentável e penso que os resultados estão a começar a aparecer”, explica.

A escolinha de patinagem tem cativado os mais jovens da região. “Tem crescido e todos os anos saem atletas para o início da prática do Hóquei em Patins. Temos equipas de Benjamins, Escolares e Sub-13. No próximo ano já conseguiremos ter equipa de Sub-15”, assegura.

Iremos dar início à Patinagem Artística no Valença (…) Estamos convictos de que será também uma das ‘bandeiras’ do Clube.

Daqui a uns anos, poderemos ver alguns dos atletas das escolinhas a vingar, ainda que seja prematuro olhar para um futuro que, naturalmente, está longe. “Temos procurado trabalhar com rigor a evolução técnica dos atletas, mas também o seu crescimento intelectual e cultura desportiva”, frisa Miguel Fernandes. “Alguns miúdos já se destacam, e penso que iremos ter no futuro alguns craques a sair do Valença”, garante.

Na próxima temporada, a Patinagem no Valença ganhará ainda mais fulgor. “Iremos dar início à Patinagem Artística no Valença”, anuncia. “Queremos dar oportunidade e outra opção que não o Hóquei em Patins aos atletas das escolinhas de patinagem, sobretudo porque temos tido muitas meninas que na hora de iniciar o Hóquei em Patins não querem e desistem”, observa. “Estamos convictos de que será também uma das ‘bandeiras’ do Clube”, congratula-se.

A nova época

Regressando ao Hóquei em Patins – e à equipa principal -, os trabalhos para a nova temporada arrancam esta segunda-feira. A estreia oficial, na II Divisão, está agendada para 12 de Outubro, na Marinha Grande, frente ao recém-despromovido Marinhense.

“O objectivo principal foi manter a ‘espinha dorsal’ da época anterior. Jogadores com muita qualidade e conhecedores do Clube e da sua filosofia. Alguns deles com muitos anos de Valença e com experiência da exigente II e também de I Divisão”, explica Miguel Fernandes.

Da pretérita temporada continuam o guarda-redes Edu Leitão e, para além do próprio Micha, Diogo Cunha (“Ziga”), Diogo Sá, Jorge Faria (“Rato”), Sérgio de Jesus e Tiago Pereira (“Bolinha”). Javier Añon tinha tudo acertado para continuar, mas motivos académicos levaram-no de volta à Galiza.

O nosso objectivo passa por ganhar jogo a jogo, sermos muito fortes sobretudo em nossa casa e andar sempre nos lugares cimeiros.

“Estamos certos de que a sua qualidade e experiência aliadas ao talento e irreverência dos mais novos nos irá dar frutos”, detalha. “O Clube ‘atacou’ o mercado de forma diferente do habitual. Apostámos no regresso de um guarda-redes da ‘casa’ e na contratação de três ‘miúdos’, com muita qualidade, com formação, e todos eles muito humildes e cheios de vontade de mostrar o seu valor”, elogia.

O guarda-redes, que substitui o internacional francês Keven Correia, é Rúben Ribeiro, um dos jogadores do plantel no ano da histórica subida à I Divisão. A este juntam-se Elói Martins (ex-Sub-20 Óquei de Barcelos), Henrique Campos (“Kiko”, ex-Póvoa) e Serafim Silva (ex-Famalicense).

“Tendo perfeita consciência que iremos, mais uma vez, ter uma Zona Norte fortíssima na II Divisão, o nosso objectivo passa por ganhar jogo a jogo, sermos muito fortes sobretudo em nossa casa e andar sempre nos lugares cimeiros”, almeja, pretendendo dar continuidade à segunda volta de 2018/19. “Queremos seguir a linha do que fizemos desde que assumi a equipa. Uma equipa unida e com personalidade em todos os momentos, com uma ideia de jogo bem definida e que tenha qualidade no seu jogo. Se pudermos aliar qualidade a vitórias… perfeito”, visa, numa missão em que será coadjuvado de perto por Luis Ferreira (treinador-adjunto e preparador físico) e Diogo Mendes (fisioterapeuta).

Eurocidade

Antes da primeira stickada na nova temporada na II Divisão, o Valença é o anfitrião da sexta edição do Torneio Eurocidade - Crédito Agrícola Caixa do Noroeste Valença/Tui, já um marco na pré-temporada.

“Penso que, ao longo dos anos, conseguimos criar um torneio de elite e de referência dentro dos eventos de pré-época a nível nacional, mas também ibérico. Infelizmente, este ano – e devido ao planeamento em Espanha – não poderemos ter nenhuma equipa espanhola”, lamenta.

Na lista de vencedores das cinco edições do Eurocidade “cabem” duas equipas do país vizinho. Cerceda (2014) e Liceo (2017) intrometem-se nos triunfos lusos de Benfica (2015), Porto (2016) e Marinhense (2018).

Na sua sexta edição, o Eurocidade terá nas meias-finais os confrontos entre os primodivisionários Física e Juventude de Viana e entre o anfitrião Valença e o detentor da Taça de Portugal, Oliveirense.

Ao Valença juntam-se, no Pavilhão Multiusos de Valença, três equipas primodivisionárias. “Teremos a presença de uma das melhores equipas do Mundo e actual vice-campeã nacional e vencedor da Taça de Portugal, a Oliveirense, e teremos a nossa vizinha e histórica Juventude de Viana e a recém-promovida Física”, apresenta Micha.

As meias-finais do Eurocidade disputam-se no dia 13, sexta-feita, com a Física a defrontar a Juventude de Viana a partir das 20h30 e o Valença a defrontar a Oliveirense às 22h. No sábado, dia 14, joga-se para os 3º e 4º lugares e para o triunfo no torneio, com a final agendada para as 17h30, no que se perspectiva mais um grande momento competitivo, mas também de promoção da modalidade.

Eurocidade terá um dia completo com Benjamins, Escolares e Sub-13.

“É nosso objectivo continuar a ter um cartaz atractivo, que possa chamar cada vez mais gente ao nosso Pavilhão e à nossa cidade e, ao mesmo tempo, mostrarmos a vitalidade do Valença”. E tal poderá também cativar mais jovens.

“Queremos cada vez mais chamar mais miúdos para o nosso Clube. Queremos que cada vez mais se respire Hóquei em Patins em Valença”, vinca, destacando, no dia 15, domingo, um Eurocidade estendido à formação. “Vamos ter um dia completo para a competição dos escalões de Benjamins, Escolares e Sub-13”, anuncia também, apelando à presença de adeptos no Multiusos.

Valença 2019/20

Guarda-redes

Edu Leitão e Rúben Ribeiro (ex-Limianos)

Jogadores de Pista

Diogo Cunha (“Ziga”), Diogo Sá, Elói Martins (ex-Sub-20 Óquei de Barcelos), Henrique Campos (“Kiko”, ex-Póvoa), Jorge Faria (“Rato”), Miguel Fernandes (“Micha”), Serafim Silva (ex-Famalicense), Sérgio de Jesus e Tiago Pereira (“Bolinha”)

Treinador

Miguel Fernandes

Equipa Técnica

Luis Ferreira (treinador-adjunto e preparador físico) e Diogo Mendes (fisioterapeuta)

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