Vamos Falar de Hóquei em Patins

«O maior troféu que levo é o carinho que ainda recebo todos os dias dos sportinguistas»

Apr 17, 2020

Não têm sido dias fáceis na região da Lombardia. "Já passei o Carnaval fechado, depois a Páscoa... não sei que festa vem a seguir, mas espero já não passar o Natal assim", conta-nos João Pinto, um pouco já a brincar com uma situação que reconhece preocupante e que merece todo o cuidado. Desportivamente, o "Mustang" já antecipava a decisão do Conselho Federal de dar a temporada como nula, ainda que enalteça o mérito da temporada do Lodi.

Toda a formação cumprida de azul-e-branco - 16 anos - tornaram João Pinto numa das figuras de uns dragões aguerridos. "Só havia dois clubes, nós e os outros todos", explica. Mas "demasiada irreverência" - algumas vezes para além dos limites, reconhece - custar-lhe-ia um lugar na equipa principal e mesmo outras oportunidades no futuro.

Quando em 2006, ainda júnior, a oportunidade de jogar numa Oliveirense com grandes nomes do Hóquei em Patins nacional lhe bateu à porta, não hesitou. Mas faltou-lhe paciência e, na ânsia de jogar mais, saiu para Barcelos em 2008. Ali, deparou-se com uma situação financeira complicada e, poucos meses volvidos, rumou ao Espinho, na altura na II Divisão.

Seguiu os conselhos de Tó Rocha e reergueu-se, ajudando o Espinho a regressar à I Divisão. Esteve ali três temporadas e meia, em que a amizade com Ângelo Girão e Vítor Hugo se fortaleceu. Com Paulo Freitas, fariam, anos depois, o Sporting campeão nacional e europeu.

Antes da afirmação definitiva em Portugal, "fugiu" da sua imagem de "bad boy" para Itália e o Lodi, onde a envolvência profissional o fez crescer. E regressou para uma grande temporada na Juventude de Viana. "Só não teve mais impacto porque o Valongo foi campeão", recorda, contando-nos o episódio caricato que o leva da preparação no ginásio ao lado de Girão até ao Sporting.

Era um Sporting em crescendo, ainda com um projecto frágil. Nuno Lopes foi importante a manter a motivação do grupo e a temporada culminou com a memorável conquista da Taça CERS. O Sporting queria mais na temporada seguinte. "Usámos um fato para o baptizado e quisemos usar o mesmo para o casamento", aponta, numa temporada em que as expectativas demasiado altas acabaram frustradas.

Em 2016, João Pinto assumiu a braçadeira de capitão leonino e tornou-se definitivamente o símbolo de uma equipa combativa e abnegada e uma referência para os adeptos. "Foi um amor à primeira vista e foi mútuo", sublinha. Sairia no último defeso, sem querer detalhar pormenores. Afastado do grupo, aproveita para agradecer ao Sporting de Tomar e ao Sporting de Torres a oportunidade de treinar antes do Mundial.

Em Barcelona, despediu-se da selecção angolana, numa decisão que - assume - pode ter sido precipitada em função de uma temporada desgastante, não pondo de parte o regresso. "Não por poder jogar o Mundial em San Juan, mas para poder voltar a trabalhar com aquele grupo de jogadores", ressalva.

Da recordação da épica final de juniores em Santander (2005), às referências na modalidade, com Tó Neves - conterrâneo de Rio Tinto - à cabeça, João Pinto conta-nos inúmeras histórias. E fala-nos da rivalidade particular com o Benfica, por vezes levada longe demais. Mas apenas em pista, como na final da Taça em Vila Franca de Xira, com o "desaguisado" com Pedro Henriques a terminar na praia, num amigável jogo de vólei...

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