Notícia

Justiça é outra vítima da pandemia

Jul 16, 2020

A Federação de Patinagem de Portugal (FPP) publicou, com o comunicado de 14 de Julho, os acórdãos do Conselho de Justiça (CJ) sobre o protesto relativo a três jogos.

As decisões, datadas de 25 de Maio, são comuns. Devido à pandemia, os protestos não foram totalmente julgados e o CJ não se pronuncia sobre o mérito dos mesmos.

Recorda o CJ que, a 28 de Abril, a PP cancelou todos os jogos dos diferentes campeonatos nacionais e que, no dia seguinte, em comunicado conjunto com as federações de Andebol, Basquetebol e Voleibol seria anunciado que não haveria "mais qualquer jogo ou competição, até ao final da presente época desportiva”.

Ainda segundo o CJ, tal tornaria qualquer decisão - que, no limite, poderia levar à repetição dos jogos em causa - fosse inconsequente e, como tal, aquele órgão federativo alega a "a necessidade de evitar a prática de atos inúteis".

De facto, em dois dos três jogos em causa não haveria qualquer consequência sobre a classificação das equipas envolvidas.

Na 4ª jornada da I Divisão, do distante dia 3 de Novembro, o Sporting venceu o Porto por 3-0 e o protesto dos dragões só poderia, com razão mas sem jogo de repetição, esbater a diferença pontual que, à data da suspensão se cifrava em quatro pontos a favor dos leões. E ambas garantiram - e garantiriam de qualquer forma - o apuramento para a Liga Europeia.

Tal como no jogo entre CART e Lavra, na 6ª jornada da Zona Norte da III Divisão, dado que as duas equipas "terminaram" separadas por 10 pontos, com vantagem para os lavrenses.

O caso é diferente no que toca ao protesto do Candelária...

Candelária sem justiça

A 28 de Janeiro, na 11ª jornada da Zona Sul da II Divisão, o Candelária perdeu em Oeiras por 5-2 num jogo desequilibrado depois de João Candeias ter visto um azul por suposta segunda advertência... quando afinal, e tal será claro no boletim, seria a primeira. Isso motivou o protesto dos picarotos, a que muitos dão razão. O protesto "morreria" no CJ, vítima da pandemia.

Mas este caso distingue-se dos anteriores pelas consequências que poderia ter na classificação e posteriores decisões.

Quando a Zona Sul da II Divisão também foi dada por concluída, o Candelária estava em terceiro, com 40 pontos, a um escasso ponto do Parede. Sendo que a eventual razão no protesto nunca redundaria em pontos atribuídos à equipa do Pico, esta ficaria sempre com menos um jogo realizado.

O que, num critério em que fossem considerados os possíveis pontos conquistados nos jogos em atraso, dava hipótese ao Candelária de subir ao segundo lugar. Ou, num critério de rácio de pontos por jogo, redundaria em 2.22 para o Candelária e 2.16 para o Parede. Ou, num critério em que a classificação fosse nivelada a 18 jogos, sem a jornada em causa, redundaria na "retirada" de três pontos da equipa da Linha (vencera o BIR por 4-8), ficando o Candelária com 40 e o Parede com 37.

Escuda-se o CJ no cancelamento dos jogos determinado a 28 de Abril. No entanto, esses jogos que foram "cancelados" serviram de base a uma classificação em que foram atribuídas vagas europeias e decididos lugares nas diferentes liguilhas. Numa delas, de acesso à I Divisão, o Parede estará e o Candelária - e os jogos no "remoto" Pico - não...

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