Notícia

Tempo de ataque de 35 segundos em teste

Sep 03, 2020

À semelhança da portuguesa Elite Cup - que este ano não se realiza - a Liga Catalã tem preconizado alguns ensaios em termos de regras e inovações. Depois de, por exemplo, a utilização do VAR em 2018, este ano a principal novidade é o tempo de ataque de 35 segundos.

Em termos frios, os 50 minutos regulamentares de jogo permitem actualmente pelo menos 67 ataques (esgotando os 45 segundos), podendo permitir pelo menos 86 de 35 segundos. Um aumento de cerca de 29% e que obriga a um Hóquei em Patins mais directo, alegam os defensores da alteração.

Um tema mal gerido

A alteração do tempo de ataque nesta edição da Liga Catalã chegou discretamente, sem alarido ou repercussão. "Primeiro, dever-se-ia saber o motivo pelo qual se faz a mudança, explicar bem a mudança, e que não tivéssemos começado os treinos sem sabermos se haveria a mudança. Estamos a mudar as regras todos os anos e é despropositado", critica "Xus" Fernández.

Xus Fernández (Noia)

O guarda-redes do Noia considera que 35 segundos é demasiado curto para pensar o jogo. "Nos jogos que realizámos, é verdade que vimos um Hóquei em Patins muito directo, mas para equipas como a nossa, que gosta de elaborar, é pouco tempo. Falámos no treino que, quando os guarda-redes, nos últimos 10 segundos, começam a bater com o stick, ainda só passaram 25 segundos de ataque", explica ao HóqueiPT. "Os jogadores de pista reclamavam que ainda não tinham conseguido posicionar-se, não tinham podido começar a elaborar a jogada e nós já estávamos a bater com o stick ou acabava-se o tempo", detalha.

"Se alguém da federação ou alguém com algum cargo me explicasse a razão da mudança, talvez pudéssemos entender e adaptarmo-nos, mas como não sabemos a razão porque mudam, - pelo menos eu não sei, ou não me explicaram - acho desnecessário", reforça.

Necessária adaptação

Companheiro de Xus no Noia, o atacante Xavi Costa até é favorável à mudança. "Evitas especulações das equipas e tens de ir mais depressa à baliza contrária", conta-nos, alertando, no entanto para a necessária adaptação.

"Neste teste na Liga Catalã têm acontecido muitos 'passivos'. Parece que não, mas 10 segundos a menos notam-se muito e as equipas têm de trabalhar muito nos treinos para fazerem um Hóquei ainda mais directo", assinala.

Xavi Costa (Noia)

Outro profícuo atacante é João Rodrigues. Apesar de passar a ter ainda mais oportunidades para "fazer o gosto ao stick", o internacional português do Barcelona considera precoce tirar conclusões. "O que vejo nos primeiros jogos é que tem gerado um bocadinho mais de precipitação nos ataques, mas acredito que possa ser uma boa medida, sobretudo para o Hóquei espanhol. Obriga as equipas a atacarem mais rapidamente a baliza e a especularem menos”, refere, conhecedor da realidade do Hóquei em Patins português, mais vertiginoso, diferente. “Em Portugal, não tenho uma opinião muito formada se seria vantajoso”, ressalva ao HóqueiPT.

João Rodrigues (Barcelona)

Para já, a medida está apenas em teste na Catalunha, e nota-se a falta de rotina. “O que podemos constatar é que as equipas ainda estão num processo de adaptação e tem sido muita a precipitação, mas tem-se visto mais busca pela baliza, o que é bom”, conclui.

Ataque, ataque, ataque

Defensores da alteração são Sergi Miras e Hélder Nunes. Ambos ex-jogadores do Porto, apesar de não terem coincidido no Dragão Arena, Miras e Nunes vêm na medida uma oportunidade para trazer mais espectáculo ao jogo.

“Eu gosto, porque o Hóquei estava a tornar-se um bocado sonolento”, aponta o internacional português. “Havia muitas equipas que jogavam para ter a bola os 45 segundos, não tentavam ir à baliza antes dos 40, e agora as equipas têm menos tempo para criar algo”, analisa ao HóqueiPT. “Pode tornar o Hóquei um bocado mais ‘maluco’, mas não é que já não fosse antes…”, graceja, traçando, tal como João Rodrigues, o paralelo com o Hóquei português.

Hélder Nunes (Barcelona)

“Os 35 segundos acabam por ser engraçados para darem ao Hóquei mais dinâmica, principalmente em campeonatos como os de Espanha, em que as equipas defendem muito bem, e se calhar algumas não procuram contra-atacar tanto como em Portugal”, detalha o jogador do Barcelona.

“Sei que nem toda a gente está a favor, mas, para já, dos momentos em que nós estamos a treinar e a jogar a Liga Catalã, tenho gostado de jogar com 35 segundos. No inicio dos treinos custava um bocado, porque faltavam ali 10 segundos para organizar o jogo, e é preciso uma fase de adaptação, mas depois torna tudo muito mais dinâmico e, se calhar, mais rápido”, observa.

Sergi Miras (Caldes)

Sergi Miras, que regressa este ano à OK Liga depois de uma segunda temporada no Hóquei português (antes do Porto já tinha representado o Sporting), gosta do que passa a ser pedido às equipas. “A equipa adversária tem de propor algo rapidamente para atacar. Se esperares um pouco, faltam apenas 10 segundos e ficas prestes a levar ‘passivo’”, explica ao HóqueiPT. “Assim o jogo é muito mais rápido, há muito mais transições”, exulta, apesar das dificuldades iniciais. “Custou um pouco a adaptar-me, mas gosto de atacar em 35 segundos”, vinca.

O reforço do Caldes para esta temporada chama a atenção para a necessidade de preparação atenta. “Com o jogo mais rápido, os jogadores têm de estar melhor preparados fisicamente, porque vai ter de ser muito mais dinâmico”, alerta. “Espero que a alteração avance, que todas as equipas procurem ir mais à baliza e assim dar mais espectáculo na OK Liga. Que sejam jogos com muitos golos”, deseja

Números não mostram mais golos

Apesar do número de ataques aumentar de forma natural, tal não se reflecte para já, de forma significativa, nos golos obtidos.

Tomando como exemplo a primeira fase da Liga Catalã, com 15 jogos em 2019 e 14 em 2020, a média de golos subiu apenas de 7.3 para 7.8 por partida. Ainda que a amostra seja pequena, e num contexto de pré-temporada com as suas peculiaridades, a escassa diferença registada – meio golo por jogo – “joga” a favor de quem preconiza a manutenção dos 45 segundos de tempo de ataque.

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