Notícia

Os capitães de Sant Sadurní

Oct 10, 2020

Sant Sadurní d'Anoia é uma localidade catalã de cerca de 13 mil habitantes que tem a “cava” (um vinho espumante) como “ex libris” e o Hóquei em Patins como paixão.

Há cerca de quatro décadas, no espaço de um ano, ali nasceram três dos melhores jogadores de todos os tempos. Jordi Bargalló, Pedro Gil e Marc Gual somam entre si nada menos que 15 campeonatos do Mundo e outros tantos europeus, sendo expoentes da invencível armada de Carlos Feriche que ganhou todos os grandes campeonatos entre 2004 e 2013.

Gual, o mais novo dos três, pendurou os patins em 2019. Nunca saiu de Espanha, embora se tivesse chegado a falar do interesse do Sporting na altura em que o abandono – com muitas das suas qualidades intactas - acabaria por surpreender meio mundo. Continua no Barcelona, como delegado, depois de oito temporadas de muitos títulos como jogador.

Jordi Bargalló e Pedro Gil abrilhantam o campeonato português. No jogo grande da segunda jornada, entre Sporting e Oliveirense, os dois 'sadurninences" capitanearam as suas equipas, assumidas candidatas a todos os títulos, nacionais e europeus, em que participam.

Unidos pelo Hóquei em Patins, mas assumidamente de lados distintos da causa da independência catalã, Bargalló e Gil nasceram separados por apenas 143 dias. Jordi nasceu em 1979 e “Pedrito” em 1980, mas tal não impediu que crescessem juntos na formação do Noia, culminando na conquista da Taça CERS em 1998 num plantel em que despontavam também Gual e o guarda-redes Edo Bosch.

Pedro Gil saiu após esse histórico título para uma temporada de amadurecimento no Tenerife. Regressou para mais uma temporada em Sant Sadurní antes de, em 2000, abraçar a aventura portuguesa. Mostrou-se em duas temporadas no Infante Sagres e “saltou” para o Porto em 2002. Representou os dragões até 2007 e regressou – depois de ir a Reus conquistar a Liga Europeia – em 2009 para mais três épocas de azul-e-branco.

Seguiu depois para o campeonato italiano, onde em quatro temporadas conquistou quatro “scudettos”, um pelo Valdagno e três pelo Forte. Em 2016, regressou a Portugal, para o ambicioso projecto do Sporting, tendo agora iniciado a sua quinta temporada de verde-e-branco.

Pela “sua” Espanha, “Pedrito” conquistou sete títulos europeus e seis mundiais. Foram tantos mundiais como Portugal conseguiu depois de 1968, por exemplo. Em quatro dos mundiais e outros tantos europeus, Gil ergueu o troféu com Jordi Bargalló ao seu lado.

A irreverência de Pedro contrasta com a aparente pacatez de Jordi, ainda que em Espanha muitos árbitros se “queixem” de quão “chato” o ex-capitão do Liceo era.

Foi no Liceo que Bargalló se tornou uma lenda. Ali chegou em 2002 para 12 temporadas de “verde”, apenas “interrompidas” por uma passagem por Igualada, entre 2006 e 2008. Seria um momento de afirmação para regressar mais maduro, mais forte. Dominador.

“Desceu” da Galiza a Portugal em 2016, para uma Oliveirense em busca de títulos e este ano “herdou” a braçadeira de Ricardo Barreiros, que capitaneara no Liceo. Para já, uma Taça Continental e uma Taça de Portugal conquistadas ainda sabem a pouco para os lados de Oliveira de Azeméis. E para a ambição de Jordi.

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