Entrevista

«Na equipa sou apenas mais um»

Feb 10, 2015

Reinaldo Garcia chegou ao Porto em 2001 com apenas 18 anos para se tornar num dos melhores jogadores da sua geração. Ao serviço dos azuis-e-brancos, “Nalo” foi sempre campeão – ao longo de seis temporadas – rumando em 2007 à Corunha e ao Liceo para duas épocas a um nível extraordinário. O Barcelona não ignorou o talentoso argentino e garantiu os seus serviços em 2009.

És o estrangeiro mais antigo do plantel do Barcelona. É um estatuto especial?

Sou o mais antigo, mas como já cá estou há muitos anos já nem me lembro disso. Na equipa sou apenas mais um. Sinto-me muito bem aqui, em família, e estou muito feliz por fazer parte.

Entre argentinos, com Pablo Alvarez e Matías Pascual

Chegaste ao Barcelona vindo do Liceo. Quando jogas no Riazor é especial?

É sempre especial quando vais jogar a um clube que já representaste antes. Mas os anos passam. Já lá vão seis anos e o sentimento muda um pouco. Não é como quando jogaste no ano anterior e depois regressas. Já não está tão fresco, mas é sempre especial porque estive lá dois anos e fiz amigos e a cidade é espectacular. Vive-se muito bem na Corunha e fui muito feliz lá. Parece que o Liceo é o clube de onde saem os jogadores argentinos para o Barcelona mas acho que é casualidade [risos].

Vivemos todos para isto. É só jogar e isso torna-nos mais profissionais.

Quais são as principais diferenças entre o Porto de quando chegaste à Europa e o Barcelona de agora?

A grande diferença é o profissionalismo que há no Barcelona. A equipa toda, não só os jogadores mas também o treinador, a equipa médica, são todos profissionais e dedicam-se praticamente apenas à equipa. Entre os jogadores, poucos têm outras actividades para além do hóquei e vivemos todos para isto. É só jogar e isso torna-nos mais profissionais, não só nos treinos mas nos cuidados que temos com a alimentação, em dormir bem... Não sei como é que o FC Porto está a trabalhar agora, mas da minha altura para o que encontrei quando cheguei aqui, essa foi a principal diferença.

No Futebol Clube do Porto

E o público? Os adeptos do FC Porto são muito mais fervorosos do que os daqui…

Sim, isso sim. Tenho de reconhecer que os adeptos não têm nada a ver. Os adeptos vivem aquilo, puxam pela equipa, são mais um jogador. A diferença é que cá as pessoas que vêm ao hóquei, vêm ver um espectáculo. Podem aplaudir, podem apoiar um pouco, mas aquela garra, como em Fânzeres, o que o público nos dava não se vê em mais lado nenhum. São diferentes.

Podem aplaudir, podem apoiar um pouco, mas aquela garra, como em Fânzeres, o que o público nos dava não se vê em mais lado nenhum.

E em termos de hóquei jogado, que diferenças?

Quando vim para Espanha jogar, a maior diferença que encontrei é que o hóquei aqui é muito táctico. Ensaiam-se muitas jogadas de bola parada, é muito pensado, muito estudado. Em Portugal também se estudam jogadas mas a diferença é que em Portugal é mais ir e vir, corre-se muito, mas é mais bonito para o espectador. O jogo português é muito mais lindo que o jogo espanhol, que é muito mais parado, muito mais pensado. Aqui pensa-se muito mais no resultado do que no espectáculo. Mas, ao fim e ao cabo, o que todos queremos é ganhar. E é para isso que temos de trabalhar.

Pensas voltar para jogar em Portugal?

Nunca se sabe [risos]. Porque não? Claro que sim. Penso nisso e também gostava. Nunca fechei a porta e nunca digo que não. Quem sabe?

Porquê o número 57?

Foi um número de que gostei e me deu sorte quando cheguei ao Porto. Na Argentina jogava com o número seis e quando cheguei ao Porto era o número do Reinaldo Ventura. Era evidente que nunca não me iriam dar o número [risos]. E escolhi dois números de que gostava, o cinco e o sete. E juntei-os. Acho que me deu sorte e agora mantenho este número.

Tens algum ritual?

Não. Deixa-me pensar… acho que sou dos poucos aqui que não tem nenhum ritual. Só aquela coisa de calçar o patim esquerdo primeiro, mas acho que nem é por ritual, é instinto.

Com a camisola da selecção das pampas, à espera de um grande Mundial em 2015

E o instinto diz-te que 2015 vai ser o ano do Mundial para a Argentina?

Deus queira que sim. Já era altura. Não sei... Acho que pode ser o ano da selecção argentina pelos jogadores que podem lá estar. E eu também gostava de ser chamado. Os jogadores que podem ser chamados já têm uma maior maturidade e estão no ponto ideal para jogar e ganhar o Mundial.

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