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Não há quem quebre esta maldição

May 18, 2021

E vão 11 finais da Liga Europeia sem vencer. No comando técnico, Guillem Cabestany levou o Porto a três finais consecutivas, mas despedir-se-á dos dragões sem o título mais desejado. A "maldição" levou sempre a melhor... #LigaEuropeia

"Quero dizer publicamente que lamento muito não ter podido ajudar mais para que hoje cada um vocês e o FC Porto acordassem campeões, são seis anos a tentar e não deu. Ainda assim vos digo que com cada um de vocês eu ia ate o fim do mundo e voltar (ainda que fosse para voltar a perder)."

Foi com esta frase que Guillem Cabestany, treinador do Porto, se dirigiu aos adeptos do Porto nas redes sociais esta segunda-feira, consumada a terceira derrota na final em outras tantas edições consecutivas da Liga Europeia. A "maldição" revelou-se mais forte que o engenho táctico e estratégico de Cabestany.

O treinador catalão chegou ao Dragão em 2015 com duas presenças na Final Four da mais importante prova europeia (e mundial) de clubes. As presenças de Vendrell (2014) e Breganze (2015), inéditas e surreais no contexto dos respectivo clubes, davam a Cabestany uma aura de "milagreiro". Mesmo o que o Porto precisava para pôr termo a um "jejum" na Liga Europeia que já ia em 25 anos.

Nas suas duas primeiras temporadas nos azuis-e-brancos, Guillem Cabestany viu o seu Porto cair nos quartos-de-final. Em 2015/16 frente a uma Oliveirense que seria finalista e, em 2016/17, nas grandes penalidades, frente a um Reus que seria campeão.

Moldou o dragão à sua imagem e seguiram-se quatro temporadas em que o Porto realizou todos os jogos possíveis, da primeira jornada da fase de grupos até à ansiada final.

Na soma das últimas quatro edições, incluindo a pretérita (cancelada), o Porto foi a única equipa a realizar o máximo possível de 29 jogos.

Em 2017/18, o Porto passou a fase de grupos com cinco vitórias e apenas um empate, em Vic. Perdeu na Luz na primeira mão dos quartos-de-final por 3-2, mas virou, de goleada (9-2), na segunda, garantindo a presença na Final Four pela primeira vez. E Cabestany pediu a organização do Dragão, apesar de estar bem fresca na memória dos portistas a festa do rival Benfica em 2013.

O Porto ultrapassou o Sporting e encontrava na final o Barcelona, no sexto duelo em finais da "nova" (desde 1996) Liga Europeia. Os blaugrana venceram por 4-2, levando um embargado Cabestany às lágrimas na conferência de imprensa. E, em 2018, o Porto voltaria a defrontar o Barcelona noutras duas finais internacionais. Os dragões perderiam a Continental em Barcelos, nas grandes penalidades, e a Intercontinental, em San Juan, no prolongamento.

Na Final Four de 2019, o Porto ultrapassou o Barcelona nas meias-finais, nas grandes penalidades. Tirado o "maior" obstáculo do caminho, o dragão não conseguiu no entanto contrariar a maldição e um vigoroso leão, transcendental perante o seu público. Os azuis-e-brancos perderiam essa final por 5-2 e voltariam a perder, em Setembro, no mesmo palco, com o mesmo adversário, a Taça Continental.

Na pretérita temporada estava assegurada a presença nos quartos-de-final da Liga Europeia, mas a pandemia impediu os dragões (e todos os outros já apurados) de irem mais longe.

Esta época, na reduzida e adaptada Liga Europeia, apenas três jogos colocaram o Porto em nova final. No quarto jogo, na partida decisiva, o Porto esteve a vencer por 2-0. Ansioso, recuou, alheando-se do dinamismo que é marca de Cabestany, e deixou fugir a vantagem. Acabaria por ceder, novamente frente ao Sporting, no prolongamento.

Para a História ficarão seis temporadas de Guillem Cabestany à frente do Porto na Liga Europeia, num total de 45 jogos, com 29 vitórias, nove empates e apenas sete derrotas (duas delas a custarem finais) nos 50 minutos regulamentares.

No tempo regulamentar, o Porto de cunho catalão marcou 247 golos e sofreu 115. Defrontou 19 equipas e, em tempo regulamentar, só tem saldo negativo com a Oliveirense (uma vitória e duas derrotas). O Barcelona foi a equipa que calhou em sorte mais vezes, em seis ocasiões, e o Porto venceu três vezes e empatou uma.

Mas não acabou com a maldição...

A maldição da Liga Europeia

A 23 de Junho de 1990, tinha Guillem Cabestany completado 14 anos um mês antes, o Porto conquistava a sua segunda Taça dos Campeões Europeus. Derrotou na final, a duas mãos, o Noia (onde Cabestany estava nos escalões de formação) com duas vitórias por 6-0 e 2-5. José Fernandes era o treinador e um dos guarda-redes (o habitual suplente) era Paulo Freitas.

Era a 25ª edição da então Taça dos Campeões Europeus, que se realizaria mais seis temporadas com eliminatórias sucessivas a duas mãos antes de dar lugar à Liga Europeia.

Em 1996, arrancou o novo modelo competitivo, a Liga Europeia.

E o pesadelo do Porto agudizou-se.

Só o Barcelona chegou a mais finais (13) que o Porto (11) nas 24 edições da Liga Europeia. O Barcelona venceu 12, o Porto nenhuma...

Logo na primeira edição, o Porto - comandado por Vítor Hugo - chegou à final. Perdeu nas grandes penalidades, com o Barcelona. Dois anos volvidos, voltava a perder na lotaria das grandes penalidades, então com o Igualada, na "despedida" de António Livramento, que nos deixaria cerca de um mês depois desta final, com apenas 55 anos. Mais um ano, mais uma final. Agora no Porto, no Rosa Mota, mas com nova derrota dramática. No prolongamento, o Barcelona venceu. Ou seja, nas quatro primeiras edições da Liga Europeia, o Porto chegara três vezes à final, sem glória.

No total de 24 finais já disputadas na Liga Europeia, os dragões estiveram na partida decisiva por 11 vezes, contando com a inusitada liguilha a quatro de 2006. Ou seja em praticamente metade. E - com Vítor Hugo, Livramento, Cristiano, Franklim, Tó Neves ou Cabestany - não venceram nenhuma. Só o Barcelona esteve em mais finais, em 13, e destas, em clara oposição à maldição azul-e-branca, venceu umas impressionantes 12.

O Porto perdeu três destas 11 finais no prolongamento (com Barcelona, Benfica e, agora, Sporting) e duas nas grandes penalidades (as já citadas frente a Barcelona e Igualada), sendo derrotado por Barcelona (1997, 2000, 2004, 2005, 2014 e 2018), Igualada (1999), Follonica (2006), Benfica (2013) e Sporting (2019 e 2021).

As 11 finais alcançadas em 24 edições da Liga Europeia, por treinador, foram as seguintes:

Vítor Hugo

• 1997 • vs. Barcelona • 4-3 (gp) • Barcelona

António Livramento

• 1999 • vs. Igualada • 6-5 (gp) • Igualada

Cristiano Pereira

• 2000 • vs. Barcelona • 3-2 (prol.) • Porto (Rosa Mota)

Franklim Pais

• 2004 • vs. Barcelona • 3-0 • Viareggio

• 2005 • vs. Barcelona • 3-2 • Reus

• 2006 • vs. Follonica • liguilha • Torres Novas

Tó Neves

• 2013 • vs. Benfica • 6-5, prol, golo de ouro • Porto (Dragão Caixa)

• 2014 • vs. Barcelona • 3-1 • Barcelona (Palau Blaugrana)

Guillem Cabestany

• 2018 • vs. Barcelona • 4-2 • Porto (Dragão Caixa)

• 2019 • vs. Sporting • 5-2 • Lisboa (João Rocha)

• 2021 • vs. Sporting • 4-3 (prol.) • Luso

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