Notícia

Doses 'gourmet' do melhor Hóquei em Patins

May 25, 2021

Em pleno "espectáculo" do play-off, os jogos vão escasseando, com grandes figuras a ficarem demasiado cedo longe dos palcos. No "melhor campeonato do Mundo", sabe a pouco. #Opinião #PrimeiraDivisão

Que não haja qualquer dúvida quanto à espectacularidade do play-off. O pedido de implementação do modelo só pecou por ser feito em ano de pandemia e incerteza, culminando em pavilhões vazios ao longo de toda a temporada.

Mas, agora que o play-off nos é servido, satisfaz ou sabe a pouco?

Em Espanha toda a gente quer play-off, porque, em regularidade, o Barcelona ganha sempre. Poucas vozes se ouviram em prol do play-off quando o Liceo ia na frente e, no entanto, para "nuestros hermanos" mais esquecidos, é bom recordar que, quando houve play-off, o Barcelona também ganhou sempre. Se já é difícil uma equipa vencer um dos dois jogos que tem com os blaugrana na fase regular, quantas conseguiriam vencer dois numa série à melhor de três ou três numa série à melhor de cinco? "Mas na série o Barcelona pode estar num mau momento, ou ter muitos lesionados. Quiçá, ter um surto de CoViD!". Verdade. E "iupi!", viva o espírito desportivo!

Em Portugal não há um candidato a "abater". Há cinco candidatos. Há muitos "galos" para um poleiro, com investimentos avultados. O play-off deixa de premiar a regularidade (que o diga, para já, o Porto) e é decidido em "mata-mata". Como a Taça de Portugal. Como a novel Taça 1947. Ou seja, três provas em que se premeia o "momento".

O apelidado "melhor campeonato do Mundo", aquele que mais projecção dá à modalidade aquém e além fronteiras, tem figuras que não podem ser colocadas cedo na prateleira, que têm de estar em pista, a competir, e a mostrar o seu talento até que a temporada termine.

No fecho dos quartos-de-final, a 5 de Maio, houve um jogo. A 8 de Maio, começaram as "meias". Houve um jogo no Dragão Arena e outro no João Rocha. As meias-finais regressaram passadas duas semanas para os mesmos dois jogos, que, pasme-se, em ano em que toda a gente é um potencial telespectador, tiveram de ter horários sobrepostos. Esta quarta-feira volta a haver as mesmas duas partidas (mudam os palcos), agora exactamente à mesma hora!

Nas meias-finais, há potencialmente mais três jogos, culminando no afastamento de mais duas equipas. Que, especule-se, até podem ser as duas finalistas das últimas últimas edições da Liga Europeia.

Promete-se um clímax competitivo e mediático na final, mas a atenção dos media já estará comprometida. Haverá um jogo a 6 de Junho, outro a 10 e outro a 13. Se houver necessidade, haverá quarto jogo uma semana depois, a 20 e, volvida mais uma longa semana, "negra" a 27. Entretanto, a 11 de Junho arrancará o Europeu de futebol que, certamente, açambarcará páginas e recursos da imprensa.

Por exemplo, para os jornais desportivos diários, haverá interesse em fazer cinco vezes consecutivas a antevisão - que nem até aqui têm feito - de um mesmo embate? E segue-se o rescaldo de cinco embates com os mesmos protagonistas da antevisão. E será ainda "pior" se, a confirmar-se a tendência dos dois primeiros jogos, na final estiverem duas equipas de Lisboa. Porque aos mesmos protagonistas, juntam-se, no mesmo espaço geográfico, sempre os mesmos jornalistas.

Na discussão do play-off, vem muitas vezes à baila a NBA. Um exemplo de sucesso desportivo e de marketing. A final do campeonato norte-americano de basquetebol tem sete jogos, mas, com arranque previsto para 8 de Julho e fim a 22, são sete jogos em 15 dias. A final é vivida consecutivamente, praticamente um só momento. Ao longo da longa final do Campeonato Nacional da I Divisão haverá demasiado tempo para pensar nas ausências, nos craques que já estão a descansar, no espectáculo que podia haver em pista e noutras pistas.

É o melhor Hóquei em Patins do Mundo, mas servido em doses gourmet.

Experimentámos.

É bom, mas sabe a pouco.

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