Notícia

O quarto campeão de 2003 em Viana

Jul 29, 2021

O acordo com Reinaldo Ventura eleva para quatro o número de campeões do Mundo de 2003 a vestirem a camisola da Juventude de Viana. Apenas Óquei de Barcelos e Benfica tiveram mais jogadores dessa histórica selecção. #Mercado #PrimeiraDivisão

A Juventude de Viana apresentou esta quarta-feira Reinaldo Ventura como reforço para a próxima temporada. Aos 43 anos, Reinaldo torna-se mais uma grande figura do Hóquei em Patins a vestir a camisola do clube vianense fundado em 1976.

Com "meros" 44 anos completos, a Associação Juventude de Viana não tem o arcaboiço etário para ombrear com outras referências do Hóquei em Patins nacional, mas já viveu épocas dignas de registo, com grandes nomes da modalidade. Por exemplo, Reinaldo Ventura, agora reforço, será o quarto de uma histórica selecção campeã do Mundo em 2003.

Uma selecção histórica

Em 1993, Portugal sagrou-se bicampeão do Mundo, no seu 14º título contra "apenas" 10 títulos do arqui-rival país vizinho, mas não conseguiu consolidar essa hegemonia. A Argentina (1995 e 1999) e a Itália (1997) intrometeram-se no duelo ibérico e a Espanha conquistaria o seu 11º título em 2001. Quando arrancou o 36º Campeonato do Mundo em 2003, em Oliveira de Azeméis, já era - desde o primeiro título mundial português em 1947 - o maior hiato luso sem erguer um troféu.

Era enorme a responsabilidade, e o grupo ás ordens de Vítor Hugo foi heróico, levando a 4 de Outubro à loucura um repleto Pavilhão Dr. Salvador Machado numa final com a Itália decidida com um golo solitário de Pedro Alves.

Essa selecção nacional de 2003 entraria para a história como a que - à data - colocava termo ao maior "jejum" de conquistas. Mas também por ser aquela que o título perduraria mais tempo como o último português. Foi preciso esperar 13 anos por uma nova grande conquista (em 2016, novamente na talismã Oliveira de Azeméis) e 16 por novo título mundial (em 2019, em Barcelona).

Campeões em Viana

O ano de 2003 foi o do 15º título mundial português, mas também o do regresso da Juventude de Viana à I Divisão, longos 11 anos depois da descida. Sob a presidência de Viana da Rocha, os vianenses ficaram na então Poule A - reservada aos seis mais bem classificados - e, em 2004, chegou Paulo Almeida, o primeiro dos mundialistas de 2003 a chamar casa ao então Pavilhão Municipal de Monserrate, Pavilhão Municipal José Natário, em homenagem a um dos sócios-fundadores do clube, desde Dezembro de 2019.

Paulo Almeida jogou seis temporadas na Juventude de Viana e, em 2008, reencontrou outros dois campeões do Mundo de 2003. No auge do investimento de António Longarito, a Juventude de Viana já fora terceira em 2007/08 e olhava ainda mais para cima com reforços vindos de além-fronteiras. Com Luís Viana (ex-Bassano, Itália) e Pedro Alves (ex-Liceo, Espanha) a juntarem-se a Paulo Almeida, a Juventude de Viana seria duas vezes vice-campeã nacional com um plantel que contava também, entre outros, com Didi. O internacional brasileiro despontou no Porto e chegou a representar o Barcelona (em 1997/98), tornando-se a maior referência do seu país na modalidade.

Em 2010, Paulo Almeida, Luís Viana e Pedro Alves deixaram de uma assentada Viana do Castelo e, no termo desse campeonato, a equipa, com Longarito de saída da presidência, desceria à II Divisão.

Regressaria dois anos depois, para não mais descer. O agora treinador André Azevedo (de regresso em 2015 e até 2018) e Tó Silva (2015 a 2019) foram basilares na consolidação da posição entre os grandes. Em 2016, o agora seleccionador nacional Renato Garrido assumiu as rédeas da equipa e levou consigo outro consagrado, o decampeão Edo Bosch, para uma derradeira temporada nas pistas.

O quarto campeão

Reinaldo Ventura será, depois de Paulo Almeida, Luís Viana e Pedro Alves, o quarto campeão do Mundo de 2003 a vestir a camisola da Juventude de Viana, algo que coloca o emblema minhoto no patamar de Porto (representado por Filipe Santos, Pedro Alves, Reinaldo Ventura e Ricardo Figueira) e Sporting (Luís Viana, Paulo Almeida, Pedro Alves e Ricardo Figueira).

Representados por mais jogadores que Juventude de Viana, só mesmo Óquei de Barcelos e Benfica.

O Benfica foi representado por João Miguel, Luís Viana, Paulo Almeida, Ricardo Pereira e Sérgio Silva, mas os seus cinco campeões ficam ainda assim aquém dos seis do auto-intitulado "Maior de Portugal", o Óquei Clube de Barcelos.

Pelas fileiras dos barcelenses passaram Guilherme Silva, Luís Viana, Paulo Almeida, Pedro Alves, Reinaldo Ventura e Sérgio Silva.

A Juventude de Viana

Fundada em 1976, a Juventude de Viana juntar-se-ia ao mundo do Hóquei em Patins no ano seguinte, e não tardou a escalar até à categoria máxima. Estreou-se entre os maiores da modalidade em Portugal em 1980 (temporada de 1979/80) e lutou pelos lugares cimeiros com referências como os irmãos António e Fernando Gomes da Costa. Em 1984, antes do Porto lhe "roubar" o promissor guarda-redes Franklim Pais (que chegara em 1981), conseguiria um terceiro lugar.

Desceu à II Divisão em 1989, mas regressaria no ano seguinte como campeã da categoria secundária. No entanto, desta feita, por pouco tempo. Regressou à II Divisão em 1992 e apenas 11 anos depois lograria estar de volta ao convívio dos grandes.

Consolidou-se na I Divisão sob a presidência de Viana da Rocha. Depois, com o forte investimento de António Longarito, foi terceira em 2008 e vice-campeã em 2009, em duas temporadas com play-off. Já sem play-off, voltaria a ser "vice" em 2010.

Mas, do céu ao inferno, seria um ápice. Apenas um ano depois do segundo vice-campeonato consecutivo, mergulhou num vazio directivo e numa crise desportiva e não evitou a relegação. Rui Natário assumiu a presidência do clube num projecto sólido, sem loucuras, e a equipa regressou ao escalão maior em 2013, como campeã nacional da II Divisão, e tem navegado pelo meio da tabela, sem se intrometer na discussão do título, mas garantindo, sem grandes sobressaltos, a manutenção.

O ano de 2021 fica marcado pela saída de Rui Natário, sendo substituído - não sem antes alguma indefinição - por Tiago Alvadia. A aposta em Reinaldo Ventura deverá catapultar a Juventude de Viana para outras lutas, num ano em que deve regressar também às competições europeias.

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