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Infante Sagres

Apr 15, 2014

A temporada de 2003/04 foi atípica para Benfica e Infante Sagres. Habituados a lutar pelos lugares cimeiros e com planteis repletos de individualidades, a crise financeira abateu-se sobre os dois emblemas. Se o Benfica recuperou, o Infante só por uma vez voltou a estar entre os primodivisionários, em 2011/12, voltando a descer na mesma época.

A 12 de Junho de 2004, em jogo a contar para a décima jornada da Poule B do Nacional da I Divisão, o Benfica recebeu e venceu o Infante Sagres, em casa emprestada, por 6-5. “O jogo foi no dia da inauguração do Euro 2004, daí ter-se realizado na Amadora”, recorda ao HóqueiPT Ricardo Silva, guarda-redes que despontava na baliza do Infante.

A foto mostra Ricardo Silva na baliza e Gustavo Vidal na marcação a Mariano Velasquez. Os jogadores do Infante eram seniores de primeiro ano. “Foi uma época importante por podermos jogar contra os melhores e aprender, mas foi menos boa para o Infante Sagres por não termos conseguido a permanência”, lamenta o guardião.

“Infelizmente, o Infante ficou sem o principal patrocinador e entrou numa crise financeira de que ainda está a tentar recuperar. Por esse motivo, perdeu todos os jogadores da época anterior e apostou numa mescla de juventude com experiência. Metade da equipa eram jogadores dos juniores que subiram a seniores e os restantes eram jogadores mais velhos, com alguma experiência na I Divisão”, relembra Gustavo Vidal. E, a agravar, o grupo não se manteve ao longo do ano. “Por variadas razões, os jogadores mais velhos foram abandonando o clube, o que fez com que acabássemos a época maioritariamente com jogadores de primeiro ano de sénior”, explica Gustavo. “O clube recorreu aos juniores e até a um juvenil”, completa o guardião internacional português.

O Infante terminou a época de 2003/04 como lanterna vermelha do campeonato, depois de ter terminado em quarto na anterior.

Sobre o jogo, fica a memória de terem lutado até ao fim. “Matematicamente já tínhamos descido, mas fizemos mais um grande jogo”, orgulha-se Gustavo Vidal. “O Benfica, que também estava em dificuldades, lutava pela manutenção e precisava daquela vitória. Mas contavam com José Carlos, Mariano Velasquez, Alan Karam, entre outros, o que demonstra a qualidade do campeonato naquela época”, frisa Gustavo Vidal. “Acabaríamos por perder esse jogo já na recta final, com um golo do Mariano”, detalha Ricardo Silva.

O desfecho da época não foi o desejado. “Descemos de divisão”, diz friamente Gustavo Vidal. “Poderíamos e deveríamos ter feito mais, mas o clube vivia um momento muito complicado e foi a época possível. Julgo que acabámos por dignificar a camisola do clube, com algumas vitórias contra equipas dos lugares cimeiros e dando sempre luta em todos os jogos”, congratula-se. “Muito do que conseguimos de bom deveu-se à fantástica época que o Ricardo fez, que revelou o grande guarda-redes que é actualmente”, reconhece.

Em 2002/03, o Infante tinha nos seus quadros, entre outras figuras, Miquel Masoliver e Luís Viana. Pedro Gil e Lluís Teixidó tinham saído no final da época anterior.

No final de 2003/04, os jogadores não continuaram juntos. Mas a amizade ficou. “Foi o meu último ano a jogar ao lado do Gustavo. Mais do que um amigo, foi um irmão com quem tive o privilégio de jogar desde os infantis até aos seniores”, revela Ricardo Silva. “Apesar da separação a nível desportivo, raramente estamos três dias sem falarmos um com o outro. É sem dúvida um grande apoio, nas minhas conquistas mas também nas minhas derrotas”, confidencia-nos o guarda-redes.

Pese a descida do Infante Sagres, Ricardo Silva viu a sua boa época reconhecida e ingressou na Juventude de Viana, onde permaneceu durante cinco épocas, granjeando honras de selecção nacional. Em 2009 rumou ao Benfica numa das transferências mais mediáticas à época, onde, em quatro anos, ganhou tudo o que havia para ganhar. No início desta temporada, regressou ao Minho, para reforçar o Óquei de Barcelos.

Gustavo Vidal acompanhou o Infante Sagres na descida mas na época seguinte voltou à I Divisão, com as cores do Cambra. Quatro épocas depois, sempre com o Cambra na I Divisão, regressou ao Infante para uma temporada na II. Ingressou depois no Gulpilhares em 2010/11, onde permaneceu três épocas até que as dificuldades económicas do clube gaiense o levaram a sair. Esta época reforçou o Carvalhos.

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