Entrevista

Luís Botelho e o pleno do Braga

May 17, 2014

Se o Benfica é a única equipa a sul a colocar quatro equipas na segunda fase dos diferentes nacionais dos escalões de formação, a norte apenas o Braga consegue igualar a proeza. O HóqueiPT foi falar com Luís Botelho, presidente do Hóquei Clube de Braga, SAD.

HóqueiPT: Como é apurar todas as equipas para a segunda fase?

Luís Botelho: Já estamos habituados. No fundo é uma sequência daquilo que tem acontecido nos últimos anos. Nos últimos cinco ou seis anos, temos sempre três ou quatro equipas na segunda fase e andamos sempre a lutar pelas Final Four.

HPT: Quais são as perspectivas?

LB: Para a segunda fase temos boas perspectivas de atingirmos algumas Final Four. Se me perguntar quais são as perspectivas de sermos campeões aí já lhe digo que não tenho grandes perspectivas. Depois daquilo que se passou na final do ano passado em juniores não tenho grandes perspectivas de vitória. Não é pelo valor. Temos boas equipas, bons atletas, mas… Deus queira que me engane. Vamos ver como corre.

A final de juniores de 2012/13 ficou marcada pela contestação bracarense

HPT: Este projecto é muito associado ao trabalho do Vítor Silva…

LB: O projecto é do HC Braga. O Vítor Silva saiu – esteve nos Açores – e o projecto continuou. O ano passado estivemos em duas Final Four. Sem dúvida que o Vítor tem muito a ver com este projecto da formação do Braga e só com a qualidade dos técnicos como nós temos – coordenados pelo Vítor – é que conseguimos atingir os resultados que atingimos.

A formação do Braga é garantida pelos técnicos Filipe Carneiro (iniciação), Vítor Silva (infantis, iniciados e juvenis) e André Torres (juniores)

Recentemente o Rodolfo Sobral foi chamado à Selecção para a Taça Latina. É o futuro dono da baliza do Braga?

O Rodolfo é ainda júnior e o Guilherme [Silva] é como o vinho do porto: quanto mais velho, melhor. O Rodolfo tem todas as possibilidades, se souber aproveitar as oportunidades que lhe dão, de ser um futuro grande guarda-redes. Só depende dele. Agora é um privilégio para o Rodolfo estar a trabalhar com o Guilherme.

O Hélder Nunes é uma bandeira da formação do Braga?

LB: O Hélder é um exemplo. É um miúdo fantástico, um grande jogador a todos os níveis, é um fora-de-série. Foi formado e orientado no Braga e nós temos muito orgulho nisso porque se o Hélder não fosse bem orientado e bem formado, hoje não seria o jogador que é. Não há palavras para o descrever e vai ser num futuro próximo um dos melhores jogadores do mundo e sabemos que contribuímos muito para isso.

Há três anos estávamos a disputar a Final Four da Taça CERS com o Hélder a titular e era juvenil nesse ano. Tínhamos o Hélder, o Rafa, o Henrique Magalhães, o Filipe Miranda e o Jorge Faria. Tínhamos cinco miúdos praticamente juniores e chegámos á final com o Bassano. Perdemos nos penaltis. E o Hélder, com a idade que tinha, fez uma Final Four memorável, de outro mundo. É uma referência para nós em termos de formação, é pena que não haja mais…

Hélder Nunes na Final Four da Taça CERS em 2011, com 17 anos

HPT: Mas têm bons valores…

LB: Na selecção de Sub-17 e Sub-20, nesta última convocatória [ndr: para os centros de treino], temos 6 atletas. Somos o clube com mais atletas nas selecções e temos em Braga mais com qualidade. Fenómenos à Hélder Nunes não… mas temos jogadores muito acima da média.

Nestes últimos anos os miúdos vão-nos bater à porta. Não vamos buscar miúdos ao Porto, nem coisa que se pareça, nem abaixo do Porto. É maioritariamente de Braga, Barcelos, Riba d’Ave ou Famalicão e temos boas equipas.

E temos uma base muito grande nesta altura. Temos cerca de 60 miúdos nas escolinhas. É uma consequência dos resultados e de tudo o que se tem feito nos últimos anos e, naturalmente, vai-se crescendo.

HPT: O Miguel Vieira (Vieirinha) é a referência actual da formação?

LB: O Vieirinha está a ter o percurso que outros jogadores vão ter no Braga. Sobressaem, ele está na selecção de sub.20 também já é uma referência na selecção. Dão-lhe oportunidades, está bem orientado e tem treinadores que apostam nele e sabem quando o devem por a jogar e portanto também é uma bandeira para todos os outros que lá estão que sabem que se trabalharem e tiverem valor também vão jogar na equipa sénior.

O HC Braga conta nos escalões jovens apenas com um título de Campeão Nacional. Foi conquistado em 2010/11 no escalão de Iniciados, com a Final Four a ter lugar em Castro Verde.

HPT: Que jogadores, a curto prazo, podem afirmar-se nos seniores?

LB: Temos o Gabi ou o Miguel Castro, que ainda agora esteve com a selecção de Sub-20. Temos o Rodolfo ou o Miguel Vieira mas qualquer jogador desta geração de juniores pode perfeitamente chegar à equipa sénior. São jogadores que têm andado nas Final Four de juvenis e de juniores e têm andado a competir a um nível muito alto. Nesta altura, qualquer jogador dos juniores do Braga pode jogar nos seniores.

A grande diferença do Braga para os outros é que os outros têm muita formação mas olha-se para os seniores e não se vê lá ninguém. No Braga estão três ou quatro que fazem ou fizeram parte da nossa formação. Alguns até são juniores. A diferença é essa. Nós formamos e aproveitamos. Os outros não dão sequência àquilo que fazem. No Braga não é, nem há-de ser assim. Só faz sentido que as coisas sejam assim, até porque em termos financeiros as coisas não estão fáceis.

O golo do único título do Braga, em 2010/11, obtido no prolongamento por Miguel Vieira

HPT: Quais são as principais dificuldades da presidência?

LB: São em termos financeiros. É angariar o máximo de valor para que as coisas rolem. Tirando isso, o clube está bem organizado. Tenho bons técnicos, tenho uma boa estrutura, uma boa retaguarda. Cada um sabe o papel que deve desempenhar e, quando assim é, não há nada de extraordinário no trabalho que estou a fazer. Há no início um trabalho de estruturar cada um dos sectores mas depois é deixar rolar porque tenho gente muito boa em cada uma das áreas que deve actuar. Trabalhamos muito tendo como base os orçamentos. Somos rigorosos e têm sido cumpridos, quer a nível de custos, quer de proveitos.

HPT: Como vê o hóquei em patins em Portugal?

LB: Estamos bem a nível de selecções e, no fundo, a nível desportivo. A modalidade está a viver uma boa fase mas continuamos, quanto a mim, a não saber divulgar nem valorizar a nossa modalidade.

Abrimos os jornais e vemos as outras modalidades com espaços e com retornos muito maiores do que os nossos porque sabem divulgar. Há outra comunicação e, nesse aspecto, acho que continuamos a perder.

Em Portugal as pessoas gostam de hóquei, não tenho duvidas nenhumas disso. Ando pelo país com os seniores e a formação e vemos pavilhões muito bem compostos, com muita gente, e acho que não sabemos transmitir isso cá para fora.

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