Entrevista

Alex parte magoado com Os Tigres

Aug 26, 2015

Alexandre Andrade será em 2015/16 mais um dos emigrantes do hóquei em patins português.

Formado no Parede, onde alinhou entre os 5 e os 15 anos, e Paço de Arcos, onde acabou a formação e deu o salto para os seniores, Alex rumou depois a Oeiras para duas épocas. Em 2012 apostou no projecto primodivisionário d’Os Tigres mas a equipa foi relegada à II Divisão. O clube almeirinense voltou logo no ano seguinte ao convívio dos grandes, com o título de campeão da II Divisão mas, na época finda e mais uma vez, não conseguiu garantir a manutenção, ficando também a mágoa pela forma como o clube é gerido.

Aos 27 anos, a aposta é agora na Alemanha e no Darmstadt, onde será treinado por Hugo Gaidão, seu ex-treinador n’Os Tigres.

Uma aventura no estrangeiro... porquê agora e porquê a Alemanha?

O convite para ir jogar para a Alemanha foi, de todos os que me foram apresentados, aquele que se demonstrou mais apelativo e que envolvia uma perspectiva de futuro mais sólida e robusta. O “agora” prende-se com isso mesmo... um convite que surgiu numa fase de necessidade de renovação da minha vida profissional e desportiva.

Quais são os teus objectivos com o Darmstadt?

Em termos desportivos, os meus objectivos passam por auxiliar a equipa do Darmstadt a melhorar a classificação do ano anterior, ampliar a cultura desportiva e participar na Taça CERS, que para mim é uma novidade. Para além disso, pela primeira vez irei ser treinador - de duas equipas -, o que é muito motivador.

É uma passagem ou um projecto a longo prazo?

Um ano de cada vez. Mas a intenção é ficar por muitos anos. É um projecto de vida, um plano a longo prazo.

É um projecto de vida.

Bereits Deutsch sprechen?

Ich lerne Deutsch.

[“Já falas alemão? Estou a aprender…”]

Sempre jogaste nos clubes da Linha, perto de casa. O que te levou a juntares-te a'Os Tigres?

Na altura, o convite para me juntar a'Os Tigres surgiu do mesmo treinador que me convidou agora a ir para Darmstadt [ndr: Hugo Gaidão]. Era um clube que jogava na I Divisão e a equipa era composta por um plantel que me era bastante familiar. De facto, muitos jogadores já tinham sido meus colegas noutras equipas em épocas anteriores. Nesse ano visou-se a formação de uma equipa sólida, cujo objectivo era continuar junta nos anos seguintes, como veio a acontecer.

2012/13, primeira época ao serviço d’Os Tigres

Deixas Os Tigres, uma equipa assombrada por dificuldades financeiras e que tem sido de “sobe e desce”, ao fim três de temporadas... O que falta para a afirmação definitiva na I Divisão?

N'Os Tigres falta cultura desportiva. A cidade de Almeirim adora o Hóquei, os adeptos são excepcionais e a claque é incansável, apoiando-nos sempre, quer em momentos de sucesso quer perante as diversas adversidades.

No final desta época deixei Os Tigres de uma forma que nunca pensei deixar: perante uma ingratidão enorme vinda dos responsáveis do Clube. A cultura desportiva e a organização do clube estava muito debilitada e frequentemente mascarada e compensada pelo esforço, empenho e dedicação dos jogadores e adeptos.

A questão passa pela falta de honestidade e clareza com que fomos tratados

A mesma equipa sólida que durante três épocas sustentou o clube e os seus sucessos foi agora menosprezada. Nós, jogadores, fizemos muitos esforços para que a equipa e o clube continuassem a ser representados, como por exemplo investir dinheiro pessoal no transporte da equipa, mesmo tendo os nossos salários em atraso.

As dificuldades financeiras estão patentes n'OsTigres e em muitos outros clubes, e aquilo que nos aconteceu acontece a muitos outros, daí a importância destes problemas serem salientados. A questão aqui passa pela falta de honestidade e clareza com que fomos tratados. Muitas vezes foram feitas promessas que à partida já não pretendiam cumprir. O valor que nos era pago não era muito, mas para uma boa parte da equipa fazia a diferença. Acima de tudo, mais do que jogadores, somos pessoas.

Último jogo pel’Os Tigres, na Luz

Perante as dificuldades, em vez de sinceridade, fomos presenteados por ausência de resposta ou por respostas agressivas. Mesmo aqueles que foram auxiliados por nós para entrarem no clube, voltaram-nos as costas no momento em que os problemas começaram a surgir. E este é um dos principais motivos pelo qual Os Tigres têm dificuldades em afirmar-se e vingar na I Divisão.

Um clube deve ser coeso, desde os jogadores até ao seu maior responsável. As dificuldades devem ser apresentadas e resolvidas de forma clara, para que todos possam dar o seu melhor na resolução das mesmas. Enquanto os responsáveis não assumirem devidamente os problemas e a sua parte neles, o clube estará sempre sujeito a oscilações.

Quais as recordações que queres guardar da passagem por Almeirim?

Guardo todas, as melhores e as piores. Umas e outras constituíram uma grande aprendizagem para mim. Claro que a descida de divisão em Ponte de Lima me marcou muito, assim como ser campeão nacional na Póvoa do Varzim com quatro jogadores de campo e um guarda-redes, o que foi um feito excepcional. Curiosamente, nenhum desses cinco jogadores que jogaram se encontra agora n'Os Tigres.

Obviamente que levo também memórias fantásticas, como a atenção e carinho incondicionais dos adeptos e da claque. Em particular, deixo um grande amigo n'Os Tigres, o João Simões, fisioterapeuta da equipa que nos apoiou em todos os momentos e partilhou connosco as alegrias e tristezas.

Em suma, desejo todo o sucesso ao Clube, e só ao Clube.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade