Opinião

Na luz renasce a «Pareja de Oro»

Sep 08, 2015
Marc Libiano

Marc Libiano Pijoan, jornalista desportivo actualmente no Diário de Tarragona. Apaixonado pelo desporto em geral e pelo hóquei em particular.

Apenas quinze quilómetros separam Tordera de Maçanet, duas povoações unidas por uma enorme cultura de hóquei. O seu bom gosto na hora de tratar da formação gerou-lhes enormes talentos. Nas suas academias nasceram as lendas, Marc Torra e Jordi Adroher. Partilham caminhos paralelos e uma amizade inseparável. Frutos da extraordinária colheita de 84, viveram as suas “brigas” próprias de miúdos. Faziam faísca nos derbies das camadas jovens. Encontravam-se na pista e desafiavam-se. Torra costumava sair vencedor, mas mesmo assim o seu parceiro não desistia.

Naqueles frente-a-frente já se percebia a paixão pelo ataque. Falamos de avançados superdotados em capacidade técnica. Adroher, mais académico nos movimentos. Um cirurgião perfeito. Os seus fundamentos doutrinam as crianças. Torra, anatomicamente mais forte, acrescenta físico ao seu repertório de virtudes. Os “hermanos”, como eles se conhecem, fazem parte do restrito clube de especialistas do um-contra-um. Daqueles jogadores que rapidamente deslumbram.

Jordi Adroher

A semente desta relação especial floresceu na seleção. Sobretudo no Campeonato do Mundo juvenil em 2002, em Viña del Mar (Chile). Catxo Ordeig convocou-os juntamente com Cantarero, Casanovas e Carbó, entre outros. Todos com um presente consolidado na elite da modalidade. Espanha apontou ao título com uma enorme superioridade. Venceu na final a anfitriã por 1-5. O Chile rendeu-se à magia de Torra e de Adroher. Batizou-os como a “Pareja de Oro” [A dupla de Ouro]. O de Tordera, Marc, com 29 golos, foi o artilheiro máximo. No dia decisivo, os pequenos génios bisaram. A progressão daqueles miúdos estava imparável.

O Lloret serviu-lhes de trampolim para o salto para a OK Liga. A montra mais luxuosa. Ali encontraram-se novamente com Carbó e o prestigiado “arquero” Jaume Llaverola. O Barça não tardou a deitar-lhes a mão. Contratou-os e emprestou-os ao Vic para que amadurecessem numa equipa com valor e palmarés. Com Ferran Pujalte como treinador, ganharam a Copa do Rei na Corunha em 2009. Nesse Verão, Adroher deu o salto para o poderoso FC Barcelona. O parceiro segue-o um ano mais tarde. Entretanto já tinham ganho a admiração dos especialistas. Tinham cumprido expectativas. As que aqueles “diabos” tinham criado no Chile.

Marc Torra

Adroher, com mais vaivéns de rendimento, continuou o seu percurso no Reus (2011-14) e Breganze (2014-15), mas já namorava o Benfica há muito tempo. Torra terminou o seu périplo de blaugrana este Verão, pouco depois do nascimento do seu primeiro filho, Marc, e precisava de superar a perda do seu pai.

O destino dá-lhes refúgio agora num cenário único como a Luz, a casa do Benfica. A “Pareja de Oro” poderá exibir o seu talento no berço da improvisação, do hóquei imaginativo. O das almas livres e sem correntes. O seu hóquei.

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