O herói improvável

O herói improvável

Quando Monica Balsells (presidente) e Toni Sanchez (director-desportivo) esboçaram o novo Reus não faltavam estrelas. Pedro Henriques e Marc Torra chegavam do Benfica coroados campeões europeus, Alex Rodriguez era a promessa vinda do Voltregà e Albert Casanovas regressava a casa com dois anos de experiência do hóquei português e como finalista da Liga Europeia. Da "casa" estavam o capitão Raul Marin e o campeão do Mundo Matías Platero. E a estes seis juntavam-se os jovens Marc Olle (que até tivera algum protagonismo na pretérita temporada), Sergi Torné e o guarda-redes Davi Toda. E Joan Salvat.

Salvat não era propriamente um desconhecido. Natural de Reus, estreou-se na equipa principal muito jovem, na já longínqua temporada de 2010/11. E em 2014 defendeu as cores da Espanha na Taça Latina em Viana do Castelo. Faltava-lhe, no entanto, a afirmação.

Na constelação de estrelas que é o Reus deste ano, começou a conquistar cedo o estatuto de primeira opção do banco, até em detrimento do mais conceituado Alex Rodriguez. Na primeira prova do ano, a Liga Catalã, assumiu o papel de herói. O Reus venceria na final por 3-1, com dois golos de Salvat.

Era a surpresa, apontado como se tivesse apanhado os adversários distraídos com os outros e desprevenidos para a sua voluntariedade.

Joan Salvat soma 18 golos na OK Liga.

Essa voluntariedade, a vontade de fazer mais com as suas cores, as cores do Reus, valeram-lhe o protagonismo de outra forma na Taça do Rei. Atingido na face, perdeu três dentes nas "meias" com o Vic. Voltou no dia seguinte para disputar a final com o Barcelona, sem qualquer tipo de protecção. "Então? Não havia tempo para arranjar uma...", afirmaria após a segunda final perdida da temporada, depois do Reus também ter caído na Supercopa.

Afastados da corrida pela OK Liga, o Reus tinha na Liga Europeia a última hipótese de conquistar uma grande competição. E Salvat agarrou-se a oportunidade com unhas... e dentes. Nos quartos-de-final, foi Joan Salvat que apontou a grande penalidade que afastou o FC Porto. E, nas "meias", também no desempate que muitos deixam entregue ao acaso, transformou o penalti que anulou a vantagem ganha por Nicolia.

Foi dos mais efusivos nos festejos, no segundo grande prémio da temporada. O primeiro chegara em Março: aos 24 anos renovou pelo seu clube de sempre, por dois anos (até 2019), com mais um de opção.

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