O fenómeno azul-e-branco da Supertaça

O Porto conquistou a Supertaça, na sua 35ª edição, pela 21ª vez.
A Supertaça António Livramento assumiu a actual designação em 1999 mas disputa-se desde 1983, coincidindo com o surgimento de um Porto forte - por largos períodos, mesmo dominador - no Hóquei em Patins português. E a troféu que tradicionalmente coloca frente-a-frente o campeão nacional e o vencedor da Taça de Portugal é a prova de tal domínio.

Em 34 edições, o Porto somava 20 vitórias, vendo longe, na lista de vencedores, o Benfica, que soma "apenas" sete conquistas. E este sábado, os dragões voltaram a conquistar a "sua" prova.
Favorito frente ao estreante Tomar, o Porto - ainda sem Telmo Pinto - chegou ao intervalo a vencer por um 1-4 que convencia praticamente todos de que o troféu estava entregue. Jorge Silva, Hélder Nunes (por duas vezes) e Gonçalo Alves davam uma vantagem tranquila à equipa de Guillem Cabestany que nem o golo de Paulo Passos, numa picadinha feliz sobre Carles Grau, beliscava.

Mas a segunda parte traria outra emoção. Nuno Domingues arriscou no condicionado Xanoca - ainda a recuperar de lesão, tal como Paulo Passos - e o campeão do Mundo de Sub-20 de 2013 (ao lado do guarda-redes Diogo Alves e do adversário Hélder Nunes) agitou o jogo nabantino para além do que um Porto, bem "instalado" com a vantagem no marcador, conseguiria prever.
E se Xanoca fazia os numerosos adeptos do Tomar sonhar, Hernâni Diniz fê-los saltar das cadeiras do Municipal do Entroncamento. Hernâni reduziu para 2-4 aos cinco minutos e, menos de um minuto volvido, na recarga a um remate artístico de Xanoca, colocou o marcador na diferença mínima. A equipa do Tomar acreditava, os seus adeptos acreditavam... mas Gonçalo Alves estancou a euforia.

O golo do internacional português, com seis minutos decorridos na segunda parte, foi providencial para os dragões. Como Guillem Cabestany referiria no final, permitiu-lhes reentrar no jogo com outra tranquilidade. O Tomar pode voltar a reduzir distâncias pouco depois, mas Paulo Passos desperdiçou uma grande penalidade, e os minutos corriam a favor dos azuis-e-brancos.
O Porto controlava um Tomar que mostrara poder causar dissabores sem forçar, evitando a 10ª falta. Os dragões tinha chegado à nona logo nos primeiros instantes do reatamento e só cometeram a famigerada décima mais de 20 minutos depois, numa segunda parte em que não houve faltas de equipa num período de 14 minutos, entre a oitava e a nona dos nabantinos.

A tal décima falta dos dragões levou Xanoca para a marca de livre directo, mas Carles Grau evitou que - a quatro minutos do fim - o Tomar fizesse perigar um título. Desde que chegou a Portugal, em 2016, Carles Grau - e também Ton Baliu - conquistou todos os títulos nacionais em disputa e quis manter esse desígnio. E Hélder Nunes, que como capitão do Porto também só sabe vencer nas competições nacionais, fez o 3-6 pouco depois, na décima falta do Tomar, encerrando definitivamente a discussão sobre o vencedor da 35ª Supertaça.

Numa recta final de muita contestação nabantina à dupla de arbitragem (Rui Torres e Paulo Rainha), o treinador Nuno Domingues veria mesmo o azul colocando a sua equipa em inferioridade numérica para os instantes finais. E Rafa aproveitou para selar o resultado final, com o 3-7 - enganador pela segunda parte do Tomar - que fica para os anais da História.
Com mais esta conquista, o Porto prossegue num ciclo vencedor - vão cinco títulos consecutivos -, enquanto o Tomar, apesar da derrota, promete mais uma excelente campanha, apontando agora baterias a Campeonato Nacional e Taça de Portugal, mas também à Taça CERS.

Domingo, 15 de Outubro de 2017, 10h45