«Nunca desisti de levantar a taça da Liga Europeia»

Em 2019, o Sporting de João Pinto sagrou-se campeão europeu, mas o internacional português e angolano não estava na pista do João Rocha para erguer o troféu. Resiliente, não desistiu. E este domingo concretizou o sonho, pelo Trissino.

«Nunca desisti de levantar a taça da Liga Europeia»

Depois de uma final resolvida apenas nas grandes penalidades (a quinta da história a ir à "lotaria"), João Pinto ergueu o segundo troféu da Liga Europeia conquistado por uma equipa italiana. "Sempre desejei poder levantar a taça da Liga Europeia", conta-nos.

João Pinto já contava uma Liga Europeia no seu currículo, pelo Sporting, em 2019.

Com formação no Porto, representou Oliveirense, Académica de Espinho, Lodi e Juventude de Viana antes de chegar aos leões em 2014. Era um Sporting diferente, a lutar por outros objectivos, mas Bruno de Carvalho tinha a ambição de catapultar a equipa para os mais altos vôos.

Logo na sua primeira temporada, João Pinto conquistou a Taça CERS e, nesse mesmo ano de 2015, a Supertaça António Livramento. Na defesa da Taça CERS conquistada em Igualada, o Sporting chegaria em 2016 a nova Final Four, mas a prestação não foi a desejada e culminou com a dispensa imediata de quatro jogadores, já a pensar na temporada seguinte. João Pinto assumiu a braçadeira de capitão.

O internacional português e angolano, agora com 35 anos, viveu a transição de Nuno Lopes para Guillem Pérez e do catalão para Paulo Freitas, que já dirigira João na Académica de Espinho. Sagrou-se campeão em 2018, mas a temporada seguinte seria amarga, com um afastamento a meio da época que o impediu de, como capitão, erguer o troféu no João Rocha. "Era uma situação extra-hóquei, porque, por mais que treinasse ou jogasse, estava afastado.. tinha tido um problema que não dependia de mim resolvê-lo, um problema que nada tem a ver, na minha opinião, com escolhas de Hóquei e foi-me tirada essa oportunidade, ainda para mais numa casa que era minha também", lamenta.

Mas não baixou os braços. "Tenho de agradecer a muita gente que me ajudou. Muita gente. Estive quase seis meses sem jogar, e muita gente ajudou-me a treinar. Tive muitos amigos que nunca me abandonaram, e não os posso esquecer, como à minha família, que sempre acreditou em mim, que sempre me ajudou. Sou um apessoa muito exigente, muito profissional, e, às vezes, sei que é um bocado chato para quem vive comigo, mas é um trabalho de equipa que temos em casa e isso é muito importante", explica.

Regressou ao Lodi, então orientado por Nuno Resende, e fez por concretizar o seu sonho.

"Logo no ano a seguir, lutei por esse título com o Lodi. Lembro que eliminámos o Sporting e já estávamos apurados para os quartos-de-final, mas veio a pandemia e a prova foi cancelada", recorda.

No ano seguinte, rumou - com Resende - ao Trissino. Esta temporada, já com Alessandro Bertolucci ao leme, regressou ao palco máximo da Liga Europeia.

"Continuei a lutar, a lutar, e proporcionou-se, dadas as circunstâncias, jogarmos esta Liga Europeia. Agarrei esta oportunidade com unhas e dentes juntamente com os meus colegas, que também tinham a mesma ambição e o mesmo sonho. Posso dizer que um dos maiores significados que esta vitória tem para mim é ver os meus colegas todos lutarem, por eles, mas também, porque sabiam o quanto era importante para mim, por este pequeno à parte de poder ser feita alguma justiça e eu poder levantar a taça", congratula-se.

E, na hora da vitória, foi felicitado pelos ex-colegas do Sporting. "Receber mensagens de grande parte dos meus colegas do Sporting na altura, teve um significado muito grande para mim. Não é que eu não soubesse, mas sentia que algumas coisas não se podiam falar, ou não nos podíamos aproximar... eu receber mensagens desses meus colegas, com um abraço e pelas palavras que me disseram, mim teve um significado muito grande", refere com orgulho.

O título é uma recompensa.

"Para a minha carreira e para a minha forma de estar, que sou uma pessoa muito resiliente, muito na raça, de nunca desistir, acho que isto é uma prova para todos que devem trabalhar todos os dias, serem honestos com os seus colegas, serem sérios com a nossa profissão e pode-se sempre ter uma oportunidade destas. Tivemos sorte, mas faz parte. Fizemos por ter essa sorte. Lutámos e acabámos por não ter nenhuma derrota e ganhar em Portugal, contra o Valongo - que é uma excelente equipa -, perante a minha família e os meus amigos... acho que se escreveu direito por linhas tortas", afirma no rescaldo de uma conquista que é também de superação física. "Sim, ainda é mais especial porque tenho uma rotura de ligamentos, ando a jogar com dores. No final da época vou tratar-me", aponta. Antes, há um campeonato italiano para ganhar.

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