Muito nível, mas numa longa espera para certificação

Edo Bosch, Pedro Gonçalves e Hugo Lourenço têm um reconhecido trabalho em Valongo, Parede e Murches. Mas, apesar de brilharetes na I Divisão, ainda não têm o 'necessário' Grau 3, tendo iniciado em 2020 um curso que não tem fim à vista.

Muito nível, mas numa longa espera para certificação

Exigem os regulamentos da Federação de Patinagem de Portugal (FPP) que, para constar como treinador de uma equipa de I Divisão (este ano, Campeonato PLACARD) se tenha de ter, salvo equivalências como as conseguidas pelos técnicos que chegam de além-fronteiras, um percurso formativo de vários anos, a culminar na "graduação" com o Grau 3.

Há formas de contornar a exigência burocrática da ficha de jogo, como faz o Riba d'Ave com a indicação de Horácio Ferreira como treinador, quando é de conhecimento generalizado que o "mister" é Raul Meca.

Raul tem apenas Grau 1, mas é uma das provas que, como em qualquer área de actividade, um bom profissional não precisa necessariamente de um papel, ou um trajecto académico (muitas vezes desfazado do "mundo real"), a certificar o seu conhecimento.

Também com inegável valor e provas dadas no desempenho da sua função, Edo Bosch, Pedro Gonçalves e Hugo Lourenço vão a jogo como treinadores, apesar de só terem o Grau 2 concluído. Isto porque estão inscritos num curso de Grau 3 iniciado em 2020 e que parece não ter fim à vista.

O curso mais longo

Em 2020, os três treinadores agora primodivisionários inscreveram-se no curso federativo para o necessário Grau 3. Quando começaram os campeonatos que seriam jogados à porta fechada em virtude da pandemia, Edo Bosch acabara de assumir o Valongo. Pedro Caeiro Gonçalves falhara a subida à I Divisão na famigerada liguilha, mas somava as primeiras vitórias para consumar um ansiado regresso do Parede ao escalão maior, e com o título de campeão da II Divisão. Hugo Lourenço, hoje no Murches, estava à frente da equipa "B" do Benfica e trilhava o seu caminho também rumo a um título de campeão nacional, da III Divisão.

Apesar de não terem o Grau 3, não faltam provas de qualidade a Edo Bosch, líder de um brilhante Valongo, Pedro Gonçalves, que logrou com o Parede uma manutenção que não acontecia desde 1992, ou Hugo Lourenço, que, com o estreante Murches, empatou o "gigante" Sporting esta semana em pleno João Rocha.

Com alguns atrasos, entre Novembro de 2020 e Abril de 2021, realizou-se a "parte teórica", a componente de formação geral do curso, realizada de forma remota com a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. Ficava a faltar a "parte prática", a componente específica.

Necessariamente presencial, por imposição do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), a componente específica foi adiada face ao confinamento. Em Maio de 2021, a Direcção-Técnica Nacional da FPP - com a "competência exclusiva" do "planeamento, organização e Direção dos cursos de formação de Treinadores do Hóquei em Patins", segundo os regulamentos - comunicava aos formandos que o problema passava a ser o desconfinamento, dado que havia sobrecarga de treinos e jogos. Prometiam-se mais informações em Junho. Chegariam em Novembro.

O último curso lançado de Grau 3, "necessário" para os treinadores da I Divisão, começou em 2020. E, em 2023, a componente específica continua por arrancar.

Na derradeira comunicação formal sobre o curso, em Novembro de 2021, a promessa era de envio de calendário até ao fim desse mês, mas com a certeza que a formação arrancaria no "início de 2022". Passaram-se dias, passaram-se meses. Nem calendário, nem arranque.

De forma informal, Nuno Ferrão, Director-Técnico Nacional, anunciaria em Julho aos seus formandos que a componente específica de Grau 3 seria organizada em Agosto. Contaram-se os meses. E estamos em Janeiro do ano seguinte. O curso começou em 2020, passou por 2021 e 2022, e já está em 2023.

Os treinadores de Hóquei em Patins

Esta quinta-feira, a Federação de Patinagem de Portugal publicou a lista de treinadores de Hóquei em Patins com cédula activa. Uma prática comum no início do ano civil, ainda que os regulamentos prevejam a publicação no início da temporada.

Há um total de 871 treinadores, mais 77 do que em 2022 ainda que 15 técnicos tenham perdido a sua cédula por falta de renovação com obtenção dos necessários créditos num período de cinco anos de validade de 5 anos da "carteira", o Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD).

A tendência crescente no total de treinadores vem desde 2020, depois da perda de mais de 650 no fim do primeiro período para renovação, após imposição, em Novembro de 2018.

No particular do Grau 3, há 145 treinadores listados, mais dois que em 2022. Bruno Abreu volta a ser listado como Grau 2 (assume-se que terá sido listado como Grau 3 em 2022 por lapso), mas constam agora Ivan Jaquierz, da equipa técnica de Ricardo Ares no Porto, e António Gaspar, com trabalho desenvolvido em Angola, tendo certamente ambos garantido o título por equivalências. Paulo Alexandre Alves terá conseguido os necessários créditos para renovação depois de ser um dos muitos que viram o título "caducar" em 2018.

Recuando nos anos, há poucos treinadores a granjearem, por falta de oportunidades, o almejado Grau 3, cada vez mais um "Graal" que um Grau...

De 2021 para 2022, apenas Reinaldo Ventura, actual treinador da Juventude de Viana, o conseguiu. De 2020 para 2021, só Nuno Pinto, actual adjunto da selecção nacional feminina, e, de 2019 para 2020, somente Carlos Fernandes e Rafael Rafael.

Apoios financeiros do IPDJ às Actividades Regulares da FPP compreendem também a formação de agentes, mas os cursos vão escasseando. Os cursos de Grau 1, que redundaram em 68 novos treinadores, são de responsabilidade associativa.

A "turma de 2020" tem 37 formandos, contando, para além dos já referidos primodivisionários Edo Bosch, Pedro Gonçalves e Hugo Lourenço, também com os candidatos à subida ao escalão maior Hugo Azevedo, líder da Zona Norte com a Juventude Pacense, e Pedro Afonso, 2º classificado da Zona Sul com o Candelária.

O internacional português Ricardo Pereira também é um dos que "ataca" o Grau 3, apesar do seu actual Grau 2 é suficiente para o "legitimar" como treinador da equipa feminina do Sporting.

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