O epílogo que o Europeu não merecia, que nenhum jogo merece

Por Pedro Alves dos Santos

O primeiro Europeu de Sub-23 terminou num Multiusos de Paredes engalanado e tão repleto que não deveria haver espaço para episódios de lamentar, cuja frustração da derrota ou a indignação com a arbitragem nunca podem justificar.

O epílogo que o Europeu não merecia, que nenhum jogo merece

O primeiro Campeonato da Europa de Sub-23 terminou este sábado com a vitória da Espanha, no culminar de cinco dias de Hóquei em Patins em Paredes. Poderia lamentar-se a ausência de mais selecções, mas esteve quem quis ou quem pôde. Criar-se condições para que, numa próxima edição ou noutras competições, estejam mais países representados é, ou deveria ser, o principal desafio.

O Multiusos, palco de tantas provas europeias nos últimos dois anos, encheu. Não faltaram figuras da modalidade, como, por exemplo, os treinadores de Óquei de Barcelos e Valongo, Paulo Freitas e Edo Bosch, ambos com "superiores interesses" na partida, ou Hugo Lourenço, do Murches de Bernardo Ramalho e Zé Miranda, Tó Neves, do Braga de Tiago Sanches, e até Juan Copa, treinador do campeão espanhol Liceo, pese não ter qualquer atleta seu na prova.

Os bilhetes esgotaram cedo, mas ia sobrando uma clareira enorme nos privilegiados lugares centrais onde se sentam os convidados. Seria depois preenchida por quem comprara bilhete e não tinha lugar em nenhum outro sítio. Pese os portugueses estarem em esperada e natural maioria, a Espanha tinha também uma numerosa e participativa falange de apoio.

De início, houve quem estranhasse que Portugal não tivesse cumprimentado o banco adversário após os hinos. No entanto, tal foi regra em todas as partidas da selecção portuguesa neste Europeu, apesar de todos os adversários terem seguido aquela espécie de "protocolo" que se vai praticando desde pequeno.

Após o apito inicial, assistiu-se a um jogo emotivo, digno de um grande duelo num qualquer grande campeonato. Afinal, quase todos destes jogadores, já têm lugar no português Campeonato Placard ou na espanhola OK Liga.

Didac Alonso, MVP, libertou toda a tensão da partida depois de receber o galardão.
Didac Alonso, MVP, libertou toda a tensão da partida depois de receber o galardão.

Não faltaram protestos perante as decisões da dupla italo-inglesa de arbitragem, em particular de um "adepto" menos contido, que se precipitou várias vezes sobre a pista a visar os árbitros. A polícia foi passiva, e apenas reactiva quando se passou todos os limites. Após o cartão azul a Diogo Abreu no último segundo de jogo, esse mesmo adepto percorreu a bancada e atingiu Roc Pujadas com uma palmada na cabeça. Inesperado? Só para quem não foi acompanhando o jogo.

O árbitro Claudio Ferraro, que certamente antes não quisera incendiar os ânimos, foi desta feita lesto a pedir a tão indiscutível como tardia expulsão daquele adepto do pavilhão.

Por paralelismo, abundarão questões. Como agiria o Conselho de Disciplina da Federação de Patinagem de Portugal em semelhante caso de agressão de um adepto a um dos jogadores em pista? Com interdição do pavilhão, com uma multa recorde? Como agirá a Disciplina da World Skate Europe? Ou, melhor, agirá? Poderá o organismo europeu dar-se ao luxo de punir uma organização lusa quando escasseiam propostas de organização de provas por essa Europa fora?

Se calhar, para alguns, há que ter mais adeptos assim, que façam temer o ambiente na eventual falta de outros argumentos. Para outros - muitos, felizmente - o acto foi inqualificável e injustificável, e há que enaltecer a sua indignação imediata na bancada perante o sucedido, apesar da adversidade do resultado, apesar de "torcerem" pelas mesmas cores.

Ânimos (demasiado) exaltados

Infelizmente, as máculas nesta derradeira partida, não se ficaram pelo episódio da agressão do adepto ao capitão de "La Roja".

Didac Alonso, uma "montanha" de aparente serenidade durante o jogo, "rebentou" depois de receber o galardão de MVP desta derradeira partida. Um grito efusivo foi visto como provocador (dirigindo-se, de facto, ao lado da bancada que estava mais povoado de portugueses), e alguns jogadores "carregaram" sobre o galardoado jogador catalão do Voltregà quando este regressava à zona do seu banco. Era o desabar da compreensível frustação depois de uma tangencial derrota que custou o título, mas uma reacção que, de forma alguma, se justifica.

Um stick em riste deixaria marcas num jogador espanhol. A intervenção da polícia e de elementos mais esclarecidos da organização e da comitiva portuguesa serenou os ânimos de pares e de alguns jogadores com os nervos mais à flor da pele.

Tudo sanado, a cerimónia de entrega dos prémios decorreu sem altercações.

Afinal, não se passou nada. Tudo normal.

Assobiemos para o lado.

AMGRoller

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