Carvalhos sem pontos e numa missão (quase) impossível

Para as equipas da zona de descida, a segunda volta começa este sábado. O Carvalhos, numa missão de manutenção que é praticamente impossível, persegue ainda o primeiro ponto. Na História, houve quem só o conseguisse na penúltima jornada...

Carvalhos sem pontos e numa missão (quase) impossível

A segunda volta do Campeonato Placard arrancou esta quarta-feira, e logo com uma surpreendente vitória (talvez mais pelos números) do Murches sobre o Óquei de Barcelos. E "surpresas" será o que as equipas do fundo da tabela mais desejam.

Na pretérita temporada, cumpriu-se uma regra dos últimos anos de que duas das equipas em zona de descida no fim da primeira volta não conseguem recuperar. Salvou-se o Murches. Esta época, estão na zona "vermelha" Turquel, Riba d'Ave e Carvalhos.

As primeiras equipas acima da linha de água - Juventude Pacense e Famalicense - somam 12 pontos. O Turquel está bem perto, com 11. O Riba d'Ave tem sete. O Carvalhos ainda não pontou.

Xavi Pinho, internacional jovem português, foi dos poucos que se mantiveram em Carvalhos, num complicado defeso após a subida.
Xavi Pinho, internacional jovem português, foi dos poucos que se mantiveram em Carvalhos, num complicado defeso após a subida.

Para a equipa do concelho de Vila Nova de Gaia, a missão parece praticamente impossível. Desportivamente, começou logo a parecer complicada ainda na preparação da época.

A subida à categoria máxima não foi devidamente acautelada. As muitas saídas não foram devidamente acauteladas e o trabalho de Vítor Pereira estava cedo condenado a ser inglório. O técnico sairia cumpridas apenas quatro jornadas, saldadas por quatro desaires, naquela que se mantém como a única "chicotada" nesta edição do Campeonato Placard.

Chegou Ricardo Geitoeira. O Carvalhos somou uma vitória, para a Taça de Portugal, triunfando em Boliqueime por 1-6 nos 32-avos-de-final. Mas cairia na ronda seguinte, na Parede, perdendo por 5-1 na casa do 2º classificado da Zona Sul da II Divisão. Para o campeonato, foram mais nove derrotas. Nenhum ponto somado, o pior ataque, com 21 golos conseguidos, e a pior defesa, com 86 golos consentidos.

A jogar pela
A jogar pela "equipa da terra", Rúben Sousa assinou 13 dos 21 golos do Carvalhos.

Numa matemática simplista, o Carvalhos precisa de quatro vitórias e um empate em 13 jogos para passar os 12 pontos das primeiras equipas acima da linha de água, mas isto seria no cúmulo de nenhuma das quatro equipas à frente do Carvalhos (nunca) pontuar, o que é literalmente impossível.

Nas últimas temporadas, para a manutenção como 11º classificado final, o Turquel somou 24 pontos em 2020/21, o Parede manteve-se entre os "maiores" com 18 em 2021/22 e o Riba d'Ave assegurou a permanência em 2022/23 com 22.

Nesta primeira jornada da 2ª volta, o Carvalhos recebe o Valongo, o Riba d'Ave viaja até Oliveira de Azeméis para defrontar o líder do campeonato, e o Turquel recebe o Tomar num dérbi da zona centro.

Ponto de parto difícil

O percurso de 13 jogos sem qualquer ponto somado é confrangedor e a ansiedade dos jogadores tenderá a aumentar, talvez até que a despromoção seja uma realidade matemática. Mas o caso do Carvalhos não é ímpar.

Em 2002/03, o Alenquer somou 14 derrotas até conseguir o primeiro ponto. E conseguiu-o logo numa vitória frente ao Benfica, por 4-3. A equipa da Vila Presépio venceria mais um jogo, frente ao Riba d'Ave por 7-4, mas não escaparia ao último lugar.

Também no último lugar terminou o CACO, em 1988/89, na única presença na categoria máxima nos últimos 40 anos do campeão nacional de 1954. A "equipa do bairro" só conseguiu um ponto, num empate a cinco frente ao Famalicense, depois de averbadas 15 derrotas.

Ainda mais longa foi a "travessia do deserto" da Académica da Amadora em 1985/86. Quase seis meses depois da primeira jornada, num 13 de Maio dado a milagres, os amadorenses empataram na antepenúltima jornada com o Cascais a quatro. Para trás ficavam 23 derrotas.

AMGRoller

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