Factor casa pesa entre velhos rivais

Depois de duas derrotas no João Rocha, o Benfica recebeu e venceu o Sporting no Pavilhão Fidelidade. No primeiro dérbi em quatro dias, o triunfo das águias para a Champions garante o 1º lugar do Grupo B.

Factor casa pesa entre velhos rivais

"O factor casa é muito importante", destacou Nuno Resende. "Estávamos a falar disso no balneário", revelou Alejandro Dominguez. "Uma das primeiras coisas que tirámos daqui - porque as derrotas são muito boas para aprender - foi que um jogador dizia: 'Domingo temos de jogar como em casa'. Ou seja, ser capazes de, emocionalmente e mentalmente, jogar como em casa", continuou o técnico do Sporting. "O ambiente e a dinâmica que mostraram, afectou-nos, seguramente, mas vamos tentar corrigir", garantiu.

Benfica e Sporting tinham-se encontrado na decisão da Elite Cup, em Tomar, com vitória encarnada por 4-3. Em campo neutro. Depois, no João Rocha para o campeonato e a Champions, o Sporting vencera por também tangenciais 3-2 e 7-6. Agora, na Luz, na penúltima jornada da fase de grupos da Champions, houve vitória das águias por 3-1.

Ferran Font foi uma das figuras no melhor momento do Sporting na primeira parte. Acabaria por sair tocado.
Ferran Font foi uma das figuras no melhor momento do Sporting na primeira parte. Acabaria por sair tocado.

Sem as restrições do Campeonato Placard, Nuno Resende e Alejandro Dominguez convocaram os seus seis estrangeiros. No Benfica ficou de fora Diogo Rafael, ao passo que no Sporting a "fava" calhou a Rafael Bessa. Dos seis convocados por cada treinador, quatro foram chamados ao cinco inicial. Incluindo Pablo Álvarez, fora da convocatória no pesadelo encarnado no Dragão Arena. Para o arranque do dérbi, portugueses, só entre os postes: Pedro Henriques e Ângelo Girão.

O Benfica entrou melhor, quase sufocante, sem que o Sporting se conseguisse libertar. "Os primeiros minutos não foram bons, porque não conseguíamos sair da pressão, mas depois a equipa jogou bem. Acho que fizemos um bom jogo, neste cenário, contra este rival que tem muitas ferramentas e que hoje as usou bem", apontou Alejandro Dominguez, que elogiou repetidamente o rival.

João Souto, eficaz de livre directo, inaugurou o marcador. Mas os leões, melhor ataque do Campeonato Placard, não voltariam a marcar.
João Souto, eficaz de livre directo, inaugurou o marcador. Mas os leões, melhor ataque do Campeonato Placard, não voltariam a marcar.

Quando o Sporting se soltou, Gonzalo Romero atirou à barra e Toni Pérez e Alessandro Verona surgiram isolados, valendo Pedro Henriques a segurar o nulo. Ficava mais seguro o Sporting, mais nervoso o Benfica. E quando João Souto transformou em golo um livre directo após azul a Carlos Nicolia, a vantagem justificava-se.

Tentavam responder as águias. "Respondemos muito bem ao golo do Sporting e esse momento era importante. Que a equipa fosse buscar o processo, aquilo que são os nossos equilíbrios porque, queiramos quer não, a derrota no campeonato na última jornada [ndr: 7-1 no Dragão Arena] pesa, é obvio. Tira-nos confiança, tira-nos a serenidade. Podia afectar-nos a nível da qualidade, não nos afectou", assegurou Nuno Resende.

Num oportuno desvio a um remate de Lucas Ordoñez, Pablo Álvarez igualou na primeira parte.
Num oportuno desvio a um remate de Lucas Ordoñez, Pablo Álvarez igualou na primeira parte.

No deserto de eficácia que tem pautado as suas primeiras partes, Pablito foi um oásis, num soberbo desvio a um autêntico tiro de Lucas Ordoñez, restabelecendo a igualdade que acabaria por se ajustar globalmente aos acontecimentos no regresso aos balneários.

A segunda parte foi claramente vermelha e branca. Tirando a (clamorosa) excepção no Dragão Arena, o Benfica regressa mais intenso para a segunda parte e voltou a fazê-lo frente a um Sporting que não conseguiu travar as valias individuais do Benfica nem colocar em pista o seu Hóquei directo.

"Fomos mexendo, fomos dando energia, fomos fazendo rotações mais curtas. Esta equipa parece-me bastante equilibrada. Este factor juventude também traz muita energia. O Zé, o Pol, o Gonçalo, o Roby... são tudo jogadores na casa dos 19 até aos 24 e isso é fundamental num jogo assim fechado. Depois, é preciso estar lúcido. Também concordo que fomos mais enérgicos. E volto a dizer, o factor casa diferencia muito, queiramos ou não", analisou o técnico do Benfica.

Em jogada individual, Roberto Di Benedetto desequilibrou o marcador.
Em jogada individual, Roberto Di Benedetto desequilibrou o marcador.

Às águias faltariam mais golos. A meio desta etapa complementar, Roberto Di Benedetto arrancou pela esquerda e rematou para um 2-1 que só pecava por tardio. Entre argentinos, a nove minutos do final, Lucas Ordoñez ganhou uma grande penalidade, mas não a conseguiu transformar em golo. Um minuto volvido, foi Pablo Álvarez a ganhar e chamado Carlos Nicolia à tentativa de transformação. O melhor marcador do Benfica esta época fez "ouvidos moucos" quiçá ao ruído gerado após a derrota na pista do Porto e rematou com eficácia para o 3-1.

A derrota não abate o técnico leonino, que, apontando falhas, não desgostou da exibição. "Defensivamente estou contente, creio que a equipa conteve muito bem o rival todo o jogo. Hoje não houve hóquei de transição. As duas equipas estavam muito encaixadas, com a pressão muito alta. Que possamos praticar um hóquei mais directo domingo e que o nosso ataque quatro para quatro lhes faça mais dano. Vamos trabalhar para isso. Mas sobretudo vamos trabalhar em vídeo, para melhorar isso. Mas não é fácil, porque eles são bons e fazem bem o seu trabalho. E fizeram um grande jogo", repetiu Alejandro Dominguez.

Carlos Nicolia assinou o 3-1 de grande penalidade e
Carlos Nicolia assinou o 3-1 de grande penalidade e "calou" críticas e ruído em torno da equipa.

Com esta vitória, o Benfica garante o 1º lugar do Grupo B e defrontará o Óquei de Barcelos, a duas mãos, nos quartos-de-final. A 14 de Março, joga-se em Barcelos e, a 11 de Abril, em Lisboa. "Não ganhámos nada. Estamos nos quartos-de-final da Liga Europeia, pode dar-nos alguma gestão na deslocação a Calafell", referiu Resende, que joga na Catalunha no fecho da fase de grupos, a 29 de Fevereiro, numa formalidade para os encarnados, com os locais a tentarem a vitória à espera de um deslize leonino.

O Sporting recebe o Reus e, em contas fáceis, apura-se - para defrontar o Barcelona - se não perder ou se perder e o Calafell não vencer o Benfica. Se uma derrota leonina coincidir com uma vitória catalã, será preciso fazer contas à diferença entre o total de golos marcados e sofridos.

Vira o disco e toca para o campeonato

Virada a página da Champions League, já este domingo há novo dérbi no Pavilhão Fidelidade, para um Campeonato Placard com um cenário bem distinto do da mais importante prova europeia. "Domingo esperemos estar com energia, desfrutar, usar muito aquilo que é o factor casa", definiu Nuno Resende.

"É muito difícil preparar um jogo contra o mesmo rival, na sua pista outra vez, e com a dinâmica que têm. Ganharam-nos, vinham de duas derrotas consecutivas, respiraram e sentem-se fortes. E nós perdemos depois de muito tempo. Mas temos sexta e sábado e temos de trabalhar, em vídeo. Em pista não há muito para fazer. Que domingo voltemos a ter um Sporting competitivo, como hoje, mas mais acertado", auspiciou Alejandro Dominguez.

Líder no Campeonato Placard, Alejandro Dominguez procurar, com a clara condicionante do tempo,
Líder no Campeonato Placard, Alejandro Dominguez procurar, com a clara condicionante do tempo, "afinar" os leões para o embate de domingo.

O Sporting lidera o campeonato com 43 pontos em 16 jornadas, só tendo perdido pontos no Dragão Arena (perdeu) e no Salvador Machado (empatou). É o melhor ataque da prova, com 87 golos, mais 17 que o Benfica, que tem o ataque menos profícuo dos seis primeiros.

As águias, que defendem o título de campeãs nacionais, estão a 11 pontos da liderança que os leões compartem com a Oliveirense. Vinda de duas derrotas nos últimos três jogos, a equipa de Nuno Resende quererá dar sinal de vida na corrida ao melhor lugar possível no play-off.

AMGRoller

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