Ousar ser inexpugnável no (quase) inexpugnável Palau
O Porto venceu no Palau Blaugrana, sendo apenas a terceira equipa neste milénio a sair da quase inexpugnável casa do Barcelona sem sofrer golos. Xavi Malián logrou manter a sua baliza inviolada, como Freixes pelo Vic em 2010, a valer uma Supercopa, e Vadillo pelo Reus em 2001.

O Porto venceu, esta quinta-feira, o Barcelona por 0-2 no Palau Blaugrana. Vencer o Barcelona é difícil, no quase inexpugnável Palau Blaugrana ainda mais. Ir lá e não sofrer golos, é uma raridade. Neste milénio, a equipa de Paulo Freitas é apenas a terceira a consegui-lo.
O século e o milénio até começaram praticamente com uma do derrota do Barcelona a zeros. Foi logo Abril de 2001, que o Reus, na então División de Honor (hoje OK Liga), venceu por 0-1. Mas com pouco impacto. Era a penúltima jornada da fase regular e, apesar desta segunda derrota na campanha, o Barcelona de Carlos Figueroa tinha já o 1º lugar garantido para o play-off. E sagrar-se-ia campeão pela quarta vez, numa série de 13 títulos de campeão consecutivos.
Os blaugrana contavam com Carles Folguera, Ramón Benito, David Gabaldón, Beto Borregán, Gaby Cairo, David Busquets e os irmãos David e Jose Luís Paez, mas foram anulados pela estratégia de Josep Maria Barberà e pela eficácia defensiva de um conjunto reusence que contava com nomes ainda hoje reconhecíveis como Enrico Mariotti, Toni Sánchez, Alejandro Domínguez, Jordi Garcia. E com um intransponível Joan Carles Vadillo, que representou o Reus entre 1997 e 2004, na baliza.
Foi preciso esperar nove anos e meio até que o Palau Blaugrana voltasse a ver um jogo em que o Barcelona não marcou. E essa seria uma derrota dolorosa.
No defeso de 2009, o Barcelona "roubara" o treinador Ferran Pujalte e Jordi Adroher ao Vic. E, em 2010, chamava Sergi Fernandez e Marc Torra. Estes juntavam-se a Aitor Egurrola, Reinaldo García, Sergi Panadero, Beto Borregán, David Páez e Carlos López. Uma autêntica constelação. E, depois de uma primeira mão da Supercopa em que venceram no Olímpico de Vic por 2-5, pareciam invencíveis. Mas, rapidamente, desceram à terra.
Quim López, treinador do Vic, acreditava na reviravolta. E, com o desenrolar do jogo, os seus jogadores foram acreditando também. Titi Roca fez o primeiro na primeira parte. Miquel Masoliver mostrou que era possível com o segundo já na etapa complementar. E Borja López fez o 0-3 que, com uma monstruosa exibição de Ernest Freixes, levou o jogo para prolongamento.
No tempo extra, Titi Roca, de livre directo, fez o golo da conquista de um Vic que contava com um Lucas Ordoñez de apenas 22 anos.

Ernest Freixes não será um nome conhecido do grande público português. Como sénior, representou Tenerife, Jonquerenc e Blanes, que estão há muito afastados da categoria máxima do Hóquei em Patins espanhol. Em 2010, rendeu Sergi Fernandez no Vic. Teve este brilharete no Palau para conquistar a Supercopa, e acabaria por retirar-se no emblema de Osona.
Anos antes, Freixes entrara na História ao fazer parte da selecção catalã que conquistou o Mundial "B", em 2004, em Macau. Os catalães - com Víctor Agramunt, histórico do Vic, como o outro guarda-redes - reclamaram a presença no Mundial A, mas foi-lhes negada, e a selecção não pôde voltar a participar em competições internacionais.
Esta quinta-feira, em jogo para a Champions League, foi a vez do Porto de Paulo Freitas sair, mais de 15 anos depois, do Palau Blaugrana sem sofrer golos. Voltou a caber a um catalão ser o último esteio no manter da sua baliza a zeros. Xavi Malián, de 36 anos, parou tudo o que lhe chegou e, ainda que este Barcelona não imponha o respeito de outras épocas, continua a ter argumentos.
Na OK Liga, a equipa de Ricardo Ares soma 72 golos em 16 partidas, com 4,5 golos por jogo. O melhor ataque da OK Liga. Em casa, são 44 golos em oito jogos, ascendendo a média a 5,5. Na mais importante prova europeia, os 23 golos em cinco jogos eram o máximo entre as 12 equipas que disputam a fase de grupos.
Sábado, 7 de Fevereiro de 2026, 16h44
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