Nacionais Jovens: sem justiça, sem equidade
Rui Nunes
As equipas participantes nos Campeonatos Nacionais Jovens estão praticamente definidas. Este ano, sem um 'play-off' que minimizava o impacto de um método de Hondt que privilegia Associações com mais clubes inscritos, em detrimento da qualidade das equipas na época em curso.

Este fim-de-semana, ficará decidida a equipa apurada no escalão de Sub-13 das Associações de Patinagem do Ribatejo (APR) e de Leiria (APL).
Será Campeão Regional, e terá o respetivo acesso ao Nacional, o União Futebol Entroncamento ou Hóquei Clube de Turquel.
A equipa que treino tem, até ao momento, 17 jogos, 16 vitórias, 1 derrota, 153 golos marcados e 19 sofridos, nas duas fases de apuramento. Caso não ganhemos amanhã por mais de dois golos, iremos ficar de fora, e disputaremos o Torneio de Encerramento ou a Taça Ribatejo.
Pergunto: como é que explico a um atleta/miúdo que, caso fiquemos em 2º, não iremos ao Nacional?
Sei, dir-me-ão, que o método Hondt assim o define. Ou seja, será um sistema matemático de distribuição proporcional a definir todo um trabalho de anos de formação.
Isto é justo e constitucional? A Direção Técnica Nacional já analisou se os quadros competitivos se enquadram com a realidade? Por exemplo, já verificaram se o 6º classificado de determinadas regiões tem o mesmo "andamento" do 2º da APR/APL? Eu respondo: um redondo NÃO.
Se forem as Associações de Patinagem a definir os quadros competitivos, é então ainda pior. Porque, como bem sabem, as Associações mais representativas continuarão a defender os interesses dos seus clubes e não do Hóquei em Patins nacional. Se querem um Nacional só das regiões de Lisboa e Porto, façam-no, mas criem também um Nacional das províncias. Os clubes não se importarão, de certeza com os custos.
O que aqui está em causa não são títulos neste escalões! É continuar a dar oportunidades de evolução aos miúdos. Só se aprende e se evolui competindo com os melhores.
O "programinha" OIST (Observação, Identificação e Seleção de Talentos) pretende captar talentos individuais. Repito, individuais. O que aqui estamos a falar é de equipas. Ou seja, o jogo coletivo que determinada equipa pratica.
Em anos anteriores, ainda se deram ao trabalho de minimizar danos. Promoveram-se os famosos "play-offs". Por que razão este ano desapareceram? Se foi explicada a razão às Associações, a informação não chegou aos clubes, treinadores e atletas. Em tudo isto, há uma clara falta de informação e clareza.
Esta não é uma questão menor. Os clubes da província merecem atenção e respeito. Haja equidade e justiça. É como eu, ou o treinador do Turquel, nos sentiremos amanhã: injustiçados. Pelos clubes, pelas direções, pelos miúdos, pelos pais.
A minha proposta é simples: fora das regiões mais representativas, uma região, um apurado. Duas regiões, dois apurados e assim sucessivamente.
Apelo a que a Direção Técnica Nacional se mexa. Não basta pegar em atletas das regiões de Lisboa e Porto, fazer uma Seleção Nacional, ganhar títulos, e concluir que está tudo bem! É pouco, muito pouco. Existem atletas/miúdos/crianças fora dessas zonas que praticam a modalidade, que a vivem, e que merecem ter as mesmas oportunidades de todos os outros.
É como já referi, mais do que uma questão de justiça, é uma questão de equidade!
Rui Nunes
Sábado, 21 de Fevereiro de 2026, 10h24
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