Notícia

A afirmação catalã além-fronteiras

May 12, 2016

A Catalunha segue a sua luta pela independência política e desportiva. Com destacados atletas em praticamente todas as modalidades, ainda na "ressaca" da aposta olímpica de 1992, o hóquei em patins, desde cedo adoptado com brio e orgulho pela cultura catalã, não foge à regra.

As competições europeias de clubes são um feudo catalão. Na Liga Europeia, em 50 edições, já cinco equipas da Catalunha venceram esta que é a prova máxima de clubes. O número de equipas vencedoras (entre 11 que levantaram o troféu) não impressiona só por si, mas essas cinco equipas somam 38 conquistas, 76% dos títulos que estiveram em disputa.

A estas conquistas não será alheia a qualidade dos jogadores e, numa altura em que não são muitos os clubes da OK Liga que podem competir economicamente com alguns rivais portugueses e italianos, o talento catalão procura e afirma-se além-fronteiras.

Para esta Final Four, todas as equipas contam com jogadores catalães. Tal será normal no Barcelona, mas não tanto num passado recente dos portugueses de Benfica e Oliveirense ou dos italianos do Forte dei Marmi. E não é um pontual jogador catalão... em todas as equipas há, pelo menos, dois catalães.

Marc Gual

Naturalmente, é o Barcelona que com mais catalães se apresenta na Luz. Xavi Barroso (natural de Caldes de Montbui), Egurrola (Barcelona), Sergi Panadero (Vic), Marc Gual (Sant Sadurní d'Anoia) e Xavi Costa (Tarragona) fazem parte do núcleo duro da equipa. Edu Lamas (Barcelona) voltou a calçar os patins apenas na semana passada e, devendo viajar com a equipa, não jogará. No seu lugar virão dois juniores utilizados esta época, figuras de proa também na equipa "B" que venceu a Primera Nacional, segunda divisão do país vizinho: Sergi Llorca (Caldes de Montbuy) e Nil Roca (Arenys de Munt).

O plantel do Barcelona conta ainda com um espanhol nascido além-Catalunha. É Sergi Fernandez, que nasceu em Palma de Maiorca. Mas de lá partiu ainda muito jovem para Barcelona.

Três no Benfica...

O anfitrião Benfica estreou-se no filão catalão com o guardião Albert Balagué, em 2007. Não correu bem... Em 2010 chegaria Toni Sanchez, um histórico do Reus que, a contas com lesões, só cumpriu uma temporada, culminada no entanto com a conquista de uma Taça de Portugal, o primeiro título encarnado em muitos anos. Em 2012 chegou Marc Coy. Não sendo um jogador de nomeada como os que se seguiriam, Coy - sem se assumir como uma primeira escolha - conquistaria tudo ao serviço dos encarnados, e escancarava a porta a jogadores de créditos firmados.

Guillém Trabal

Em 2013, Guillém Trabal (Voltregà), tido como um dos melhores guarda-redes de sempre do hóquei espanhol e um namoro antigo dos encarnados, chegava à Luz. Alguma desconfiança pelos seus 35 anos foi rapidamente ultrapassada, conquistando os adeptos. Esta temporada chegaram os multi-campeões da Europa e do Mundo Marc Torra (Tordera) e Jordi Adroher (Girona), .

... dois na Oliveirense...

A Oliveira de Azeméis chegou em 2014 um dos jogadores mais disputados desse defeso. Albert Casanovas (Reus) sucedera a Trabal como capitão na equipa da sua cidade natal, e não tardou a afirmar-se como um dos mais pendulares jogadores do campeonato português.

Albert Casanovas

Com Casanovas chegou um dos valores em alta no hóquei do país vizinho. Xevi Puigbi (Voltregà), acabado de se sagrar MVP da Taça do Rei 2013/14, é mais um bom exemplo da excelente escola de guarda-redes catalã e ganhou desde logo o lugar na baliza de uma equipa que promete atacar todos os títulos mas que tem tardado em cumprir.

Na próxima temporada , Casanovas regressa a "casa". Mas chegam Jordi Bargalló e Jepi Selva.

... e outros dois no Forte dei Marmi

Nem só para Portugal têm "fugido" bons valores do hóquei catalão, afirmando-se longe do conforto de casa. Os projectos transalpinos - infelizmente, muitas vezes fugazes no investimento - também são uma tentação do ponto de vista económico e têm garantido algumas figuras. E a maior de todas, o capitão de uma Armada espanhola que só agora deixa de ser Invencível, está no Forte dei Marmi.

Pedro Gil (Sant Sadurní d'Anoia) cedo saiu da Catalunha, rumo a Portugal. Aos 19 anos chegou ao Infante Sagres e não demorou a dar o salto para o FC Porto, onde se estabeleceu como um dos melhores - quiçá o melhor - jogador do Mundo.

Enric Torner

Gil "passou" pelo Reus duas temporadas, numa Catalunha onde, "reza a lenda", nunca quis representar o Barcelona, rumando, depois de uma segunda passagem pelo FC Porto, a Itália. Primeiro no Valdagno (uma época) e agora no Forte dei Marmi (na sua terceira temporada), Gil conquistou sempre o "scudetto".

Um dos fiéis escudeiros de "Pedrito" no actual Forte, é o também catalão Enric Torner (Tordera), filho de Josep Enric e sobrinho de Joan, duas das maiores figuras de sempre do hóquei patinado. Na equipa transalpina actua ainda outro espanhol, dos poucos que granjeou reconhecimento sem pertencer ao jugo catalão: o galego Pablo Cancela.

Entre as quatro equipas, são 12 catalães de inegável qualidade que evoluirão na Luz, sendo fora desta dúzia ficam Edu Lamas (lesionado) e os jovens Sergi Llorca e Nil Roca que, a breve prazo, podem estar noutros vôos.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade