Opinião

Jordi Bargalló, de menino a mito

Aug 06, 2016
Marc Libiano

Marc Libiano Pijoan, jornalista desportivo actualmente no Diário de Tarragona. Apaixonado pelo desporto em geral e pelo hóquei em particular.

Os sonhos daquele menino que recebeu o baptismo de patins na histórica pista do Colégio Sant Josep, nunca terão idealizado uma passagem tão idílica pelo Riazor. Porque Jordi Bargalló Poch (Sant Sadurní, 1979) já é uma lenda do Liceo. É-lo por meritocracia, não por actuações superficiais sem conteúdo. O seu hóquei, influente em muitas zonas da pista, capaz de assumir papéis infinitos, elevou um daqueles clubes “fetiche” que conquistam a admiração pelas suas tardes épicas, tanto na glória como no fracasso. Bargalló, no seu rosto, resume todas as cicatrizes do Liceo.

Liga Europeia, Lodi, 2012

12 épocas, reunidas em duas etapas (2002 a 2006 e 2008 a 2016), coroam o trajecto deste poderoso representante do Hóquei em Patins total. A lista de prémios ilustra este ciclo de luxo. Três Ligas Europeias, uma OK Liga, duas Taças Continentais, duas Intercontinentais, uma Taça CERS e uma Taça do Rei exibem-se, sem pó, na privilegiada vitrina que tem numa sala em casa, porque para Jordi o Liceo não é apenas mais um passo na carreira. É a sua obra mestra. Nele conquistou prestigio e um estatuto superior no mercado.

OK Liga, El Vendrell, 2016

A evolução deste rapaz, de anatomia imponente, superou as expectativas. Apareceu como um avançado a fazer valer o físico, para se impor como um todo-terreno diferencial, de carisma e personalidade valente, para assumir responsabilidades quando o resto da humanidade se encolhe. Decisivo em muitos registos do jogo, alcançava a plenitude especialmente no ataque sem descanso em que jogava a sua equipa. De certeza que nenhum treinador o influenciou mais do que Carlos Gil. O argentino pode reclamar mais do que uma medalha na evolução especial deste seu discípulo que viu nascer, crescer e afirmar-se como uma figura mundial. Jordi sustentava grande parte desse jogo preciosista que exibiu o Liceo na última década. Ninguém jogou melhor que a equipa do professor Gil.

Campeonato da Europa, Oliveira de Azeméis, 2016

Jordi despediu-se daquele templo próximo às ondas da praia de Riazor há algumas semanas, inundado de emoção e de afecto dos fãs. Não existe nada mais especial que o reconhecimento do teu trabalho a milhares de quilómetros do berço da tua casa, ainda que a Corunha já seja o seu exílio dourado eleito quando tiver de se conformar em sentar-se no sofá, a contemplar prémios e a regozijar-se com o seu passado. Antes há ainda um último desafio na emergente Oliveirense, com quem assinou o último grande contrato da sua carreira. Enquanto na Corunha ficam as recordações nostálgicas daquele menino que se tornou um mito...

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