Opinião

Bem-vindos, Benvinguts, Bienvenidos!

Oct 01, 2016
Marina Alves

Co-fundadora do projecto HóqueiPT, jornalista e actualmente assessora de imprensa da Federação de Patinagem de Portugal, Marina Alves tem um trajecto profissional intimamente ligado ao Hóquei em Patins. Para lá do trabalho, há a paixão pela modalidade, pelo espectáculo, pelos pavilhões cheios e os grandes ambientes.

Este sábado começa o melhor Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins.

E é o melhor campeonato do Mundo porquê? Porque em Portugal jogamos bonito. De forma anárquica, ofensiva, com fome de golos e com pormenores técnicos a complementar a espectacularidade. Porque é um campeonato que se prevê muito competitivo. Um campeonato que tem os melhores jogadores da Europa e do Mundo. É “O Campeonato” que os treinadores, face ao investimento dos clubes, avaliam em 6 milhões de euros.

Mas, infelizmente, somos um país de queixosos. E os queixosos queixam-se com facilidade. Até aqui as queixas eram que o Hóquei não tinha visibilidade de outros tempos, não dava na televisão, perdíamos sempre com a Espanha... Bons tempos eram aqueles do Livramento. Ah, e do Panchito!

Temos o melhor espetáculo do Mundo na televisão. Correcção: Televisões!

Temos os melhores jogadores do Mundo. “Ah! Mas vêm muitos espanhóis... e a formação dos nossos atletas?”, perguntam os arautos da desgraça?

Dos últimos três anos – dois mundiais e um europeu de sub20 – contam-se 21 atletas. Destes 21 jovens, 14 jogam na I Divisão, um joga na LegaHockey, principal campeonato italiano (o que não me parece desprimor nenhum) e quatro atletas ainda são juniores. Feitas as contas, apenas dois não jogam na primeira divisão.

Ainda assim, perguntem a um sénior de primeiro ano se preferia não jogar contra um Pedro Gil, Nicolia, Bargalló, entre outros... felizmente, muitos outros.

Recordo um episódio que presenciei na última semana de estágio em Oliveira de Azeméis. Num cumprimento normal e casual a um jornalista, perguntei “Vai cá estar no Europeu?”. E ele respondeu “Que remédio!”

“Que remédio?! Devia era estar grato por poder vivenciar ‘in loco’ um espectáculo como este!”. Como aquele que foi o Europeu, como este, que é o Hóquei em Patins.

Porque é assim que me sinto. Grata. Grata por fazer parte de tudo isto. Agradecida por poder ver o melhor Campeonato do Mundo. No meu país.

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