Reportagem

Paço de Arcos aponta à manutenção

Aug 30, 2014

O Paço de Arcos regressou esta semana ao trabalho, com o objectivo de atingir a manutenção o mais rápido possível.

Em 2013/14, o Paço de Arcos garantiu a manutenção com um décimo lugar, livrando-se da disputa do play-out. A nova época traz muitas novidades. A nova direcção entrou em funções em Março e, liderada por Marco Afonso, vai fazer uma primeira época de início ao fim, contando na equipa directiva com figuras ilustres do hóquei patinado, como Rui Lopes - vice-presidente - ou Carlos Dantas, responsável para o hóquei em patins.

O piso do “Casablanca”, agora já pronto para a nova época, foi alvo de melhoramentos

Ao comando técnico da equipa principal regressa Paulo Garrido. Depois de garantir a manutenção da equipa da Linha em 2011/12, o técnico que antes passou também pelo Benfica e Oeiras, afastou-se dos rinques. No regresso, a meta é a mesma de há dois anos. "Só há uma expectativa e nem pode ser de outra forma: é lutarmos para não descer de divisão. É o principal objectivo. Principal e máximo", reitera ao HóqueiPT, sem esconder uma secreta esperança. "Acredito que podemos fazer mais qualquer coisa", confessa.

Paulo Garrido regressa quando as saudades já começavam a apertar. "Por incrível que pareça, tinha saudades do treino, do dia-a-dia", revela. "O primeiro ano foi bom para descansar e pensar em certas coisas fora do hóquei. Mas sempre a acompanhar o hóquei. Não sou pessoa de, quando não estou no activo, aparecer nos pavilhões, mas gosto de ver um ou outro jogo. Por aparecer poucas vezes, não quer dizer que não acompanhe", esclarece. "O segundo ano longe já estava a ser muito difícil. São muitos anos ligados ao hóquei e chega-se a uma determinada altura em que o bicho começa a moer novamente. Foi bom terem-me convidado porque senão já pensava em abandonar de vez a modalidade para deixar de pensar nisso", desabafa.

Paulo Garrido de regresso a um dia-a-dia de que já tinha saudades

Em Paço de Arcos, o técnico sente-se em casa. "Eu comecei na modalidade em Oeiras e saí com idade júnior para o Paço de Arcos. E foi nesse ano que comecei a minha carreira de treinador", recorda. "Nunca estive, mesmo estando fora, desligado de Paço de Arcos. Moro aqui e tenho possibilidade de vir aos jogos mas estou contente. Estou contente porque é um clube de que eu gosto, estou com pessoas de quem eu gosto e assim acho que o trabalho vai ser muito mais fácil de se realizar", augura.

Em relação à última época, o Paço de Arcos perdeu figuras importantes. "Quando fui convidado para vir novamente treinar o Paço de Arcos, esperávamos e contávamos com todos os jogadores que cá estavam. Saíram o Carlos Silva e o Rui Ribeiro, fomos ao mercado e as coisas não são fáceis", explica. A aposta passou por jogadores jovens. "Optámos por trabalhar com gente mais nova e com qualidade. Daí aparecer o João Beja, o Guilherme e o Diogo. São jogadores com qualidade", observa, relegando para segundo plano alguma falta de experiência. "Os dois mais novos praticamente não têm experiência de I Divisão mas recordo que há uns anos atrás também fui buscar dois jogadores ao Benfica sem experiência de I Divisão e fizeram o campeonato que fizeram", lembra, recordando David Abreu e Ricardo Antunes numa época em que o Oeiras terminou em quinto.

"Estamos cá para ajudar os jogadores mais novos e, se os conseguirmos ajudar e fazer evoluir, estamos a ajudar o clube", afirma. "Vamos fazer tudo para que as coisas se encaixem e acho que temos um plantel equilibrado. Temos a experiência de alguns, outros sem experiencia, mas encaixar isto dá um certo gozo. Sempre a trabalhar para que se atinjam os objectivos, claro", ressalva.

Para além de Carlos Silva e Rui Ribeiro, saíram também João Alves (para o HC Braga) e Rui Tiago Pinheiro, bem como os dois juniores mais chamados aos seniores, André Gaspar para o Sporting e André Ferreira para o CACO. Para colmatar as saídas foram garantidos o guarda-redes Carlos Coelho (ex-Sporting CP), Miguel Dantas (ex-Candelária SC), João Beja (ex-HC Sintra), Guilherme Silva e Diogo Neves (ex-SL Benfica).

Regressos

De regresso a Paço de Arcos estão também Carlos Coelho e Miguel Dantas. O guarda-redes iniciou a última época em Oeiras mas rumou depois ao Sporting, onde acabou por perder espaço com a chegada de André Girão. A opção por Paço de Arcos tem muito de sentimental. "Melhor é impossível", refere o guardião ao HóqueiPT. "É uma casa em que eu cresci enquanto praticante da modalidade. Estive aqui cerca de 24 anos e estou extremamente satisfeito por estar de regresso a esta casa", assegura. Para a nova época, o objectivo da manutenção está sempre presente. "Acima de tudo, espero que consigamos concretizar o objectivo a que nos propusemos, que é o da manutenção, o mais rápido possível", pretende.

Carlos Coelho

Miguel Dantas saiu de Paço de Arcos para dois anos ao serviço do Candelária e regressa para acrescentar experiência a um plantel com muita juventude. "O objectivo principal é sem dúvida a permanência na I Divisão", diz ao HóqueiPT, revelando uma ambição extra. "Penso que temos um grupo de trabalho com qualidade suficiente para pensarmos sempre num pouco mais", confidencia. "Na minha opinião, o campeonato vai estar mais forte, o que nos obriga a ter mais rigor e mais vontade de vencer em cada jornada", expõe.

O clube da Linha não é apenas mais um no currículo de Miguel Dantas. "Quando saí não foi por estar mal no clube. Muito pelo contrário, é o meu clube de coração e onde estão os meus melhores amigos", esclarece. "O regresso a Paço de Arcos seria sempre a primeira opção. Sinto-me em casa e sei que esta é a minha casa", conta. "Trabalho aqui como sempre trabalhei em qualquer clube, e respeitei sempre todas as instituições por onde passei, mas o Paço de Arcos é especial", confessa.

Presidente aponta à revitalização do clube

Eleito em Março para estar à frente dos destinos do clube, Marco Afonso não aponta nesta primeira época à manutenção. "O nosso principal objectivo é mantermo-nos na I Divisão. O Paço de Arcos é um clube de I Divisão e o objectivo desta direcção é que se mantenha. Vamos fazer tudo por tudo para que assim seja", explica ao HóqueiPT. No entanto, não descura uma boa classificação. "É claro que, ficando na I Divisão, quanto mais acima ficarmos melhor será para nós", deseja.

O Clube Desportivo de Paço de Arcos - com este nome - foi fundado em 1944. No entanto, o clube celebra a fundação a 1 de Março de 1921, altura em que surgiu o Futebol Clube de Paço de Arcos.

O contexto económico do país estende-se aos clubes de hóquei em patins, e o Paço de Arcos não é excepção. "É difícil. Esta direcção está cá há muito pouco tempo e apanhámos o clube numa fase muito má financeiramente. Não sei se historicamente o clube já esteve numa fase tão má como está agora. O passivo é imenso", lamenta. "As chatices diárias são imensas. São fornecedores do passado a pedirem-nos para pagarmos as dívidas… São ex-treinadores, ex-jogadores, ex-professores do ginásio e do centro náutico… todos eles estão a enviar-nos quase diariamente emails e SMS. Ainda hoje recebi uma de um ex-jogador", confidencia.

"Tomámos muitas medidas nos três primeiros meses de direcção e estamos a conseguir muitas poupanças. E começámos a honrar os nossos compromissos em termos de pagamentos. Conseguimos estar a pagar tudo atempadamente", orgulha-se. "Mas está a ser muito difícil. Dá muito trabalho e é preciso gostar muito disto para estarmos nesta posição. Mas já sabíamos com o que contávamos. E mesmo assim abraçámos este projecto", afirma.

O presidente Marco Afonso

No aspecto desportivo, poder contar com ilustres do hóquei em patins é uma vantagem… mas não a principal para o dia-a-dia do clube. "É uma vantagem ter pessoas reconhecidas no mundo do hóquei mas também há outra vantagem muito grande, que não senti em direcções passadas. São pessoas que gostam do Paço de Arcos, que se interessam pelo Paço de Arcos e estão aqui pelo Paço de Arcos. No passado não era bem assim. Não vale a pena estar a falar mal das direcções anteriores mas sabemos que não era bem assim. Só o amor à camisola e ao clube desta direcção – toda - é que faz com que se ultrapassem as dificuldades. Estamos a fazer as coisas com gosto e é isso o nosso grande ânimo", garante.

"O clube está quase com 100 anos e queremos que faça mesmo 100 anos, e muito mais do que 100 anos. É esse gosto pelo clube que nos faz vir para cá e estarmos empenhados nesta causa que é erguer o Paço de Arcos", conclui.

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