Notícia

Miras e Coy contra a hegemonia blaugrana

Sep 22, 2018

Fotos: Edgar Mata Roca

Fotos: Luís Velasco

Fotos: Real Federación Española de Patinaje

Arranca este sábado em Espanha a OK Liga e o sorteio ditou que o encontro que mais “faísca” deu em 2017/18 abra a nova edição.

Em Março último, o empate a dois entre Liceo e Barcelona na Corunha terminou com um golo não validado a Sergi Miras que fez correr muita tinta. E vídeos. A divisão de pontos acabaria por ser decisiva para a conquista do título pelos blaugrana.

Há menos de uma semana, o Liceo vingou-se. Ainda que a Supercopa não tenha a mesma importância, a vitória por 3-2 dos “verdes” sobre o Barcelona – que não perdia há 300 dias – na partida decisiva é um tónico importante para os de Juan Copa, um carimbo de qualidade que permite aos jogadores encarar, este sábado, os seus rivais, sem a áurea de invencibilidade que construíram com triunfos na Supercopa, Copa del Rey, OK Liga e Liga Europeia na pretérita temporada.

Miras foi protagonista num lance que marcou o último Clássico para a OK Liga entre Liceo e Barcelona [LV]

No Liceo, que o ano passado viu sair o seu mítico treinador Carlos Gil para a entrada de Juan Copa, destacam-se dois jogadores que passaram por Portugal: Marc Coy e Sergi Miras. Mas o trajecto dos dois jogadores tem mais pontos em comum do que o facto de terem passado por Portugal, tendo Coy representado o Benfica e Sergi Miras o Sporting.

De Cerdanyola para os gigantes da Europa

Sergi Miras nasceu em Cerdanyola del Vallès em 1986. No ano seguinte, nascia na mesma localidade de cerca de 60 mil habitantes, Marc Coy.

Ambos começaram a patinar no Cerdanyola. Miras mais velho, jogava por regra no escalão acima, e os dois jogadores não fariam – senão pontualmente - parte da mesma equipa. Ainda na formação, Miras rumou ao Barcelona e Marc Coy seguiu-lhe as pisadas. Em 2005/06, os dois jogadores jogavam enfim juntos, “longe” de casa, nos juniores do Barcelona.

Na Latina em 2008, em cima, a partir da esquerda, estão Marin (sim, com cabelo), Miras e Coy. O segundo em baixo, também a contar da esquerda, é um imberbe Xevi Puigbi. [FEP]

Essa temporada de 2005/06 seria marcante para ambos. Fruto das boas prestações ao serviço dos blaugrana, Sergi Miras foi chamado à Taça Latina que se realizou em Viareggio. E venceu. Marc Coy foi chamado ao Europeu de Sub-20 a Saint-Omer. E também venceu, na última conquista europeia de Espanha no escalão antes do penta português.

Finda a temporada, Miras foi “rodar” no Alcoy, onde jogou ao lado de André Centeno, que seria, anos depois, seu colega no Sporting. Volvido um ano, em 2007, regressou a Cerdanyola, onde chegava também Coy, saído da formação do Barcelona. Estavam finalmente juntos, em casa. O projecto era ambicioso, mas a entrada do técnico David Bou para o lugar de Jordi Miró não surtiu os efeitos desejados e a equipa não se conseguiu manter na OK Liga.

Marc Coy conquistou uma Supertaça no seu primeiro jogo pelo Benfica e uma Taça de Portugal no último. Pelo meio, conquistou a Liga Europeia.

Marc Coy ainda continuou mais uma temporada, Sergi Miras saiu para o Sitges, representando depois o Vilafranca, antes de, em 2010, chegar ao Liceo.

Antes, em 2008, Miras e Coy vieram juntos a Portugal. Na Taça Latina que se realizou em Coimbra, os dois jogadores foram chamados a par de nomes como Raul Marin ou Xevi Puigbi, mas perderam na final para uma selecção portuguesa que contava com Ângelo Girão, André Centeno e João Pinto, que viriam a jogar ao lado de Miras no Sporting, ou Diogo Rafael, que seria companheiro de Coy no Benfica.

Voltando a 2010, tinha início a primeira passagem de Sergi Miras pelos “verdes” e a sua afirmação definitiva. Ao lado de nomes como Jordi Bargalló e Ricardo Barreiros (e Toni Perez), conquistou duas Ligas Europeias e convenceu enfim os dirigentes do Barcelona a chamarem-no de volta em 2012.

Sergi Miras esteve uma temporada no Sporting, mas deixou marca. Segundo a imprensa, terá sido abordado por Benfica e Oliveirense para regressar a Portugal.

O defeso de 2012 seria também marcante para Marc Coy. Depois de representar Vigo Stick e Tenerife, Coy sagrou-se melhor marcador da OK Liga ao serviço do Calafell e “ganhou” um bilhete para um Benfica renascido para as conquistas.

No ponto alto da temporada de 2012/13, os dois jogadores encontraram-se na meia-final da Liga Europeia. Levou a melhor Coy e o Benfica, nas grandes penalidades, antes da conquista histórica – a primeira na prova - frente ao Porto.

Coy, apesar de nunca ser um indiscutível, ficaria mais uma temporada nas águias, mas Sergi Miras, com poucos minutos de utilização, sairia do Barcelona para o Vendrell, onde atingiria um nível estelar às mãos de Guillem Cabestany e Guillem Perez.

Quando Perez foi chamado pelo Sporting em 2016, não hesitou em trazer o seu capitão. Apesar de boas prestações, uma época conturbada na secção ditou a saída de Sergi Miras. Regressou a um sítio onde fora feliz, ao Liceo. E Marc Coy estava à sua espera há um ano, depois de duas temporadas ao serviço do Reus.

Vitória na Supercopa derrubou uma ideia de invencibilidade blaugrana [EMR]

Novamente juntos, e com um equipamento em tudo semelhante ao que, anos antes, trajaram no Cerdanyola, protagonizaram uma grande temporada, mas sempre na sombra do Barcelona. No arranque desta nova temporada, viram o sol brilhar no passado sábado, em Sant Sadurní d’Anoia. Na final com o Barcelona, Marc Coy fez o segundo golo do Liceo e Sergi Miras serviu de forma primorosa o gaulês Carlo Di Benedetto para o terceiro e decisivo golo, a poucos segundos do apito final.

Este sábado, a partir das 20h locais, Liceo e Barcelona voltam a encontrar-se em nova luta de titãs, com o atractivo adicional do português João Rodrigues – que jogou com Coy no Benfica - se estrear na OK Liga.

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