Notícia

Quatro pontos perdidos...

Oct 18, 2018

No final do dérbi entre Sporting e Benfica que marcou a primeira jornada da edição 2018/19 do Campeonato Nacional da I Divisão, os treinadores Paulo Freitas e Pedro Nunes lamentavam a perda de dois pontos.

O empate a três final acabou por saber a pouco, quer ao técnico campeão nacional, quer ao vice-campeão nacional, que relativizaram este confronto disputado logo na primeira jornada de um campeonato que se antevê longo e complicado.

Publicamos as declarações integrais dos dois técnicos em conferência de imprensa no final do segundo “Dérbi Capital” disputado no Pavilhão João Rocha, repetindo-se o resultado do primeiro.

Pedro Nunes

Comentário ao jogo

“Foi um jogo em que o Benfica foi quase sempre superior ao Sporting. Na primeira parte, acho que dominámos e controlámos o jogo por inteiro. O resultado ao intervalo, na minha perspectiva, peca por escasso.

Obviamente que na segunda parte esperávamos uma reacção do Sporting. Nem sempre muito esclarecida, mas com muita impetuosidade, com muita procura do jogo para a cara do nosso guarda-redes, com pivots de referência, com muita qualidade. Criou-nos alguma intranquilidade, mas foi sempre o Benfica a sair em transições rápidas e a criar perigo.

No momento em que fizemos o 2-0, acho que estávamos estáveis no jogo. Controlávamos, dando algum domínio ao Sporting, mas penso que o 2-1 relança o jogo, e o Sporting acreditou.

Obrigou-nos a trabalhos suplementares. Perdemos, também por mérito do Sporting, alguma organização, mas penso que depois, com a obtenção do terceiro golo, voltámos a estabilizar.

Acho que fomos uma equipa mais clarividente, mais consciente também.

Acho que no computo geral, o Benfica foi sempre - sempre - superior ao Sporting, ainda que, como referi há pouco, o Sporting tivesse uma reacção após o 2-1 que obviamente nos intranquilizou. E também aí, nalguns momentos, houve algumas decisões pouco claras relativamente ao critério das faltas de equipa, que nos penalizaram.”

Perda de dois pontos ou um ponto ganho?

“Eu não costumo ser arrogante, até porque tenho muito respeito pela instituição Sporting e pelo treinador do Sporting, e obviamente que se olharmos para o campeonato, pelo facto de ser a primeira jornada, conquistar um ponto na casa de uma grande equipa e, ainda para mais, o campeão nacional, é sempre positivo.

De qualquer das formas, face àquilo que as duas equipas fizeram durante o jogo, face àquilo que foi na realidade o jogo aos meus olhos - admito mudar de opinião depois de ver o jogo de uma forma mais pausada, mais descansada, se quiserem - eu considero que o Benfica perdeu dois pontos. Mas isso apenas e só deve ser traduzido na nossa ambição.

Deixem-me dizer também que o ano passado conquistámos aqui um ponto, e isso também não nos serviu de nada, não fomos campeões nacionais.

Portanto, na minha perspectiva, e repito, de forma humilde, acho que, por aquilo que foi o jogo, o Benfica perdeu dois pontos. Isso não faz de mim, de todo, um treinador insatisfeito, como devem calcular.”

Benfica mais focado, quando era mais vertiginoso na época passada, pelo golo cedo?

“Não, não teve a ver com o facto de marcar cedo. Nós trabalhámos uma estratégia ao longo da semana - para não dizer duas e três semanas - e vínhamos cientes daquilo que era preciso fazer para conquistar aqui três pontos.

É provável que em alguns momentos encontrem um Benfica diferente. Essa sua [Frederico Bártolo, O Jogo] análise demonstra que olha para o Hóquei em Patins de uma forma diferente da generalidade dos seus colegas, e peço imensa desculpa, é um elogio a si e não algo de depreciativo em relação aos outros.

O Benfica alterou, de alguma forma, a sua estrutura enquanto equipa e, ao mesmo tempo, também temos de olhar para o contexto, da prova em si, do campeonato em si. E, nesse aspecto, acho que não seriamos muito inteligentes se não corrigíssemos alguns aspectos e se não introduzíssemos outros que acho que conferem mais e maior estabilidade para disputar todos os jogos com o intuito de conquistar os três pontos, porque é isso que se vai traduzir no campeão nacional.”

Paulo Freitas

O golo que o Sporting sofreu, logo no início, influenciou a estratégia preparada?

“Claro. Eu ouvi aqui atentamente o meu colega, por quem tenho grande estima e consideração, e é evidente que isso trouxe-lhe tranquilidade ao jogo e alguma intranquilidade a nós.

E também o ouvi dizer que, se calhar, depois de ver o jogo vai ter uma opinião diferente. E não tenho dúvidas que ele vai ter uma opinião diferente.

Porque naqueles momentos após termos sofrido o golo e muito a frio - num lance fortuito, que há um desvio na cara do Girão depois de passar por três ou quatro jogadores a bola -, o Pedro Henriques esteve soberbo na baliza. O Pedro Henriques evitou por diversas vezes que nós conseguíssemos alcançar a estabilidade que precisávamos.

Agora, é evidente que entrar a perder cria sempre alguma instabilidade, cria sempre alguma ansiedade, ansiedade que nós com o início deixámos sempre de lado, voltámos a sentir ali alguns índices de ansiedade e daí o facto do Benfica ter estado mais confortável no jogo.

Numa fase inicial, efectivamente isso aconteceu, mas depois acho que demos a resposta que tínhamos de dar, pese embora estivéssemos em desvantagem por dois golos de diferença.”

Mudanças ao intervalo?

“Já tentámos rectificar na primeira parte e já o fizemos na primeira parte. Tentámos cortar a profundidade ao Benfica, que se dava a algum conforto no jogo e por isso é que vocês disseram que era um Benfica que estava diferente.

Efectivamente é um Benfica diferente, mais pragmático, mais resultadista. E nós percebemos isso.

Tentámos cortar a profundidade ao Benfica, tentámos encaixar o nosso jogo no 3x3, com preocupações nos bloqueios, nas zonas interiores altas, e tentámos sair rápido na transição ofensiva.

E em termos ofensivos, tentámos criar muito mais dinâmica, tentar jogar muito mais sem bola, meter mais diagonais no jogo, utilizar os corredores, e acho que o conseguimos e conseguimos estar por cima do jogo durante largos minutos.

É evidente que, a este nível, em 50 minutos não consegues controlar todos os momentos de jogo. Isso é evidente. Com o equilíbrio de forças que existe... Aquilo que ele vai perceber é que, certamente ao longo do jogo, nós estivemos mais vezes por cima do que o Benfica.

Agora, a vantagem inicial deu-lhes claramente algum conforto na partida e permitiu-lhes essa lucidez. Ou seja, tentar gerir a posse no limite dos 45, tentar intranquilizar o Sporting. Não o conseguiu e contou com um enorme guarda-redes também, que conseguiu manter o Benfica em vantagem até ao intervalo.”

Um Benfica mais pragmático... à Sporting?

“Não. Eu disse isso, mas não me interessa desgastar-me com esse tipo de comparações, sinceramente.

Preocupa-me é a nossa casa, preocupa-me é o Sporting, não me preocupa nem o Benfica, nem qualquer outro rival. É um problema que não me diz respeito, estou apenas e tão só a analisar e passar essas mensagens para dentro do meu grupo de trabalho. Mas, claramente, é um Benfica... diferente.

É um Benfica diferente e, certamente, que vai continuar a ser um Benfica diferente. Porque, conforme ele [Pedro Nunes] disse aqui, havia que fazer qualquer coisa. Não ganharam e havia que fazer qualquer coisa.

E aqui acho que há uma diferença substancial. É que nós ganhámos e também fizemos. Nós ganhámos e também fizemos qualquer coisa. Acrescentámos qualidade ao nosso plantel e estamos tranquilos.

Acima de tudo, estamos muito focados e vamos à procura dos nossos objectivos com grande entusiasmo, com muita tranquilidade e, acima de tudo, com muita confiança naquilo que é todo o processo e naquilo que é a qualidade individual e, fundamentalmente, colectiva da minha equipa.”

Individualmente, Font e Gil decisivos?

“Decisivos foram o Gonzalo Romero e o Raul Marin, que não constituíram opção para o jogo e que possibilitaram durante toda a semana que esses dois jogadores aparecessem a esse nível.

Isto é uma equipa, não me interessa destacar aqui qualquer individualidade. Depois, obviamente, fazemo-lo internamente e aquilo que temos de perceber é que hoje empatámos, empatámos todos. Quando ganharmos, vamos ganhar todos.

E quando não o conseguimos, também somos todos que o vamos assumir.”

Ganhou um ponto ou perdeu dois? Foi um bom espetáculo?

“Acho que sim, que foi um grande espectáculo de Hóquei.

Sinceramente, acho que foi um grande jogo de Hóquei e vou ter oportunidade já de o rever mal saia daqui e vá para casa. Acho que foi um grande espectáculo de Hóquei e essa resposta, para mim, é muito simples.

Tenho que lhe dizer que estou satisfeito com aquilo que foi a produção que os meus jogadores tiveram, estou satisfeito com a entrega que os meus jogadores tiveram dentro de pista e estou insatisfeito, obviamente, com o resultado.

Pela instituição que representamos, nós entramos para ganhar. Não conseguindo atingir esse objectivo, obviamente que temos de nos sentir insatisfeitos.

O Pedro, há pouco, disse que perdeu dois pontos. Eu também perdi dois pontos. Perdemos quatro pontos, o que me parece algo que é um bocadinho difícil de acontecer. Mas ele, certamente, com a análise que vai fazer do jogo, vai perceber que, se calhar, ganhou um ponto.”

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