Notícia

Oeiras 'estraga' o Natal ao Benfica

Dec 21, 2018

Num Clássico que já foi enorme noutros tempos, Oeiras e Benfica empataram a quatro.

Antecipando o jogo da 11ª jornada inicialmente agendada para 2019, o Benfica perdeu – perante o último classificado do Campeonato - a oportunidade de, ainda que à condição, passar o Natal e entrar no novo ano em igualdade pontual com o líder Sporting.

Ezequiel Mena foi, como maestro, a figura maior do Oeiras

Vindo de uma derrota difícil de explicar em Paço de Arcos [a pouco mais de dois minutos do fim, o Oeiras vencia por 0-3], a equipa orientada por Miguel Dantas e Pedro Feliz entrou “mandona”, a tomar conta do jogo e a criar boas oportunidades, em particular no entendimento entre os argentinos Ezequiel Mena e Franco Ferruccio (“Tato”).

Mas a falta de eficácia custaria caro perante um Lucas Ordoñez cada vez mais decisivo nos encarnados. Aos 12 minutos, o ex-Barcelona inaugurou o marcador num remate à entrada da área e, minuto e meio depois, bisava de livre directo, depois de azul ao compatriota “Tato”.

Lucas Ordoñez assinou três golos

Nos jogos entre ditos “grandes” e ditos “pequenos” (enfâse em “ditos”), costuma-se dizer que o que custa é entrar a primeira. No entanto, mesmo já com dois golos sofridos, o Oeiras não baixou os braços. Logo na resposta ao segundo tento, Gonçalo Conceição, acabado de entrar, acertou no poste da baliza à guarda de Pedro Henriques.

Gonçalo Conceição é um dos quatro jogadores do plantel principal do Oeiras que passou pelos escalões de formação do Benfica. E, tal como os outros três - Diogo Neves, Diogo Alves e o guarda-redes António Mendonça (“Toni”) -, seria decisivo no empate final.

Diogo Neves, um dos quatro jogadores do Oeiras que, na formação, jogaram no Benfica, deu o mote com o primeiro golo

A cinco minutos e meio do intervalo, o Oeiras reduzia de grande penalidade por Diogo Neves e, um minuto depois, via recompensada a sua excelente primeira parte com uma justificada igualdade a duas bolas depois de um tento de Gonçalo Conceição.

A etapa complementar começou praticamente com o terceiro de Ordoñez. Ainda no primeiro minuto, o internacional argentino estancava a reacção do Oeiras e viu-se outro Benfica. Mais dinâmico, mais rápido, mais acutilante, mais pressionante. A maior pressão levou os encarnados às nove faltas, ainda com largos 17 minutos para jogar, mas - também sem o Oeiras forçar - levariam esse registo até aos três minutos finais.

Ao 2-4, por Casanovas, a vitória parecia já não escapar aos encarnados, mas...

Pouco depois da nona falta, Albert Casanovas marcava na recarga a uma grande penalidade – o suplente Bernardo Silva entrou e defendeu o primeiro remate, mas não susteve o segundo - e as águias voltavam a ter vantagem de dois golos.

A vantagem encarnada seria reduzida a 13 minutos do fim pelo camisola 13 do Oeiras, num remate com espaço, de primeira. Diogo Alves desfeiteava Pedro Henriques, seu colega no Benfica desde 2004 e companheiro ao longo dos escalões formativos (exceptuando um ano de “empréstimo” do guarda-redes ao Parede).

Lucas Ordoñez esteve muito envolvido na construção de jogo

Apesar das águias terem nove faltas, era sua a maior iniciativa, quase sempre com Lucas Ordoñez a ir muito além do que seria expectável - tal como já acontecera com o Turquel -, indo buscar muito jogo atrás e sendo muito interventivo na construção de jogo, não se confinando à finalização. Um papel que seria mais de Carlos Nicolia que, tal como na partida anterior, esteve no banco, mas não entrou.

O Oeiras arrastou o jogo para os minutos finais, sem ser determinado na busca da décima contrária que lhe valeria um livre directo. Conseguiria então essa soberana oportunidade, já dentro dos três minutos finais, mas Tiago Nogueira – que também representou os encarnados, mas enquanto sénior - desperdiçou (duas vezes) no remate directo.

O Benfica procurou muito o golo, mas foi pouco eficaz

A equipa da casa não desistiu e o jogo abriu. Sem procurar segurar a vantagem mínima, o Benfica procurou matar o jogo. Já perto do último minuto, Diogo Rafael ficou isolado, mas, optando pelo passe, o lance perder-se-ia, numa jogada paradigmática de alguma displicência ofensiva dos encarnados. Seria fatal.

Com 51 segundos para jogar, o talento bruto de San Juan de “Tato” Ferruccio valeu o empate num lance de excelente técnica individual, picando de costas para a baliza. E, nos instantes finais, no cara-a-cara com Pedro Henriques, o talento já mais refinado de Ezequiel Mena – que claramente reclama outros “voos” - ficou a dever a si próprio (e ao Oeiras) um golo que valeria três pontos épicos.

Tato festeja o golo do empate

No final do jogo, Pedro Nunes saiu visivelmente agastado com a atitude da sua equipa, tendo expressado o seu desagrado ao microfone da TVI24. Já depois do técnico ter abandonado o pavilhão, Rui Lança, Aristides Meireles e João Nuno, todos da estrutura encarnada, “reuniram” no centro da pista, perante o olhar curioso dos adeptos. O Benfica regressa aos jogos apenas a 12 de Janeiro, recebendo a Juventude de Viana, com a digestão deste empate a não se adivinhar nada fácil.

No último lance do jogo, Pedro Henriques segurou um ponto perante Mena

Entre o contentamento pelo ponto conquistado e o desespero pela vitória que escapou por uma “nesga”, o Oeiras celebrou a conquista de um ponto que o cola a Tomar e Marinhense, mas que não lhe permite largar a lanterna-vermelha.

Com o empate, o Benfica isola-se no segundo lugar, mas na primeira jornada de 2019 pode baixar para quarto, a cinco pontos do líder, caso Sporting, Oliveirense e Porto (os dragões têm dois jogos a menos do que as águias) vençam.

Joka é reforço

Miguel Dantas era um treinador feliz no final da partida frente a emblema que representou largos anos. “Contente pelo empate. O último lance, sinceramente, já não o vi...”, confessou, lamentando a derrota de último sábado. “Estou triste por essa derrota, mas com a perspectiva de que as coisas vinham a melhorar. Vinha-se a construir moralmente e tacticamente as coisas. Estava a ser um trabalho positivo”, considerou.

O trabalho realizado redundou agora num ponto conquistado frente ao segundo classificado, o que poderia dar um impulso anímico. Mas o Oeiras só regressa aos jogos a 12 de Janeiro, em Tomar. Uma pausa prejudicial? ”Não vejo as coisas assim. Tenho miúdos que são muito competentes na abordagem ao treino, na abordagem ao jogo. São jovens que têm muita vontade. Penso eu que vai trazer um descanso compensatório daqui para a frente”, contrapôs Miguel Dantas.

Numa luta que tem sido mais animada que noutras temporadas, o Oeiras segue em último (e com mais um jogo), mas apenas

Vai ser até ao fim. Não vamos acreditar que isto seja um balão de oxigénio. Vamos acreditar que é mais uma... mais um ponto que somamos aos outros.

E para o que falta jogar, o Oeiras conta desde já com um reforço. João Alves (“Joka”) deixou o Tomar no início do mês e já integrou os treinos às ordens de Miguel Dantas e Pedro Feliz.

Com formação no Paço de Arcos e no Sporting, Joka estava nos nabantinos desde 2016, depois de ter representado o Póvoa, e foi importante na afirmação da equipa na I Divisão às ordens de Nuno Domingues. Poderá estrear-se pelo Oeiras precisamente em Tomar

Joka reforça o Oeiras

11ª jornada

• Oeiras 4-4 Benfica

• Sporting vs Marinhense, 5.Jan, 16h

• Valongo vs Oliveirense, 5.Jan, 18h30

• Riba d’Ave vs Porto, 5.Jan, 18h30

• Turquel vs Tomar, 5.Jan, 21h

• Óquei de Barcelos vs Braga, 5.Jan, 21h30

• Juventude de Viana vs Paço de Arcos, 5.Jan, 21h30

10ª jornada

• Oliveirense 3-0 Riba d’Ave

• Braga 2-1 Marinhense

• Tomar 1-1 Valongo

• Benfica 5-1 Turquel

• Paço de Arcos 4-3 Oeiras

• Juventude de Viana 3-6 Sporting

• Porto vs Óquei de Barcelos, 22.Dez, 15h

Classificação

1º Sporting (26), 2º Benfica** (24), 3º Oliveirense (23), 4º Porto* (19), 5º Óquei de Barcelos* (16), 6º Riba d’Ave (15), 7º Braga (14), 8º Juventude de Viana (11), 9ºs Valongo, Turquel (9), 11º Paço de Arcos (8), 12ºs Tomar, Marinhense, Oeiras** (7)

* menos um jogo

** mais um jogo

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