Notícia

«Qualquer das oito equipas que lá estão pode ganhar»

Feb 21, 2019

Foto de capa e outras fotos: Luís Velasco

Foto de 2008: Real Federación Española de Patinaje

Arranca esta quinta-feira no Olímpico de Reus a grande festa do Hóquei em Patins espanhol. E, pela primeira vez, com a celebração masculina e feminina em simultâneo.

Os quatro dias de Taça do Rei e Taça da Rainha são os pontos altos da temporada da modalidade no país vizinho, uma espécie de “All-Star” em que estão presentes as oito melhores equipas das competitivas OK Liga e OK Liga feminina, apuradas pela sua classificação no final da primeira volta na respectiva prova.

“No contexto espanhol, a Taça do Rei é uma competição muito importante porque num fim-de-semana podes ganhar uma competição com muito valor”, conta-nos Xavi Barroso, jogador catalão que no último defeso reforçou a Oliveirense. “Qualquer das oito equipas que lá estão podem ganhar. As eliminatórias são a um só jogo e todos sabemos que, num jogo, tudo pode acontecer. É isso que torna a ‘Copa’ muito especial”, concretiza.

Objectivamente, a “Copa” é um palco que consagra heróis. Como Xavi Barroso, em 2013.

Nas “meias” em Oviedo, Barroso afastou o seu clube de (quase) sempre da final

Agora às ordens de Renato Garrido, Xavi Barroso tem um passado ligado ao Barcelona desde os 12 anos. Com excepção de uma passagem pelo Vendrell, na temporada de 2012/13, que o elevou ao panteão na Taça do Rei.

Em Oviedo, o "underdog” Vendrell de Guillem Cabestany eliminou o Vilanova (3-2) nos quartos-de-final e o Barcelona, por estrondosos 7-3 nas “meias”. Numa inédita final frente ao Reus, orientado por Alejandro Dominguez e com nomes como Guillem Trabal, Raul Marin, Albert Casanovas ou Jordi Adroher, o Vendrell perdia por 1-3 a dois minutos do final.

Xavi Barroso celebra com Jepi Selva, que também representou a Oliveirense

Mas, sem que o técnico argentino agora no Benfica desse ordem para os seus jogadores abdicarem do seu jogo de ataque, o Vendrell chegaria à igualdade a três. E, no prolongamento, Xavi Barroso bateu Guillem Trabal num golo que, fazendo jus ao seu epíteto, foi mesmo de ouro.

“Foi há muito tempo, mas ainda me lembro de muitas coisas vividas no Vendrell. Uma delas é essa Taça”, recorda. “Chegámos como uma equipa pequena e saímos como uma equipa grande”, resume ao HóqueiPT. “É por isso que as equipas mais pequenas dão muita importância à Taça do Rei. Sabes que, jogando apenas três jogos muito bem jogados, podes ter um novo título. E nós fomos a Oviedo com esta mentalidade”, explica. “Fizemos três grandes jogos e voltámos a Vendrell com a primeira Taça do Rei da história do clube”, orgulha-se.

Em 2014, o herói do Vendrell seria Puigbi… contra Barroso e Torra

O Vendrell voltaria a repetir a conquista no ano seguinte, já com Xevi Puigbi, agora colega de Barroso na Oliveirense mas em 2014 adversário na final, depois do defensor de Caldes de Montbui ter sido “chamado de volta” aos blaugrana, onde já estava outro jogador da Oliveirense que fez história nas Taças do Rei: Marc Torra.

Barroso voltaria a ser finalista vencido em 2015 – com o Vic do MVP Carles Grau a levantar a “Copa” - antes de coleccionar três títulos consecutivos pelo “seu” Barcelona, mas a Taça de 2013 perdurará na sua memória. “Gosto de todas as que ganhei, fosse com o Vendrell, fosse com o Barça, mas essa de 2013, pela maneira como foi ganha e pelo esforço que nessa altura o clube e os adeptos fizeram, terá sido um pouco mais especial que as outras”, revela. “Este ano vou sentir falta de poder jogar uma competição assim, naquele formato de Final Eight”, reconhece, deixando um voto: “Sorte a todas as equipas!”

Barcelona domina

No Taça do Rei, o dominador Barcelona procura este ano o seu 23º título em 75 edições, sendo que só em 1987 “apanhou” o Espanhol na lista de conquistas. Os “pericos” têm 11 conquistas e, apesar de não vencerem desde 1962 (a secção fechou entretanto e reabriu há dois anos), são ainda os segundos mais titulados, aproximando-se o Liceo, com nove triunfos (o último em 2004) e o Reus com sete (mas sem vencer desde 2006).

Disputada sem interrupções desde 1944, a Taça do Rei já conheceu 18 vencedores distintos, com o Vendrell – na tal conquista de 2013 – a ser o último a entrar no lote.

O Barcelona é o detentor do troféu, depois da conquista de 2018 em Lloret del Mar, contando com Xavi Barroso (Oliveirense) e Lucas Ordoñez (Benfica).

O Barcelona venceu as três últimas edições e ataca um tetra que nunca conseguiu. De facto, só o Espanhol alcançou tal feito, entre 1954 e 1957. Um hipotético triunfo do Barcelona, valeria também um feito individual a João Rodrigues, com um título na sua temporada de estreia na prova.

Esta é a terceira vez que a prova se disputa em Reus, tendo o Barça ganho as duas realizadas (2005 e 2016) em finais frente ao Vic.

O Vic foi o último a vencer antes do tri blaugrana, em 2015, mas não está presente. Como não está o Vendrell, que com Cabestany, vencera as edições de 2013 e 2014. De facto, é preciso recuar até 2008 para encontrar um vencedor que não o Barça que esteja presente. Foi o Noia… adversário do Barcelona nos “quartos” da edição deste ano.

Noia de Varias e com Cabestany MVP levantou o troféu em 2008

Na altura, o agora treinador do Porto, Guillem Cabestany – melhor jogador para os jornalistas presentes -, marcou um golo e Pere Varias, actual treinador do Noia, marcou outro para o 2-2 no fim do tempo regulamentar de uma final com o Vic de, por exemplo, Sergi Fernandez, Marc Torra e Jordi Adroher. O desempate foi nas grandes penalidades e Pere Varias decidiu.

Impedir o Barcelona de voltar a ganhar é um desafio. Que, nas últimas três temporadas, apenas o Liceo logrou, vencendo as “Supercopas” de início de temporada em 2016 e 2018.

Começam os jogos

Esta quinta-feira, disputam-se dois jogos dos quartos-de-final da Taça do Rei e outros dois da Taça da Rainha. Primeiro as senhoras.

Com quatro vencedores diferentes nas últimas quatro edições – Manlleu, Gijon, Voltregá e, no ano passado, Vilanova – a Copa de la Reina arranca com uma partida entre Voltregà, recordista de triunfos com seis em 13 edições, e o Las Rozas. Segue-se o embate entre Manlleu e o Cerdanyola de Maca Ramos, ex-jogadora do Benfica.

Voltregà (seis vezes), Gijón (três), Vilanova (duas) e Manlleu e Cerdanyola (uma vez cada) foram os vencedores das 13 edições da Taça da Rainha já realizadas.

No masculino, a competição arranca com um duelo entre Liceo e Igualada, segundo e quinto, separados por 11 pontos ao cabo de 20 jornadas da OK Liga. O Liceo apresentar-se-á sem Edu Lamas lesionado, com Coy condicionado e com Josep Lamas pendente de um castigo pelo vermelho visto no encontro com o Sant Cugat. Para a OK Liga, o Liceo venceu 0-2 em Igualada, com tentos de Dava Torres e Edu Lamas.

A fechar o dia, defrontam-se Reus e Lleida, terceiro e sexto, com seis pontos entre eles. Para o campeonato, em casa do Lleida, detentor da Taça CERS, deu empate a três.

Copa de la Reina

Quartos-de-final

- #1 • Voltregà vs Las Rozas • 21.Fev, 15h15

- #2 • Manlleu vs Cerdanyola • 21.Fev, 17h15

- #3 • Palau Plegamans vs Vila-Sana • 22.Fev, 15h15

- #4 • Gijón vs Bigues i Riells • 22.Fev, 17h15

Meias-finais

- #5 • Vencedor #1 vs Vencedor #2 • 23.Fev, 11h

- #6 • Vencedor #3 vs Vencedor #4 • 23.Fev, 13h

Final

- #7 • Vencedor #5 vs Vencedor #6 • 24.Fev, 15h

Copa del Rey

Quartos-de-final

- #1 • Liceo vs Igualada • 21.Fev, 19h15

- #2 • Reus vs Lleida • 21.Fev, 21h15

- #3 • Caldes vs Voltregà • 22.Fev, 19h15

- #4 • Barcelona vs Noia • 22.Fev, 21h15

Meias-finais

- #5 • Vencedor #1 vs Vencedor #2 • 23.Fev, 18h

- #6 • Vencedor #3 vs Vencedor #4 • 23.Fev, 20h

Final

- #7 • Vencedor #5 vs Vencedor #6 • 24.Fev, 17h

(* horas locais)

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