Opinião

O dia em que conheci o Hóquei na Catalunha...

Nov 06, 2014
Marina Alves

Dezasseis campeonatos do Mundo, os cinco últimos consecutivos, 16 Campeonatos de Europa, sendo que os sete últimos também consecutivos, 16 Taças das Nações e um segundo lugar nos jogos Olímpicos de 1992 – como modalidade de exibição. O hóquei em patins em Espanha é a modalidade de êxito que triunfa e ganha tudo.

Sempre olhei para o hóquei ali do lado (entenda-se, OK Liga) com alguma inveja (confesso)! Mais concretamente para a Catalunha. Tudo parece perfeito na OK Liga! Muitas equipas profissionais, extremamente organizadas, que estudam, que se preparam. Jogos emocionantes do início ao fim.

Cresci com a ideia que o hóquei na Catalunha é perfeito. Pavilhões cheios, clubes e dirigentes mais profissionais, a modalidade com espaço e reconhecimento nos “media”. Todos satisfeitos em prol da modalidade... Um engano! Vivi enganada estes anos todos!

Claramente existe muito mais e melhor organização e trabalho com provas dadas em termos institucionais. Mas falta-lhes a paixão dos adeptos. A nossa paixão.

Foto da bilheira a 20 minutos do inicio de um jogo europeu. Sem barulho, sem gente. Falta paixão.

Tive oportunidade de falar com jogadores, treinadores, árbitros, presidentes e todos se interessam e seguem o nosso campeonato. Acham-no muito mais disputado e interessante, invejam a atenção que a imprensa dá à modalidade e o público que vai aos nossos pavilhões... que quase enchem e que grita pela sua equipa. “Gritar?! Como en Viana, Barcelos i Turquel? Me gustaría conocer la ciudad de Turquel”. Expliquei que Turquel nem é uma cidade, é uma aldeia, e o interesse ainda aumentou.

Na Catalunha não é assim. Apenas dois ou três clubes conseguem uma boa casa (mas que não enche). E nós em Portugal dizemos que o hóquei está em crise.

Durante um jantar em que também estava Josep Maria Masdeu, figura maior da "Comisión Nacional de Arbitraje", a conversa passou muito pelos problemas comuns aos dois países. E pelas diferenças. E como nós portugueses fazemos tanto com tão pouco. Como pode um país que encara a modalidade como amadora atrair tantas atenções das outras Ligas, mais profissionais que as nossas?

Como seria o hóquei em Portugal se os árbitros frequentassem as acções de "coaching" que se fazem em Espanha? Ou melhor, como seria se um árbitro em Portugal ganhasse o mesmo de um da OK Liga? Cinco vezes mais! Sim... cinco!

Acredito que para se ser profissional não é preciso ganharmos muito dinheiro. Ou mesmo ganhar o que quer que seja. E a prova é que a Cláudia Rego foi eleita a melhor árbitra num torneio em que estavam árbitros de Espanha, França e Itália.

Para um treinador, como seria ter a oportunidade de assistir a Clinics e a partilhar as experiências e opiniões com a naturalidade com que se faz em Espanha?

Visca Catalunya! Mesmo nos pavilhões, a reivindicação da identidade ultrapassa largamente a paixão clubística.

E para mim como jornalista? Muitas das dificuldades com que me deparo passam pelo acesso à informação, mesmo a oficial, ou encontrar uma pessoa que fale ou comente qualquer assunto da nossa modalidade. Publicamente então é quase uma missão impossível. Por isso não posso deixar de perguntar: acreditam mesmo que damos pouco espaço à modalidade? Então digam-me, o que estão a fazer para mudar isso?

Em Vilanova i la Geltrú tive efectivamente das conversas mais interessantes e esclarecedoras dos últimos tempos sobre hóquei em patins com o Sr. Josep Maria Masdeu. Confesso que, face à inexistência destas iniciativas em Portugal, ou até de algum certo conservadorismo da minha parte, tanta informação simples e directa, desprovida de qualquer tratamento me soou a estranho. “Batemos umas bolas!” Eu aprendi algumas coisas, ele outras tantas. Sem protocolo, sem grandes formalismos. Estranho? Sim. Mas acredito que seja porque não estamos habituados a tanta frontalidade. E, como tudo se aprende... quando me sentir desanimada vou ali ao lado olhar para o hóquei em Portugal, porque a perspectiva de lá é muito melhor. Parecemos maiores!

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