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Há 10 anos, o Reus 'matava um borrego' com 37...

May 11, 2019

Foto de 2009: Real Federación Española de Patinaje

Outras fotos: Treinos, 10 de Maio

A Liga Europeia, prova máxima de clubes de Hóquei em Patins, é uma competição recheada de histórias, de caminhos que se cruzam, de coincidências e curiosidades, de finais ganhas e finais perdidas, de títulos que se perseguem.

Há 10 anos, em 2009, o Reus vencia a Liga Europeia, “matando” o “borrego” que, na altura, há mais anos persistia. Com muita gente que está este fim-de-semana no João Rocha para reclamar o troféu para si.

O Reus vencera seis finais consecutivas entre 1967 e 1972, depois do Voltregà ter ganho a primeira edição da prova em 1966. A série de seis conquistas foi um feito tão assinalável que, na história da competição, ainda só foi superado pelas oito conquistas consecutivas do Barcelona entre 1978 e 1985. E o Reus só deixaria de ser o emblema mais titulado da competição na sua 17ª edição, em 1982, quando o Barça somou o seu sétimo título dos agora 22 para não mais perder a liderança da lista de vencedores.

Os campeões de 2009, com muitas caras conhecidas

Em 2008, no início da caminhada para o título de 2009, chegou a Reus o treinador Carlos Figueroa, um andaluz que revolucionou o Hóquei em Patins e que vinha de conquistar três Ligas Europeias com o Igualada e seis com o Barcelona. Para seu braço direito chamou um argentino, sedento de aprendizagem, de seu nome Alejandro Dominguez, que nascera no ano antes do último título “reusence”. O agora técnico do Benfica viria a assumir o comando técnico do Reus na temporada seguinte, com a saída, por motivos pessoais, de Figueroa.

Alejandro Dominguez venceu a Liga Europeia de 2009 como adjunto do mítico Carlos Figueroa

Os rojinegro contavam com nomes bem conhecidos no seu plantel. Guillem Trabal e Toni Sanchez viriam a representar o Benfica (o avançado logo na temporada seguinte), o capitão Jordi Garcia é hoje o treinador do “seu” Reus, Marc Gual preparava o salto para o Barcelona, onde já Jose Luis Paez – “Negro” Paez – já construíra uma carreira icónica.

Estava também Xavi Caldú, o chileno Armando Quintanilla, que em Portugal já representou o Carvalhos, ou o guarda-redes Roger Molina, que actuaria às ordens de Cabestany no Vendrell. E ainda um Pedro Gil que “interrompeu” a sua aventura de azul-e-branco por duas épocas para levar o Reus à glória do sétimo título, bem como um jovem argentino – de 21 anos – que, oito anos volvidos, estaria também na oitava coroa: Matías Platero.

Matías Platero estava longe da afirmação; sairia depois desta conquista para o Tenerife, representando Lodi e Valdagno antes de regressar ao Reus… para mais uma Liga Europeia (2017)

Pedro Gil – que tem uma carreira recheada de título, mas conquistou “apenas” a Liga Europeia de 2009 – e Platero sabem o que é “matar um borrego”. E têm este fim-de-semana oportunidade de matar outro, ainda mais velho.

Caso triunfe, o Sporting voltará a ser campeão 42 anos depois, estabelecendo uma meta que só o Voltregà, que venceu o seu último título em 1976, um ano antes da equipa (Maravilha) do Sporting ter interrompido a hegemonia do país vizinho.

O título de 2009 do Reus seria levantado numa final frente ao Vic, no culminar de uma Final Eight que teve lugar em Bassano. Palco amargo para o Vic, que também ali perderia a final de 2015…

Pedro Gil colecciona títulos, mas só venceu a Liga Europeia por uma vez, nesse ano de 2009

Depois de uma fase de grupos que contou com oito equipas espanholas, três italianas e apenas duas portuguesas. Com o Óquei de Barcelos mergulhado numa crise financeira, com João Pinto - que iniciou esta temporada como capitão do Sporting – a deixar os barcelenses a meio da temporada, apenas o Porto chegou à Final Eight. Cairia logo nos “quartos”, frente ao anfitrião Bassano.

Passo a passo, Reus e Vic chegaram a uma final que só seria decidida nas grandes penalidades. No fim do tempo regulamentar, havia um empate a dois. Borja López e Jordi Adroher adiantaram o Vic de Ferran Pujalte, mas Jordi Garcia reduziu e Marc Gual, a um minuto do fim, forçou o prolongamento.

Jordi Adroher perdeu na final de 2009, mas venceria em 2010, pelo Barcelona, e em 2016, pelo Benfica

Sem golos no tempo extra, seguiu-se para as grandes penalidades. Gual, que este fim-de-semana pode ser campeão pelo Barcelona, marcou, tal como Adroher, que pode agora ser campeão pelo Benfica. O golo decisivo ficou para Pedro Gil, que busca agora o título pelo Sporting.

No Vic, deixavam escapar o título o guarda-redes Sergi Fernandez e Marc Torra. Torra está ausente desta Final Four, mas ninguém lhe tira o feito de conquistas sucessivas por três clubes diferentes, vencendo em 2014 e 2015 pelo Barcelona, em 2016 pelo Benfica e em 2017 pelo Reus. O guardião, companheiro de Egurrola na baliza mais bem guardada do Mundo, procura no João Rocha mais um título para o seu palmarés.

Egurrola já conta 11 Ligas Europeias, mas em 2009 foi o seu “escudeiro” de agora, Sergi Fernandez, que esteve mais perto de vencer

Há 10 anos, os campeonatos de Espanha e Portugal viviam sob um domínio avassalador de Barcelona e Porto.

Em Espanha, os blaugrana já tinham Egurrola e Panadero (o grande ausente da Final Four de 2019], treinados por Quim Pauls, e reinavam em pleno, sagrando-se campeões pela 12ª de um recorde de 13 conquistas consecutivas.

O Porto foi a única equipa portuguesa na decisão – em Final Eight – de 2009

Em Portugal, o Porto sagrar-se-ia essa época octocampeão, num ano em que o título foi decidido em playoff.

Os dragões jogaram a final com a Juventude de Viana, ao passo que o Benfica terminou em terceiro, naquela que seria a última temporada de Carlos Dantas ao leme das águias. Nessa época, o Benfica já contava com Valter Neves e Diogo Rafael, mas também com o guarda-redes Marco Barros, que regressou no último defeso… e com Vitor Hugo, ao dia de hoje o único bicampeão nacional, com títulos por Porto (2017) e Sporting (2018).

Em 2009, Gilberto Borges planeava o regresso de uma equipa sénior do Sporting, o que aconteceria um ano volvido

Então, e o Sporting de 2008/09? Não havia. Melhor, havia a nível formativo, mas estava a um ano de voltar a ter equipa principal de Hóquei em Patins. E só em 2014 voltaria a ser modalidade oficial do clube.

Em 2009, possivelmente só Gilberto Borges sonharia que, 10 anos volvidos, teria vencido uma Taça CERS 31 anos depois da última conquista, uma Supertaça António Livramento 32 anos depois e um Campeonato Nacional 30 anos depois. Será agora, para os leões e na sua casa, hora de “matar o borrego” – de 42 anos – da prova máxima de clubes?

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