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Não há almoços grátis... nem Campeonatos

Jun 26, 2019

As pré-inscrições para o Campeonato Nacional de Sub-23 satisfizeram os mínimos pedidos pela Federação de Patinagem de Portugal e a prova foi oficializada para a próxima temporada. As inscrições devem ser agora formalizadas junto das associações que organizarão a primeira fase.

Mas, quem se inscreve, depara-se com uma surpresa, a confirmar a expressão do economista João César das Neves de que "não há almoços grátis".

Pelo número de equipas inscritas, a organização das duas zonas da primeira fase caberá às Associações de Porto e Lisboa. Mas, contrariando a informação difundida pela FPP, que isentava as equipas no primeiro ano de taxas de inscrição e organização, Porto e Lisboa estão a exigir um pagamento.

“De facto, fomos informados por alguns clubes associados que teriam de pagar uma taxa de inscrição”, confirma Rui Carvalho, presidente da Associação Nacional de Clubes de Patinagem (ANACP), estranhando a cobrança. “Em comunicado federativo constava a isenção da taxa de inscrição e a Associação do Porto cobra 100 euros e a de Lisboa 150 euros. Estamos a falar de um Campeonato Nacional, em que as inscrições deveriam ser efectuadas na FPP, como acontece com os Campeonatos Nacionais das I, II e III Divisão”, acrescenta.

Rui Carvalho solicitou esclarecimentos, mas a resposta não foi convincente. “O que nos foi transmitido foi que a isenção das taxas tem aplicabilidade nas segunda e terceira fases. Ou seja, a isenção não existe, porque em qualquer competição, não existe inscrição para uma segunda fase”, constata. “Os clubes que lutaram para campeão nacional das II e III Divisão não se inscreveram para a segunda fase”, exemplifica.

“Os clubes só se inscrevem uma vez para cada prova. Esta é uma forma da FPP se descartar da sua responsabilidade neste processo. Prometeram aos clubes isenção de taxas e, agora, a própria FPP diz que não pode interferir nas taxas que cada Associação decide aplicar nas fases em que a organização lhes é delegada”, sublinha Rui Carvalho.

«Considerando que se trata de uma Competição Nacional, não é compreensível que haja diferenças entre o pagamento dos seus participantes»

A primeira fase deste Campeonato Nacional de Sub-23 está a ser tratado como um Campeonato Distrital de apuramento – à semelhança do que sucede noutros escalões – e não como já parte de um Campeonato Nacional. Paulo Rodrigues, ex-vice-presidente para o Hóquei em Patins da FPP, estranha os contornos desta prova.

“A FPP andou bem ao envolver as Associações de Patinagem nesta prova, se bem que não necessitasse, pois tem capacidade e competência suficientes para a assumir. Entendeu delegar a organização da primeira fase em duas Associações de Patinagem, mas será bom não esquecer que se trata sempre de um Campeonato Nacional, ainda que com fases distintas. A primeira fase ao nível regional, a segunda fase ao nível de zona e, por último, a terceira fase que apurará o campeão. E reitero que, independentemente de existirem várias fases, a prova continua a ser a mesma, o Campeonato Nacional de Sub-23”, explica.

“A FPP foi bem clara e explicita no que diz respeito ao (não) pagamento de taxas de inscrição e organização, isentando os clubes do pagamento destas e fixando o valor da taxa de arbitragem”, recorda, alertando para um tratamento desigual. “Considerando que se trata de uma Competição Nacional, não é compreensível que haja diferenças entre o pagamento dos seus participantes, sendo que este nem deveria ter lugar, pelo que determinou a FPP”, aponta.

“Tudo o que se possa dizer sobre a primeira fase ser uma fase regional, e que será da competência das Associações ‘organizadoras’, será defraudar as expectativas dos clubes participantes. E suscita uma outra dúvida”, observa. “Em que formato se irá disputar esta prova? Se as segunda e terceira fases estão bem definidas pela FPP, como será a primeira? Ao livre arbítrio das Associações organizadoras e conforme estas queiram? Não me parece adequado que um Campeonato Nacional possa vir a ter duas formas distintas de competição na mesma fase. Mesmo sendo delegada a organização, o formato competitivo deveria estar estabelecido inicialmente pela entidade de facto organizadora, leia-se FPP”, vinca.

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