Notícia

«Gostava muito de ir ao Campeonato do Mundo a San Juan»

Sep 05, 2019

No lançamento do Mundial de Sub-19, uma entrevista a Luís Duarte – de Vilanova i la Geltrù a Paço de Arcos – ficou a meio. Era o fim de uma temporada exigente e desgastante. Aparentemente, também para a bateria do telemóvel do técnico que entrará na sua terceira temporada consecutiva ao serviço do histórico clube da Linha.

Já em período de descanso, voltámos à fala com o treinador do Paço de Arcos e ex-seleccionador nacional de Sub-20 entre 2010 e 2017.

Balanço da temporada

O Paço de Arcos terminou o Campeonato Nacional em sétimo, depois de um 10º lugar em 2017/18, mas a classificação está longe de espelhar as dificuldades sentidas.

Perdendo muito cedo Nelson Ribeiro e Filipe Fernandes para lesões graves e prolongadas, Luís Duarte teve de reinventar a sua equipa. E, quando tudo parecia bem encaminhado, a suspensão preventiva de Diogo Silva – cujo castigo não se confirmaria – complicou a recta final.

Um desejado prémio de ida às competições europeias não se concretizou por o Clube apostar no rigor económico, o que também condicionaria o planeamento da nova temporada. Saiu o importante Tomás Pereira, Paulo Jesus e o guarda-redes Daniel Machial. Uma das saídas será colmatada pela entrada de Pedro Batista – campeão do Mundo de Sub-20 em 2015 e da Europa em 2016 (ambas com Luís Duarte) – e as outras pela “prata da casa”.

A saída da FPP e o pragmatismo das conquistas

Hoje com 48 anos, Luís Duarte protagonizou um percurso à frente da selecção de Sub-20 difícil de igualar. Timoneiro em oito grandes provas, ganhou quatro Europeus e três Mundiais, escapando apenas o Mundial de 2011, em Barcelos, curiosamente com um grupo que contava com vários jogadores agora campeões do Mundo de Seniores.

Não escondendo alguma “fricção” com Luís Sénica, então Director-Técnico e agora Presidente da FPP, Luís Duarte conta-nos como a sua forma pragmática – alvo de muitas críticas – de abordar as competições valeram títulos a Portugal. E voltariam a valer novo título em Barcelona, com Renato Garrido ao comando.

Entre o “jogar bonito” e o “ganhar”, Luís Duarte frisaria após a entrevista que era sempre perguntado aos atletas se preferiam ser campeões europeus ou mundiais ou jogar na I Divisão durante 10 anos. Sempre na perspectiva de que a Selecção é um momento de passagem, e que, enquanto estamos nela, se tem de dar sempre o melhor em prol da equipa e do país.

O campeonato português

Pese estar num clube reconhecidamente formador e de ter promovido alguns dos jovens talentos nacionais, Luís Duarte não defende a limitação de estrangeiros, analisando o percurso de, por exemplo, Tiago Rodrigues, o guarda-redes campeão do Mundo de Sub-20 em 2015 e 2017, que saiu da Oliveirense para se afirmar entre os seniores na Sanjoanense. E neste defeso é reforço do campeão nacional, Porto.

O Paço de Arcos ataca a próxima época com um plantel totalmente português, em que duas vagas serão ocupadas por dois jogadores dos Sub-23. Os trabalhos arrancaram a 2 de Setembro e o primeiro grande desafio é a Elite Cup, em que a equipa da Linha, depois do sétimo lugar no campeonato no ano passado, está agora de pleno direito.

19 anos de Clínicas

Quando a época termina, agora no Paço de Arcos, ainda está longe de terminar para Luís Duarte. Pelo 19º consecutivo, o treinador promoveu – em conjunto com Carlos Pires – as Clínicas de Verão, que ano após ano, ao longo de duas ou, como este ano, três semanas, enchem o pavilhão da Parede de jovens de todo o país.

Sonhos

Como apaixonado da modalidade, Luís Duarte tem um sonho comum a muitos… estar em San Juan em 2021, para o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. Não pondo de parte a possibilidade de estar à frente de uma selecção nesse evento que todos aguardam com expectativa, o técnico do Paço de Arcos revela ainda o sonho de acompanhar durante umas semanas os treinos do Barcelona. Porque ainda há muito para aprender.

O pai, para lá do treinador

O treinador é muitas vezes o alvo fácil quando aquele jogador que achamos que devia jogar mais tempo é preterido, ou quando as opções tácticas não seriam as nossas. Luís Duarte conhece ambos os lados…

Pai de Diogo Duarte, que na pretérita temporada representou os Sub-13 do Oeiras, Luís confessa-se exigente, em particular quando entende que o seu filho não “deu tudo” o que podia.

Obrigado

Numa mensagem final, Luís Duarte não deixaria de reforçar a necessidade de aproveitar o momento desportivo e mediático potenciado pela conquista do Campeonato do Mundo em Barcelona. Um recado, e uma missão, para todos.

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